2006 MARÇO 31

Ao exigirem nas ruas que o Dinheiro se

mantenha ao serviço dos seres humanos

quando até os respectivos governantes dão

perigosíssimos sinais de quererem convertê-lo

em Senhor dos seres humanos os jovens de

França anunciam sem o saber perante o mundo

o Evangelho de Jesus Cristo para o século XXI.

 

“Ninguém pode servir a dois senhores” – diz

Jesus o de Nazaré que logo especifica: “Não

podeis servir a Deus e ao Dinheiro”. Ao recusarem

liminarmente o sábio alerta de Jesus os dirigentes

do século XXI condenam a Humanidade ao

abismo. Ou a Humanidade pára e regressa a

Jesus o de Nazaré ou perde a sua alma e o futuro.

 

Se nem só de Pão vivem os seres humanos

muito menos nem só de Dinheiro. Ao Pão ainda o

podemos comer mas se o produzimos sem o Sopro

da Justiça e sem as entranhas de humanidade para

com as vítimas ele torna-se Exploração e Opressão.

Já quanto ao Dinheiro ninguém o pode comer e o

que se lhe dedica acabará sem alma e sem futuro.

 

Onde estão afinal os jovens portugueses e dos

restantes países da Europa? Porque ainda se não

mobilizaram como os de França a exigir que

o Dinheiro seja o servo dos seres humanos nunca

o seu Senhor? Este há-de ser sem dúvida o Combate

do século XXI e do terceiro milénio depois de Jesus.

Ou o ganhamos ou desaparecemos da face da terra.

 

Nem as Igrejas nem as Universidades; nem as Escolas

nem as Famílias; nem os Governos nem as Oposições

mobilizam os jovens para tão nobre Combate. Vive

cada qual à volta do seu campanário sem perceberem

que D. Dinheiro onde chega contamina tudo e tudo

corrompe. Terão que ser os jovens a levantar-se

e a avançar na História como um novo Big-Bang.

 

Nunca a Idolatria foi tão longe como hoje. Falsos

deuses sempre os houve mas o mais mortífero de

todos é o deus Dinheiro. À sua beira os deuses das

Religiões não passam de tigres de papel. O mais

grave é que hoje nem se conhecem ateus do deus

Dinheiro. Só das Religiões. Serão os jovens europeus

e do Mundo capazes de tão salutar e fecundo Ateísmo?

 

Blasfemo e ateu foram duas acusações que

os da Religião e do Poder e do Dinheiro fizeram

a Jesus. A Ordem Mundial por que ele se batia e

bate corre paralela à deles e jamais se encontrará

com ela em momento algum da história. Por isso o

mataram. E puderam prosseguir a Descriação em que

são peritos. Com quem vamos: com eles ou com Jesus?

 

Felizes seremos se fizermos do século XXI e do

terceiro milénio o Tempo de Jesus o de Nazaré. Será

a Revolução maior da História. E a primeira feita sem

ódio e sem recurso à violência. Não corremos a matar

os do Poder nem os da Religião nem sequer os do

Dinheiro. Toda a nossa alegria consistirá em sermos

outros Jesus. Pobres. Livres. Fraternos. Insubmissos.


2006 MARÇO 29

Como país vivemos hoje sob a tirania

de D. Dinheiro que é o pior de todos os

deuses. E sob a batuta de duas entidades

com tanto de medíocre como de sinistro –

o primeiro ministro Sócrates e o presidente

da República Cavaco. Os três juntos têm o

condão de tornar as almas mais pequenas.

 

A Tristeza e a Depressão andam estampadas

no rosto das pessoas. Somos um país caído

num beco sem saída. A Televisão serve-nos

Futilidades a toda a hora e até as Universidades

carregam jovens sem brilho nos olhos como

quem se sabe condenado a ter de viver como

uns abortos. Ainda tão novos e já sem sonhos!

 

Minguam os Poetas e os Profetas. Sobram

novas igrejas e novas religiões cada qual a

mais esotérica e a mais mentirosa. Ninguém

confia em ninguém. E até as novas casas que se

constroem por estes dias nascem sem braços e

sem mãos. E sem olhos. São guetos com tudo de

sepulcro onde se agitam mortos como Lázaro.

 

É Inverno permanente no meu País. E quando

chove são ácidas como as lágrimas as chuvas

que caem. Deveriam fecundar como bênção

os campos e os corpos das pessoas. E são

como Maldição que deixa ainda mais estéril

o Planeta. Até os profissionais de humor não

vão além das anedotas de sexo sem amor.

 

Servem-nos Futebol a jorros em competições

conduzidas sob o ceptro de ferro de D. Dinheiro

que habilmente se esconde por trás dos velhos clubes

que foram espaços de debate e de palavra e hoje

não passam de máscaras por trás das quais actuam

SADs que corrompem jogadores que depois se

vendem por milhões como as putas dos Executivos.

 

Enchem-se de carros as estradas aos fins de

semana rumo aos estádios de futebol e aos

grandes centros comerciais. Muito poucos são

os que ainda insistem em dirigir-se aos templos

das paróquias. Mas nenhuns ou quase conhecem

o caminho que leva à casa das outras pessoas.

Ai a Idolatria que nos faz suicidas e fratricidas!

 

Num reino de Medíocres são rainhas e reis

os mais exímios em distrair as populações do

Essencial. D. Dinheiro paga o que for preciso

para que elas e eles exibam até à exaustão os seus

corpos despidos e apresentem programas que

tornem progressivamente apatetadas as populações.

É a Descriação dos seres humanos no seu pior.

 

Imperioso e urgente é regressarmos ao Deserto e à

Montanha onde sopra forte e fecundo o Espírito Criador

de seres humanos. Se nem aí houver mulheres e homens

disponíveis levantar-se-ão as pedras a exigir um País

outro. Não temos como escapar. Ou nos tornamos

protagonistas da História como criadores de Futuro ou

veremos as pedras a fazê-lo em nossa vez. Com Violência.


2006 MARÇO 23

Gosto mais desse teu Ateísmo com Causas

do que da Quaresma dos clérigos que entretêm

as pessoas que frequentam os seus templos

com jejuns-faz-de-conta e com outras penitências

que têm por pai o Perverso. O Calendário como

inspiração é gerador de Morte. E só o Sopro que vem

do grito das Vítimas faz acontecer Novos Começos.

 

Ateu foi o próprio Jesus o de Nazaré. De todos

os deuses que se alimentam de gente. Também e

sobretudo do Deus do Templo de Jerusalém que

então se confundia com o deus Dinheiro e andava

casado com o deus do Império. Mas o de Jesus foi

um Ateísmo que soube abrir-se ao Mistério e fazer

Aliança com as Vítimas até acabar vítima ele próprio.

 

Os do Dinheiro e os do Poder juntamente com os

da Religião não suportam um Ateísmo como o de

Jesus que sabe viver aberto ao Mistério e se deixa

fazer pelo Sopro que vem do Grito das Vítimas. Não

frequenta os templos dos clérigos nem os palácios dos

poderosos que mandam no Mundo. E que a todo esse

lixo de luxo prefere a fecundidade do viver em Deserto.

 

Não se pense que Jesus esteve quarenta dias e

quarenta noites no Deserto. Isso diz o Perverso

que vive da Mentira e da Alienação. No mundo e

de olhos bem abertos foi como Jesus sempre viveu

sem nunca se distrair dos Sinais dos Tempos e dos

Clamores das Vítimas. Nem as Orações do Templo

nem os Discursos do Poder o desviaram do Essencial.

 

Anda por aí um ateísmo que tem tanto de Alienação

como a Religião. Ambos têm o Perverso como pai. É

o ateísmo que vive instalado nos seus Privilégios e

nos seus Prazeres e não tem olhos nem ouvidos

para as Vítimas e os seus clamores. Cultiva a Idolatria

do Dinheiro e frequenta os Templos do Cinismo e

vive de joelhos diante do Poder nosso de cada dia.

 

Deste ateísmo fujo todos os dias a sete pés. Não

vá acontecer que me transforme num Cínico e num

Monstro sem entranhas de humanidade. Nasci e vim

ao mundo para me tornar irmão universal. E nem

a Religião nem a Idolatria nem esse ateísmo surdo

e cego hão-de levar a melhor sobre mim. Sou filho

do Sopro e é com ele que chegarei a ser Liberdade.

 

Num mundo de Vítimas como o nosso ninguém

que queira chegar a ser humano pode viver fechado

sobre si mesmo. Por isso uma Quaresma como a dos

clérigos feita de masoquismo e de sadismo só serve

para fazer aumentar a dor e o sofrimento. Aprendi

com Jesus o de Nazaré que Deus Vivo do que gosta é

de gente que se ocupe a pôr fim à dor e ao sofrimento.

 

Não me arrastem para os templos dos clérigos nem

para os palácios dos poderosos. Quero os meus olhos e

os meus ouvidos em permanente sintonia com os Sinais

dos Tempos e com os Clamores das Vítimas. É dessas

bandas que vem o Sopro que me há-de fazer mais humano

e mais irmão universal. E ateu de todos os deuses que

se alimentam de gente. Sempre em Aliança com as Vítimas.


2006 MARÇO 18

Esta semana desloquei-me a Lisboa. A convite da Tertúlia FRATERNIDADE. Para uma conferência/debate sobre “Religião e Educação, hoje e amanhã”. O encontro abriu com uma ceia, num restaurante da cidade, onde, pelos vistos, todos os meses, desde há oito anos, a Tertúlia acontece. O que, só por si, é de louvar. Umas sessenta ou mais pessoas comem juntas e debatem, noite dentro, um tema de interesse para todas. Como seria o país, se esta prática se generalizasse por todas as cidades e vilas e aldeias?

Não conhecia pessoalmente ninguém. Nem sequer os promotores que me convidaram pelo telefone. Ative-me ao tema. Só depois de lá estar é que me dei conta que a Tertúlia inclui pessoas ligadas à Maçonaria, em versão menos “ortodoxa” e mais “ecuménica” que a do Grande Oriente Lusitano. Inclusive, com uma significativa expressão de agnósticos e de ateus assumidos nas suas fileiras.

Senti-me fraternalmente acolhido. Outra coisa não seria de esperar. E foi assim que, sem ir a contar, vi-me inesperadamente a Evangelizar maçons, agnósticos e ateus. Também alguns católicos e cristãos do ramo protestante e crentes sem Igreja. Evangelizei e fui Evangelizado. Foi, por isso, uma noite inesquecível para mim. Espero que o seja também para todas as demais pessoas que lá se congregaram. A partir desta noite, experimento-me em comunhão fraterna com muito mais pessoas.

Partilho aqui, na íntegra, o texto que preparei durante a viagem de comboio e que disse na conferência/debate. As achegas de ocasião, tão importantes ou até mais importantes que o texto de que parti – quando comunico, em ambientes como este, sempre capto das pessoas que me escutam o que elas estão a sentir, as suas resistências e os seus entusiasmos, as suas vibrações e os seus escândalos, ao mesmo tempo que procuro estar sempre aberto e em completa sintonia com o Sopro ou Espírito de Jesus, para que seja Ele a falar em mim e não apenas eu – não aparecem aqui. Só quem lá esteve é que as escutou e acolheu ou rejeitou e poderá reproduzi-las, não tal e qual eu as disse, mas tal e qual as recebeu. Eis:

 

1. As nossas sociedades ditas civilizadas e democráticas do que mais medo têm é de seres humanos não religiosos e não educados por elas. Pelo menos, de seres humanos que não pautem os seus comportamentos pelos padrões ou modelos da religião e da educação dominantes. Um ateu, por exemplo, mais ainda do que um agnóstico, é um ser estranho com quem os do Poder, Igrejas incluídas, não sabem bem como lidar. E quem não tem diploma passado por uma Escola reconhecida pelos do Poder, dificilmente poderá singrar neste tipo de sociedades.

2. A aspiração maior dos pais e das mães, hoje, é preparar escolarmente as filhas, os filhos, para singrarem na sociedade onde nasceram e vivem. E os do Poder tudo fazem também para oferecer às gerações que vêm a este mundo Escolas e Igrejas onde elas recebam educação e pratiquem uma religião, quanto mais esotérica melhor. Vai daí, praticamente não há hoje mães/pais que “puxem” pelos filhos, pelas filhas, para que sejam pobres por opção a vida inteira, vivam nos sarilhos e nos conflitos, sejam progressivamente subversivos, dissidentes, desobedientes aos do Poder económico-financeiro, religioso-eclesiástico e do Estado, lúcidos, resistentes, numa palavra, revolucionários.

3. Hoje, será muito difícil encontrar um Abraão como o do Génesis bíblico, um profeta como Elias, Jeremias ou Amós, um João Baptista como o precursor de Jesus, um Gandhi, um Che Guevara, um Óscar Romero. Numa palavra, uma mulher, um homem como Jesus de Nazaré que, bem vistas as coisas, é o ser humano integral que inclui todos os outros que o precederam ou que nasceram depois dele. Com o que hoje topamos a toda a hora é com doutores, engenheiros, profes, generais, capitães, banqueiros, financeiros, ministros de um qualquer governo, deputados, clérigos, párocos, pastores, frades, freiras, bispos residenciais, cardeais, patriarcas, economistas, secretários-gerais disto e daquilo, presidentes de Câmara, de república ou de um partido, tudo seres mais ou menos educados e mais ou menos religiosos/idólatras, dóceis aos do Poder ou eles mesmos Poder, que singram na vida, fazem carreira, ganham bem, comem e bebem melhor, viajam muito ao estrangeiro, chegam a chefe, seja de banco ou de polícia e têm o resto do mundo a seus pés, muito atentos, reverentes, subservientes e submissos, quase sempre sem espinha dorsal.

4. Numa fotografia a preto e branco, direi que há hoje maiorias excedentárias de um lado, que vivem no lixo e do lixo e fazem tudo o que for preciso para sobreviver, até se prostituem, e minorias de luxo, muito polidas, educadas, cheias de boas maneiras, às quais tudo é permitido e tudo fica bem. Infelizmente, o que mais rareia – e com aflição o digo – são seres humanos a sério: mulheres e homens de antes quebrar que torcer, pobres por opção a vida inteira e, por isso, cada vez mais íntegros, lúcidos, incorruptos, subversivos, insubornáveis, livres, libertadores, dissidentes, fraternos/sororais, solidários até darem a própria vida.

5. As Escolas e as Igrejas, as Religiões e os Quartéis, os Media e as Famílias existem para formar minorias educadas e escolarizadas que garantam futuro a este nosso presente, que sucedam às actuais minorias dirigentes e perpetuem indefinidamente este nosso presente, em lugar de o fazerem explodir. As actuais minorias que ocupam lugares “chave”, pelam-se todas para que os “seus” lhes sucedam nos lugares e nos privilégios. Quando isso acontece, as filhas, os filhos são apontados como o orgulho da família. Ninguém quer ter na família uma “ovelha ranhosa” e quase ninguém quer ser a “ovelha ranhosa” da família. Todos querem fazer carreira. Sem olhar a meios.

6. Também para isso existem a Religião e a Educação. As Igrejas e as Escolas. Os Media e as Famílias. Para domesticar, integrar na Ordem estabelecida, enquadrar, fazer dobrar a espinha, fazer “normais”, peças da engrenagem e do xadrez sócio-político dominante.

7. É por isso que Deus, o de Jesus, de Abraão, de Moisés e dos Profetas não gosta de Religião, nem de sacerdotes, nem de Igrejas, nem de Escolas, nem de Famílias. Tão pouco gosta da Ordem estabelecida. Ou da paz do Império e dos Estados. Em Abraão, revela-se como o Deus de todas as Rupturas. Em Moisés, como o Deus de todas as Subversões, de todas as Insurreições, de todas as Sublevações, de todas as Revoluções. E em Jesus de Nazaré, como o Deus de todas as libertações para a Liberdade e para a Maioridade humana. Tanto assim que vomita – o verbo é do Apocalipse, o último livro da Bíblia – os que nem são frios nem quentes; derruba – o verbo é do Evangelho de Lucas – os poderosos dos seus tronos e os tronos que teimamos em construir para eles ou para nós; manda de mãos vazias – é ainda o Evangelho de Lucas – os ricos que nós, ao contrário, idolatramos, como fizemos recentemente com o senhor Bill Gates. É Invisível e Inominável e gosta de se revelar/apresentar, não em imagens que possamos fabricar com mais ou menos arte, mas apenas em práticas políticas libertadoras. Nunca lhe veremos a face. Apenas podemos reconhecê-lo no Vento/Sopro/Brisa/Espírito/Ternura/Amor/Gratuidade que está na origem de todas as insurreições e de todas as revoluções, pois Ele foge a sete pés de todos os ditadores e não encontra nunca lugar nas estalagens da Ordem estabelecida, muito menos na presente Ordem Económica Mundial do Império que fabrica cientificamente pobres e pobreza em massa, o que perfaz uma postura de cinismo, de loucura e de crueldade sem paralelo na História da Humanidade.

8. Em Jesus, o de Nazaré, vilmente crucificado pelos chefes da Religião oficial do seu país e pelo representante do Império de turno, Deus viu/reconheceu o seu Filho muito amado, isto é, alguém igual a Ele, e nos que o crucificaram viu carrascos e assassinos (nós, ao contrário, vemos nos chefes maiores das Igrejas e das Religiões e nos representantes do Império, os filhos muito amados de Deus, dignos de todo o nosso respeito, e nas suas vítimas, vemos desordeiros e perigosos terroristas…). E mais: Mandou que o escutássemos a ele, não a eles. E que fôssemos como ele, não como eles, por isso, mulheres/homens simplesmente, não deusas/deuses que outros devam adorar, nem tão pouco adoradores de deusas/deuses.

9. Graças a Jesus, o de Nazaré, ficamos a saber que Deus tem um programa político (não um programa religioso ou eclesiástico). E que o seu é o programa político mais radical que alguma vez foi formulado e praticado à face da Terra. Coincide, naturalmente, com o programa político de Jesus, o de Nazaré, apresentado por ele numa sinagoga da sua terra, logo no início da sua missão política (= messiânica). O Evangelho de Lucas (4, 17-20) registou-o para que todas as gerações o conheçam e o façam seu. Eis: “O Espírito/Sopro do Senhor [não o do Império!] está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Notícia aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano de Graça da parte do Senhor”.

10. Esta é a via de Deus Criador para nos tornarmos seres humanos em estado de liberdade e de maioridade. Trata-se duma via de “porta estreita”, a mesma que Jesus, o de Nazaré, abriu e percorreu até ao fim. Quem entrar por ela e for por ela até ao fim como Jesus, sem cedências ao Poder e ao Dinheiro e à Religião, torna-se progressivamente ser humano livre e de maioridade, por isso, fecundamente libertador e solidário, capaz de criar/suscitar irmãs e irmãos em seu redor. Como é via de porta estreita, são poucos os que entram por ela. A maioria prefere a via larga e espaçosa da Religião/Idolatria, do Poder e do Dinheiro. Mas esta é a via que faz ditadores e escravos, escroques e subservientes, tiranos e súbditos, poderosos e vassalos, ricos e empobrecidos.

11. A Religião é o culto do Medo e da Mentira. Alimenta-se de medos e de mentiras. Ora, não há seres mais perigosos que os possessos de Medo. E se estão à frente do Império, como o norte-americano Bush presidente, o perigo é global. Hoje, é assim que somos nas nossas sociedades ditas civilizadas e desenvolvidas. Seres cheios de medos. Se não já dos Medos dos povos primitivos, dos novos Medos: das Sidas, das Drogas, dos Infernos nucleares, dos Terrorismos, dos múltiplos Vazios, e da… Morte! (A Morte é a nossa última e definitiva Explosão, mas como não gostamos da vida como Explosão/Subversão/Revolução, tão pouco podemos gostar da Morte. E no entanto é da Explosão duma estrela que hoje somos…).

12. O Medo cria os deuses/deusas e as Religiões que por sua vez alimentam o Medo e o desenvolvem. Sob a Religião, sentimo-nos em “segurança”, mas perdemos a Liberdade e nunca alcançaremos a Maioridade. Por isso, comportamo-nos na sociedade como garotos dum internato, quando o vigilante está ausente. Sem audácia para nos assumirmos responsavelmente no Mundo e na História. Sob o Medo, em lugar de criadores à imagem e semelhança de Deus Criador, somos descriadores da própria Criação. Em lugar de irmãs/irmãos uns dos outros, somos Caim uns para os outros, mentirosos, assassinos, como o nosso pai, o Medo e a nossa mãe, a Mentira ou Religião.

13. Neste início do terceiro milénio, precisamos de entrar pela porta estreita que é Jesus, o de Nazaré, pelo Caminho, a Verdade e a Vida que é Jesus, o de Nazaré. Não, evidentemente, o Jesus das Igrejas que está na continuação do inventado pelo Império de Constantino e ao seu serviço, nem o Jesus das Religiões actuais e do Império de Bush, mas o de Nazaré, crucificado pelo Templo e pelo Império. Temos que regressar a Jesus, o de Nazaré. Resgatá-lo das Igrejas e das Religiões e do Deus das Igrejas e das Religiões e restituí-lo à Humanidade, de quem é o definitivo paradigma!

14. Educar vem do latim educere, que significa, “fazer sair”. Nesta visão das coisas que aqui acabo de apresentar, educar será ajudar a fazer sair de cada menina, de cada menino que vem a este mundo o Jesus, isto é, o ser humano único, original, criador, livre, adulto, responsável, fraterno/sororal, solidário, político que está lá em semente. Sim, porque cada menina, cada menino que nasce é, como Jesus, o de Nazaré, filha, filho sobretudo do Sopro/Vento/Espírito/Brisa/Ternura/Amor, isto é, do Espírito Santo. Também é filha, filho da mãe e do pai, da Tradição, da Ordem estabelecida. Por isso, educar é ajudar a menina, o menino que vem a este mundo, a romper progressivamente com a mãe, o pai, a casa, a tradição, a cultura dominante, a Ordem estabelecida, até chegar a ser ela própria, ele próprio, único, criador, um Novo Começo!

15. Faltam educadores ao jeito da parteira. Educadores maiêuticos. Sobram profes. Faltam pedagogos à Sócrates, o filósofo que teve de beber a Cicuta. Sobram funcionários do Sistema, à Sócrates, o do actual Governo. São profes que se limitam a transmitir saberes, os saberes que interessam ao Sistema que lhes paga…

16. Fora do Sistema e junto das suas Vítimas humanas é que está a Salvação da Humanidade. Apostemos por aí. Avancemos por aí. Criemos alternativas ao Sistema. Sejamos nós próprias, nós próprios a Alternativa viva. Como Jesus, o de Nazaré. E haverá Futuro!


2006 MARÇO 11

 

Viram aquele estranho ser de vermelho

vestido no Palácio que foi de S. Bento e

agora é dos senhores deputados? Tinha todo

o aspecto de homem mas vestia de mulher

e nem era um homem nem uma mulher mas

Sua Eminência o senhor cardeal patriarca de

Lisboa. O que faria ele ali assim tão calado?

 

Manda o Protocolo do Estado português

que na tomada de posse do seu novo chefe

Sua Eminência esteja presente e que na hora

dos apertos de mão ao Presidente seja o quarto

na ordem de precedência a fazê-lo ainda antes

dos próprios deputados e dos ministros do

Governo, excepto o primeiro. E assim se fez.

 

Sua Eminência entrou muda e saiu calada

no que respeita a pronunciar palavras mas

não se pense que um Silêncio assim tão

vermelho e tão gritante era inofensivo. Serviu

para anunciar ao país que já chega de brincar

à liberdade e à democracia. Porque Sua

Eminência mais o Papa são maioria absoluta.

 

Quando até um Estado laico como o nosso se

permite cedências deste calibre à Igreja romana

os povos que se cuidem. A Cruz casada com

a Espada e a Igreja romana metida na cama com

o Poder sempre produziram subdesenvolvimento

e alienação nas populações. Ai deputados do

meu País que já nem sabeis a quantas andais!

 

Nem ao menos um entre duzentos e tal foi capaz

de abandonar o hemiciclo em sinal de protesto.

Perderia certamente o seu lugar mas não a face

e constituir-se-ia num Sinal levantado como Jesus

o de Nazaré, quando recusou que Deus e César

aparecessem juntos como um só e fez ver ao povo

oprimido por César que Deus existe para o derrubar.

 

Esta é a hora do poder das Trevas. Cavaco

vestiu a pele de presidente da República mas

não passa de um Eunuco ao serviço do deus

Dinheiro. Até o Império fez questão de enviar um

dos seus o único que foi tratado como o dono da

quinta. Seus carros e seguranças invadiram tudo e

violaram com arrogância e desprezo o nosso chão.

 

Um povo só é digno quando respira Liberdade e

tem na Sororidade/Fraternidade a sua mátria e a

sua pátria. A Cruz e a Espada são instrumentos do

Império que sempre nos oprime e aliena. E nos reduz

a súbditos e vassalos. Portugal suicidou-se dia 9

de Março 2006. Com pompa e circunstância. Sua

Eminência presidiu ao funeral e o Império aplaudiu.

 

Está então tudo perdido? Um tiro na cabeça é

agora tudo o que nos resta enquanto cidadãs e

cidadãos? Digo-vos com a convicção e a dignidade

dos grandes momentos: Ou fazemos deste dia o

primeiro do resto das nossas vidas ou hipotecamos

o nosso Futuro por muitas gerações. Por mim

aqui estou. Inteiro. Insubmisso. E em combate.


2006 MARÇO 07

 

Deveria vestir de luto o meu País

quando esta semana Cavaco Silva tomar

posse como Presidente da República. É

a ascensão do Financeiro sobre o Humano.

Do Esfíngico sobre a Explosão. Do Catolicão

sobre a Fé jesuânica. Do Tirânico sobre

a Ternura. E da Eficácia sobre a Fecundidade.

 

Para trás ficam dez anos de um Presidente

Cinzentão e cheio de Dúvidas incansável

em viajar pelo País como um Repórter obcecado

em mostrar parcelas da Realidade quando deveria

transformar a Realidade. Várias vezes demos com

ele a chorar e não choramos. Porque dele o que

esperávamos era que pusesse fim à Dor do País.

 

A maioria dos que votaram escolheu Cavaco

o Profe que nunca teve dúvidas e raramente

se engana. Jornais também não gosta de ler

e dos telejornais só suporta as imagens que

o mostram a dizer ufano que nunca foi capaz

de ler até ao fim um Poema de Sophia muito

menos os Sonetos de Camões e Os Lusíadas.

 

Números e mais números que representem

milhões e milhares de milhões de euros e de

dólares são a única língua que o novo Presidente

sabe falar. Durante a campanha eleitoral aprendeu

à pressa a brincar com os netos para fotógrafo ver

e divulgar. Mas à Mentira da Revista prefiro a Verdade

da sua medonha boca de Medo num directo da tv.

 

Nunca depois de Abril Portugal esteve tão

a pique e tão à beira de perder a alma. Tem

ao leme um Trio de seres nos antípodas da

Comunidade de Amor que é Deus Vivo. Já

não bastava um Scolari e um Sócrates. Vem

agora um Cavaco. Se não lhes resistirmos com

Poemas e Ternura acabaremos feitos Sucata.

 

E não é que até o Cardeal Policarpo que alguns

tinham como Inteligente e Culto vem agora

juntar-se ao Trio de Apanhados pela Alienação

e fazer da Fé católica Cruzada contra o Ateísmo

e os Ateus? Ó Portugal de Bocage e de Camões

de Sophia e de Saramago levanta-te antes que

a Senhora de Fátima seja entronizada nas Escolas!

 

Nem só de Pão vivem os seres humanos

diz e com razão quem nos conhece melhor que

nós próprios. E ao Pão ainda o comemos mas

ao Dinheiro nunca poderemos comer. Um povo

só goza de boa saúde quando faz da Política

com Espírito a sua Alavanca. Quando a alavanca

é o Dinheiro até os seres humanos ficam coisas.

 

Escrevam a chumbo o dia 9 de Março 2006

e oiçam em fundo o Requiem de Mozart enquanto

as tvs transmitem em directo a tomada de posse do

novo profe de Finanças. O mês é de Primavera mas

é o Inverno  que se inicia. Não. Não choremos por

Abril. Preparemo-nos para os duros tempos de

novas Clandestinidades. E comecemos já a conspirar.


2006 MARÇO 02

 

Quaresma. Estes dias a Igreja enche

a boca com a palavra Quaresma

como se o século XXI e o terceiro

milénio ainda fossem tempos de Idade

Média. Não são. Nunca mais serão. Os

tempos hoje são de Secularidade e

a Quaresma já não tem mais lugar na cidade.

 

O Calendário que foi litúrgico durante

séculos e séculos é hoje marcado pelos

movimentos da Bolsa e pelo Mercado e

não quer saber de discursos moralistas

nem do Papa nem dos Bispos. O Deus que

tudo comanda é o Dinheiro e a Igreja

terá que ser outro Jesus se quiser ter futuro.

 

Ingénuo é o Papa de Roma se ainda pensa

que as suas palavras são ouvidas e

praticadas pelos que hoje mandam no mundo.

Os poderosos fingem que lhe dão atenção

mas para melhor levarem a água ao seu

moinho. Ou o Papa desiste e se faz simplesmente

homem-com-os-humanos ou a Igreja morre.

 

Quaresma faz lembrar horrores e terrores

jejuns e penitências corpos macerados e

privados de toda a espécie de prazeres

sobretudo os da cama e os da mesa. Nunca

a Quaresma teve a ver com Deus o de

Jesus nem com o bem-estar da Humanidade.

O de Jesus gosta mais da Secularidade.

 

O jejum que agrada a Deus e aos Pobres

é a prática da Justiça à escala global e a

repartição da Riqueza produzida segundo

as necessidades de cada qual. Macerar o

corpo tem a ver com  o Deus do Paganismo. O

de Jesus anda associado à boa Notícia que

anuncia o fim da Pobreza e da Exclusão.

 

Não me apareçam com rostos macilentos

como os fariseus hipócritas. Cuidar da saúde

nossa e dos demais é apressar a chegada

do Reino de Deus que cresce à medida que

todos os seres humanos crescemos em idade

estatura sabedoria e graça. Querem ser de

Deus? Façam vossos os combates de Jesus.

 

É esmagador o Poder do Dinheiro e ninguém

sozinho resiste às suas seduções. Resistir-lhe-ei

se jamais renunciar à minha Dignidade de

ser humano e à minha condição de irmão

universal. Por mais elevada que seja a contrapartida

da traição nunca me venderei. Já compreendi que

só é feliz quem decidiu ser pobre a vida inteira.

 

Quaresma? Não me acenem com a da Igreja

sempre a mesma nem com a do Dinheiro cujos

fiéis tiveram que dar a alma em troca de regalias

sempre muito cobiçadas. A minha postura anda

por outras práticas longe dos vícios eclesiásticos

e das intrigas de beatas. Como e bebo como quem

faz da Saúde uma arma em defesa dos Ninguém.

 

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