OS MEUS LIVROS (MAIS RECENTES)
Fátima nunca mais (11.ª edição)
De entre todos os meus livros mais recentes, Fátima nunca mais é de longe o que mais comoção e escândalo gerou no país em geral e na Igreja católica em especial. É também o que mais leitoras, leitores tem tido. E o que mais edições conhece até esta data (Março 2004). Nesta altura, encontra-se na 11.ª edição. Desde que apareceu - Abril de 1999 - depressa passou a figurar no TOP de vendas da Editora Campo das Letras. E ainda não foi desalojado dessa posição. Como o título sugere, o livro pega no chamado fenómeno das aparições de Fátima e não deixa nada de pé. Nenhum outro livro, dos muitos que se têm publicado a favor ou contra Fátima, "agarra" o fenómeno como este. O mais surpreendente é que o livro desmonta toda a mentira de Fátima, mas com recurso às próprias fontes que oficialmente são apresentadas como as provas mais irrefutáveis a favor da verdade das "aparições", nomeadamente, o livro atribuído à Irmã Lúcia, As Memórias da Irmã Lúcia.
"A leitura destes escritos - afirmo na p. 15 do meu livro - deixou-me, evangélica e teologicamente, horrorizado. Nem a Senhora de Fátima da «vidente» Lúcia, tal como ela se lhe refere, corresponde a Maria, mãe carnal de Jesus e a sua melhor e mais perfeita discípula, nem o Deus dos seus textos corresponde ao Deus que nós, cristãos e cristãs, reconhecemos e proclamamos e que se revelou definitivamente na pessoa de Jesus de Nazaré, o ressuscitado que, antes, havia sido crucificado. Digamos que o deus das Memórias da Irmã Lúcia tem tudo a ver com o deus do Templo de Jerusalém, em nome do qual o próprio Jesus foi condenado à morte e executado, por o ter posto em cheque, em nome de outro Deus, de misericórdia e de perdão, sem religião e sem templo, a quem ele, numa intimidade ainda hoje desconcertante para nós, tratava por «Abbá», uma expressão aramaica que diz mais, infinitamente mais, do que «Pai» ou «Paizinho», como os tradutores da Bíblia costumam traduzir para as diversas línguas hoje faladas. Tenho, por isso, para mim que Fátima e a sua Senhora, mais do que toleradas, deverão ser teologicamente denunciadas e desmascaradas. Para que as populações tomem consciência do veneno que ambas veiculam, sob o disfarce de grandiosas manifestações de fé.
O livro tem 26 capítulos e três apêndices. Eis alguns dos títulos dos capítulos: "No outro lado de Fátima, à procura de Maria de Nazaré"; "Não será que também Fátima precisa de se converter ao Evangelho de Jesus?"; "Fátima: um inferno de mau gosto"; "Do Deus de Fátima livra-nos, Senhor!"; "Eu, Maria mãe de Jesus, não tenho nada a ver com a Senhora de Fátima"; "O culto a N.ª S.ª de Fátima afasta-nos do Deus que se revelou em Maria de Nazaré"; "Fátima: a glória da nossa terra, ou a nossa vergonha?"; "Fátima: A grande ilusão".
Uma coisa peço a quem ler este livro: Não se escandalizem com o que ali escrevo contra Fátima e a sua senhora. Tudo o que ali escrevo é por amor a Maria de Nazaré, a mãe de Jesus. E por fidelidade ao que há de mais genuíno na Fé cristã jesuánica. Escandalizem-se com Fátima e a sua cruel senhora, que tem tudo a ver com as imagens da mítica Deusa virgem e mãe dos cultos politeístas do Paganismo e nada a ver com Maria, mãe de Jesus. E como quem espanta o medo, cantem comigo, com a pirosa música do "13 de Maio": "Com tão grandes crimes / que Fátima tem / quem pode dizer que / se sente lá bem?". Coro: "Mas ai de quem / crê nessa intriga / Jamais será / alguém na vida"
(Nota: A edição é da Campo das Letras - Porto)
MAS À ÁFRICA, SENHORES, POR QUE LHE DAIS TANTAS DORES?
27 anos depois de ter sido expulso de capelão militar da Guerra Colonial, o autor voltou à Guiné-Bissau, e foi terrível o choque que sofreu
Este é o primeiro livro que a Editora Campo das Letras me acolheu e editou. Dele, pode ler-se na contra-capa: "Ao todo, são oito crónicas. De dor e de cólera. Também de esperança. Valem como um grito. Que ninguém pode deixar de ouvir-acolher-divulgar. Foram escritas, durante uma semana, na Guiné-Bissau. Mas remetem-nos para todo o continente africano. Um continente tragicamente crucificado. Que urge descrucificar. Primeiro, foram os muitos anos de escravatura, de colonialismo e de guerra colonial. Um crime sem nome, que o Ocidente cometeu. Impunemente. Agora, é o abandono. E o silêncio. Como se todos aqueles povos já não existissem. E como se a dramática situação em que presentemente se encontram não tivesse nada a ver connosco. Aceita uma sugestão? Deixe-se peregrinar por estas páginas. Comungue da vigorosa emoção que por elas perpassa. Experimentará, no final, uma incontida vontade de nascer de novo e de passar a ser para sempre uma mulher/um homem universalmente fraterno e solidário. Também uma alegria sem fim.
(Nota: A edição é da Campo das Letras - Porto)
Nem Adão e Eva, nem pecado original (3.ª edição)
É um volume com 197 páginas. Apresenta este "Kerigma de abertura" que diz bem do seu conteúdo saudavelmente provocador e libertador:
* O mundo não foi criado em seis dias.
* Adão e Eva nunca existiram como indivíduos históricos. São nomes comuns, míticos, e não nomes próprios.
* O pecado original, como pecado dos nossos primeiros pais, nunca existiu. Tão-pouco existiu um paraíso terrestre, de onde os seres humanos foram expulsos, como castigo de Deus.
* As serpentes nunca falaram com os seres humanos.
* As dores de parto; o trabalho que temos de desenvolver para produzir o que comemos e vestimos; o suor do rosto; o sofrimento em geral; e até o acto de morrer nãqo são castigos de Deus, mas coisas próprias da natureza humana, nomeadamente, da nossa condição de seres humanos no mundo, ainda em plena fase de criação.
* A Humanidade nunca conheceu um estado de perfeição original, de onde decaiu em consequência do pecado dos nossos primeiros pais.
* O que os 13 primeiros capítulos do livro do Génesis nos revelam é outra coisa bem distinta de toda a má notícia que, durante séculos, as catequeses eclesiásticas nos andaram a ensinar. E tem sabor a Boa Notícia, a Evangelho. Ei-la em síntese: A História encontra-se interiormente animada desde o princípio por uma inefável e misteriosa Presença libertadora e salvadora - YHWH (= Iavé), chama-lhe Moisés, Abbá (= Pai querido), chama-lhe Jesus de Nazaré, o Cristo - a qual, a partir de nós e connosco, a faz avançar para uma cada vez maior plenitude de vida. E isto é motivo de grande alegria, até de festa, e também de entrega militante. Pelo menos, por parte de alguns seres humanos - mulheres e homens em radical igualdade e em indissolúvel unidade - que surpreendentemente e contra a corrente decidem viver o seu tempo histórico teimosamente a favor da vida e vida em abundância para todos, sem discriminação de nenhuma espécie: indivíduos, povos e o próprio Universo.
(Nota: A edição é da Campo das Letras - Porto)
Que fazer com esta Igreja? (2.ª edição)
São 26 crónicas teológicas escritas entre Janeiro e Abril de 2001 que "mordem" a actualidade. Pelos títulos, ficam logo a fazer uma ideia da obra de 350 páginas. Eis os mais apelativos:
1. Bispos católicos: lobos disfarçados de pastores?
2. Trago-vos uma boa notícia: a religião acabou!
3. Tanta religião e tão pouca Páscoa cristã
4. Bispo pôs deputados portugueses em sentido
5. Párocos de Gondomar vão comer à mão do Major presidente
6. Hierarquias das Igrejas têm por pai o Diabo
7. Celibato eclesiástico, um crime contra a Humanidade
10. Dois olhares sobre a tragédia de Entre-os-Rios
11. Saiba como chegar a cardeal
13. O Evangelho que o Papa distorceu
14. Do que Deus gosta é do Carnaval, não da Quarta-feira de Cinzas
15. A Graça é de graça, mas o Baptismo não!
16. Papa enfia barrete a novos cardeais
19. É o narcotráfico, estúpido, é o narcotráfico!
21. Mataram o Rui!
25 Fujam dos Templos!
(Nota: A edição é da Campo das Letras - Porto)
Em memória delas. Livro de mulheres
Os quatro livros que "fazem" este volume de 372 páginas podem ser lidos independentemente uns dos outros. Foram escritos ao longo de vários anos, um pouco à semelhança do que aconteceu, por exemplo, com a Bíblia. São, por isso, livros surpreendentemente perenes. Chamam-nos à conversão ou metanoia. A nascermos do Alto, ou do Espírito. A nascermos do Vento que sopra de fora do Sistema.
O livro é dedicado a "Maria Laura, Presbítera não-ordenada da Comunidade Cristã de Base de Macieira da Lixa: A sua simplicidade e alegria, mais a sua capacidade de acolher sem reservas, juntamente com a sua incondicional entrega à Missão de Evangelizar os pobres são sacramento vivo duma Igreja católica outra, em que mulheres cristãs partilharão com homens cristãos, em radical igualdade e em indissolúvel unidade, todos aqueles ministérios ordenados e não-ordenados que o Espírito entender suscitar para proveito de todos os seus membros.
O primeiro dos quatro livros leva por título, ROSTOS. O segundo, ESTÓRIAS. O terceiro, CRÓNICAS EXEMPLARES. O quarto, TEXTOS TEOLÓGICOS. É neste último livro, que se encontra um texto de fôlego com o título: "O que nunca ninguém disse sobre Maria, mão de Jesus"
(Nota: A edição é da Campo das Letras - Porto)
E Deus disse: Do que eu gosto é de política, não de religião (2.ª edição)
"No princípio era a Política. A Política estava em Deus. E Deus era a Política. Sabemos isto, desde que, entre nós e connosco vimos e ouvimos Jesus de Nazaré, o Cristo, a quem os políticos profissionais se apressaram a matar, instigados pelos profissionais da Religião. Com a conivência do povo. Por sinal, um assassinato político. Congeminado e perpetrado por todos os representantes do Poder sem excepção. Não porque Jesus lhes tivesse aparecido como um rival político, um sério candidato ao lugar que ocupavam, mas porque ousou viver entre nós e connosco, também diante deles, uma prática política exemplar, radicalmente alternativa ao Poder deles. E que se constituiu na mais alegre e feliz boa notícia aos pobres. Que logo despertou expectativas incontroláveis e alvoroços mais do que justificados entre as multidões de marginalizados, vítimas de políticos sem escrúpulos que sempre confundiram política com Poder, e de chefes religiosos que sempre confundem Religião com Deus. E como foi a prática política de Jesus?"
Este é um parágrafo do primeiro dos 45 ensaios teológicos que completam este livro de 263 páginas. O livro tem ainda um outro texto a abrir, que fundamenta o título de capa. Para muita gente, é mais uma obra chocante e escandalosa sobre a qual nem sequer pousarão os seus olhos. Aliás, não falta quem tudo faça para que as pessoas não leiam este livro, nem nenhum dos livros que ultimamente tenho publicado. Não se deixe manipular. Seja adulta, adulto e tenha a audácia de passar numa livraria, ou na secção de livros de um grande centro comercial e folheie um exemplar. Ficará "agarrado" desde a primeira página. Não resistirá a levar um livro para casa como um amigo e companheiro seu. Experimente. A leitura deste livro poderá abrir-lhe horizontes de liberdade e de salvação que nem sonha.
(Nota: A edição é da Campo das Letras - Porto)
Como farpas. Mas com ternura
São 101 textos quase-poema. Propositadamente curtos. Incisivos. Violentos. Mas daquela violência que só a ternura conhece e utiliza. "Pretendem arrancar e demolir / o que nos aliena. Edificar e plantar / o que nos liberta e fraterniza/sororiza."Se os lermos em voz alta, como quem os declama, seremos capazes de estremecer no mais fundo de nós. Deixo-lhes aqui a transcrição integral do texto n.º 12. intitulado
OS PODEROSOS
Os poderosos. Parecem
homens no andar. São monstros
em forma humana. Esmagam e
humilham quem não vai
à sua missa ou não milita
no seu partido. Servem
veneno nos seus frequentes e
provocantes manjares. E assim
mantêm-se no poder sem rivais. Vivem
rodeados de vassalos e as suas
casas são haréns onde as mulheres
às mãos cheias são coisas
sem vontade própria moles
como lesmas. Pensam-se
super-homens e são
monstros. Por pai têm
o Diabo que os faz à sua
imagem e semelhança. Prefiro
mil vezes viver a pão e água
toda a vida a ter de servir
os poderosos. Pior muito pior
se são sagrados. Que outra
maneira terei de lhes mostrar
o meu amor senão deixá-los
sozinhos nos seus palácios
e erguer a minha tenda entre
as suas inúmeras vítimas?!
Dizem por aí que dos fracos
não reza a História. Pois não
ou a História não fosse mandada
escrever pelos poderosos. Dos poderosos
como Bush a História sempre reza. Mas
para sua vergonha.
(Nota: A edição é da AUSÊNCIA, de V. N. Gaia)
Ouvistes o que foi dito aos antigos
EU, PORÉM, DIGO-VOS
Este é o livro em que eu mais me revelo como padre/presbítero da Igreja católica. E em que revelo pontos de vista teológico-morais sobre muitas temáticas que têm a ver com o quotidiano de todas, todos nós, que desfazem, sem dó nem piedade, séculos e séculos de moralismo clerical que infernizou - e ainda inferniza - a vida de muitas pessoas que, infelizmente, lhe têm dado ouvidos. Lanço, assim, com este livro, alguns fundamentos de um Cristianismo jesuánico, radicalmente libertador, que não pode deixar de ter futuro no mundo, terceiro milénio adiante. Um Cristianismo que é boa notícia para a Humanidade. Por agora, a hierarquia da Igreja católica não se revê neste livro. Para seu mal. Porque o futuro da Humanidade é por aqui que avança. Ou o Espírito Santo que Jesus, o Cristo, nos garante como nosso Advogado e Companheiro na História, não estivesse aí empenhado em fazer novas todas as coisas e, sobretudo, em guiar-nos para a Verdade total, o mesmo é dizer, para a Liberdade/Responsabilidade total. Eis alguns dos títulos deste livro fecundamente polémico:
As minhas respostas às dúvidas duma ex-católica
Alexandrina de Balasar: Santa? De que Deus?
Milagres? Não, obrigado!
Com medo do inferno, infernizava a sua casa
Alá ou Deus? Maomé ou Jesus?
Jeová, nome de terror!
A fabricação do medo
Quando é que haverá uma crise de vocações para bispo?
Homossexuais: acabe-se já com a discriminação!
Frades e freiras: já foi chão que deu uvas
O pecado sem perdão do Cardeal Patriarca
Eucaristia ou sacrílego negócio?
"A fé sem luta é como carro sem rodas"
É viúva com três filhos, mas deu um campo para um barracão de cultura
Os túmulos estão vazios
Manifesto-Utopia de boas-vindas ao Terceiro Milénio.
(Nota: A edição é da Campo das Letras - Porto)
canto(S) nas margens
Este é um livro diferente. É um livro de versos. Para ler/recitar/cantar. Prova evidente de que em cada pessoa anda um poeta Aleixo. Os versos que aqui apresento foram escutados e escritos por mim ao longo dos últimos anos e têm sido cantados nos grupos e comunidades cristãs de base, por onde tem passado muito da minha vida de padre/presbítero da Igreja católica, long dos templos e dos altares. É um livro de pouco mais de cem páginas. Acessível a quem saiba ler. Leve, mas teologicamente profundo. "São cantos - lê-se no texto de abertura em prosa - que espantam medos. Fazem explodir grilhões e prisões. Afogam alienações. Despertam consciências. Fazem brotar fraternidades/sororidades teimosamente abertas. Congregam grupos e comunidades de Partilha e de comunhão de bens."
O livro apresenta-se com uma dedicatória muito especial e rara. Diz assim:
A Amélia, companheira da Comunidade cristã de base de Macieira da Lixa que, porventura sem o saber, vive permanentemente mergulhada no Essencial que é invisível aos olhos e por isso mantém-se firme na Caminhada, como um carro de combate, contra ventos e marés.
A Martinha, de Amarante, surpreendente canto vivo de alegria e de festa que, embora incapaz de articular uma frase, de dar um passo ou de comer por sua mão, todo o seu corpo parece explodir de felicidade e de comunicação, sempre que me vê entrar na sua casa.
A Víctor Gama, de S. Pedro da Cova, um indomável trovão humano sentado numa cadeira de rodas que ninguém consegue calar, quando depara com situações em que outros companheiros com deficiência – elas e eles – são maltratados e injustiçados.
A Francelina, companheira da Comunidade cristã das Quartas-Feiras, um vivo e espantoso sacramento, no meio de nós, do desconcertante e libertador humor de Deus.
A José Maia, da Associação Cultural e Recreativa As Formigas de Macieira que, juntamente com a sua mulher Huguette, soube fazer seu o projecto Barracão de Cultura e está a revelar-se capaz de remover montanhas para conseguir a sua concretização na freguesia; e a Irene, sua filha adoptiva que, nas línguas de fogo da sua irreprimível alegria e no impetuoso vento do seu jeito de estar e de viver, é para nós fecunda epifania do Espírito Santo na manhã do Pentecostes.
Nas vossas diferentes deficiências, umas mais profundas, outras menos, continuais a ser para mim misteriosos e desafiadores rostos do Deus Vivo que reiteradamente nos salta ao caminho e nos grita a Boa Notícia de que a vida humana em plenitude só mesmo nas margens consegue ser vivida.
A minha pública gratidão.
EM NOME DE JESUS
Diário Aberto de um padre sem templo nem altar
Arca das Letras, Editora
Trata-se de um volume de 609 páginas. Com Dedicatória: A Macieira da Lixa. A todo o seu Povo: Mais de 30 anos depois de ter sido vosso pároco, aqui me tendes de novo no meio de vós como presbítero da Igreja que está no Porto, mas agora felizmente despojado dos privilégios clericais que então usufruía. Vim porque senti o apelo a levar por diante a missão eclesial de Evangelizar os Pobres que então teve nesta freguesia de Felgueiras um dos seus momentos mais empolgantes. Vivo, como sabeis, longe dos templos e dos altares, mas totalmente próximo das vossas casas e de vós, especialmente, daquelas, daqueles de vós que ninguém costuma escolher para suas amigas, seus amigos. E também muito próximo daquelas outras muitas pessoas de todo o mundo que hoje cada vez mais navegam e comunicam via internet. A todas, todos vós o meu afecto de irmão.
O Outro Evangelho Segundo Jesus Cristo
Editora Campo das Letras, Porto
Sempre sonhei escrever um livro sobre Jesus. Só agora, aos 68 anos, concretizo o meu sonho. Valeu a pena ter nascido e vivido todos estes anos, só para agora poder dar à Humanidade este meu testemunho vivo sobre Jesus. Tenho a certeza de que quem o ler não resistirá a convertê-lo no seu livro de bolso para o resto da vida.
NA COMPANHIA DE JESUS E DE ATEUS
Livro dos Actos Século XXI
Edição de Autor
Desengane-se quem ainda pensa que Deus, o de Jesus, gosta das Igrejas e das Religiões que hoje por aí proliferam aos montes como cogumelos depois das chuvas. Deus, o de Jesus, vomita-as a todas (cf. Apocalipse 2-3, mas em especial 3, 14-16). Todas elas são instituições assim-assim, cinzentas, nem frias nem quentes. Parasitas de Deus. E dos seres humanos. Nomeadamente, daqueles que tenham o azar de cair sob a alçada dos respectivos dirigentes hierárquicos, pastores ou clérigos, cónegos, bispos, cardeais, párocos, papas, todos ou quase todos machos, e tudo gente que se tem na conta de estar acima dos demais, resguardados por privilégios que nem as sociedades secularizadas ousam pôr em causa, como se já fizessem parte da natureza das coisas, ou proviessem directamente de Deus! Todas elas são instituições que vivem à pala do nome de Deus. E de Jesus, pelo menos, no caso das Igrejas ou Religiões cristãs, a quem estas, por sinal, preferem chamar “Cristo”, em lugar de Jesus. Porque “Cristo” – um título atribuído a Jesus por alguns dos seus primeiros seguidores, mas que ele nunca aceitou, devido à conotação com o Poder que o termo tinha e tem (cf. Marcos 8, 29-30) – sempre poderá ser o que as Igrejas e as Religiões quiserem que seja. Ao passo que Jesus, homem de carne e osso e sangue, não. O mais que as Igrejas e as Religiões podem fazer com Jesus – aliás, sempre fizeram e ainda hoje continuam a fazer – é tentar forjar “biografias” dele à medida delas e das suas ambições (cf. 1João 4, 1-21). Mas acabarão sempre desmentidas pelo Jesus da História, esse mesmo que foi crucificado no ano 30 da nossa era pelo Templo de Jerusalém e pelo Império Romano coligados, e que nos é apresentado, de forma avassaladoramente humana, pelo mais antigo dos quatro Evangelhos canónicos, o Evangelho de Marcos. O meu anterior livro O outro Evangelho segundo Jesus Cristo (edição Campo das Letras, Abril 2005), que mais não é do que uma arrojada tradução actualizada e anotada do primitivo Evangelho de Marcos, feita a partir dos dados mais recentes da investigação histórica sobre Jesus, não deixa margens para dúvidas a quem o ler e sobretudo a quem o “ruminar” com inteligência ilustrada. (Já repararam no manto de silêncio que se teceu em redor deste meu livro, por parte da generalidade das Igrejas e seus dirigentes maiores? Não será porque o livro simplesmente lhes tira o tapete?)
Do que Deus, o de Jesus, mais gosta é de mulheres, homens que vivam longe dos templos e dos altares (cf. João 4, 21-26), mas muito próximos umas das outras, uns dos outros (Lucas 10, 29-37), se possível, congregados em pequenas comunidades sororais, fraternas, em cujo seio nunca chegue a desenvolver-se o mais leve vestígio de hierarquia ou poder (cf. Mateus 18, 20). Se formos por aqui, as nossas casas serão todas casas da comunidade, cujas portas estão permanentemente abertas para proporcionar e acolher encontros, tantos quantos forem achados necessários e oportunos, entre as companheiras, os companheiros que constituem cada uma delas. As mesas das nossas casas, nas quais habitualmente comemos, serão mesas onde partilhamos a Comida e a Palavra, na companhia de Jesus e de ateus e outras “pecadoras”, outros “pecadores”, tanto a Palavra de Deus Vivo como a nossa própria, e onde sempre se há-de ouvir-acolher, como em nenhum outro lado, o clamor das vítimas deste mundo e os seus lancinantes pedidos de libertação e de cura. A alegria e a paz, próprias de companheiras, companheiros que se amam na verdade e na gratuidade, curarão todas as nossas dores e libertar-nos-ão de todos os nossos medos e de todas as nossas alienações. Ninguém dominará ninguém e nenhuma, nenhum de nós passará privação ou necessidade, porque os bens que temos são para ser gastos segundo as necessidades reais de cada qual, sempre de acordo com todas, todos. (Do texto de Abertura)
SALMOS Versão Século XXI
Editora Campo das Letras, Porto
Prefácio
Olá, Companheiras/Companheiros.
Se calhar, o melhor mesmo é nem sequer abrirem este meu novo livro, aqui editado depois de O Outro Evangelho Segundo Jesus Cristo (Março 2005, Campo das Letras) e de Na Companhia de Jesus e de Ateus. Livro dos Actos Século XXI (Janeiro 2006, Edição de Autor). É que é um livro por demais chocante. Para não dizer blasfemo. Não o abram. Muito menos leiam. Comprem-no e queimem-no, como foi prática corrente durante os tenebrosos tempos da Inquisição. Comprem e queimem todos os exemplares que puderem, antes que alguém inadvertidamente o adquira e o leia. Evitarão, assim, que estes SALMOS cheguem às mãos, à mente e ao coração de muitas outras pessoas. Sobretudo, evitarão que muitas outras pessoas se ponham para aí a fazer seus todos estes salmos “blasfemos” que o livro leva dentro.
O mais chocante, porém, é que, ainda por cima, são Salmos. Como os da Bíblia. Salmos que tentam dar voz a um diálogo vivo com o Totalmente Outro que nunca ninguém viu nem verá, mas que misteriosamente sempre nos leva ao colo. São exactamente os primeiros 50 salmos da Bíblia, inclusive com a mesma numeração e até os mesmos versículos. Mas desenganem-se, porque estes Salmos que aqui apresento já não são mais os inofensivos Salmos da Bíblia. São novos Salmos, escutados e redigidos por mim, neste início do século XXI, aqui em Macieira da Lixa, um dos lugares teológicos, desde os idos de setenta, do Deus que gosta de Política não de Religião. Procurei escutar e reescrever cada um, na fidelidade ao mesmo Sopro ou Espírito politicamente conspirativo e subversivo que é o Sopro ou Espírito desse Deus que é também o de Jesus.
Desde que os Salmos da Bíblia foram escritos – já lá vão mais de 2500 anos, pelo menos para os mais antigos – o mundo mudou muito e muita água correu já debaixo das pontes. Mas, estranhamente, os salmos da Bíblia, como, de resto, toda a Bíblia, inclusive, os quatro Evangelhos com que abre o Novo Testamento, têm permanecido sempre os mesmos. Eram salmos chocantes e blasfemos, nos dias e nas circunstâncias em que foram escutados e redigidos. E, com o tempo, tornaram-se todos praticamente inofensivos. Pior, verdadeira fonte de alienação e de rotinas institucionais, para uso diário de freiras, de frades e de eclesiásticos de todos os graus, desde o pároco da mais ignota aldeia, aos eminentíssimos cardeais da Cúria romana e a Sua Santidade o papa-chefe-de-Estado-do-Vaticano. A verdade é que rezam-nos e adormecem quase logo. Rezam-nos e reforçam ainda mais o seu farisaísmo. Rezam-nos e não deixam de continuar a crescer em privilégios. Rezam-nos e sobem até ao quinto céu dos seus Moralismos Sado-masoquistas (o que se passou em Portugal nos dias que antecederam a votação do Referendo à Lei de despenalização do aborto é apenas o exemplo mais recente). Rezam-nos e vêem cada vez mais reforçada a sua influência institucional junto das famílias bem-pensantes e bem-falantes da Sociedade. Rezam-nos e sentem-se ainda mais autorizados a humilhar o Pobre com as suas reiteradas caridadezinhas, servidas habitualmente à mistura com catequeses e outras práticas devocionais sem qualquer força politicamente libertadora e conspirativa.
Ora, com esta nova versão, os Salmos recuperam o seu fecundo Sopro ou Espírito politicamente conspirativo e subversivo. Tornam-se de novo os Poemas-Oração demolidores que originalmente todos eles foram, por isso, impulsionadores de Utopias que haveremos de materializar no Tempo, mediante lúcidas práticas económicas e políticas libertadoras e sororais/fraternas, as nossas. E também Poemas-Oração inevitavelmente chocantes e até blasfemos para a generalidade dos católicos tradicionais, para protestantes fundamentalistas, e até para ateus/agnósticos mais ou menos instalados e acomodados, elas e eles. Porém, sejamos honestos, ao menos uma vez na vida, com a realidade histórica: Pode lá haver Obscenidade maior na História do que a existência do Templo e do Império, habitualmente coligados e sempre prontos a abençoar e a impor, como Ordem querida por Deus, a presente Ordem Económico-financeira mundial que fabrica pobreza e pobres em massa e depois ainda exige de todos os povos subserviente e reiterada veneração, senão mesmo adoração?
Macieira da Lixa, Março 2007