DIÁRIO ABERTO 2008
2008 MAIO 30
"Uivos", foi como o líder do Bloco de Esquerda classificou ontem os ensurdecedores sons guturais com que em uníssono os seus colegas deputados do PS, arrogante maioria absoluta no Parlamento, em Lisboa, tentavam impedir que fossem ouvidas as denúncias e os frontais ataques que ele, qual leão cansado de ser sistematicamente ofendido, humilhado e desprezado em todos os anteriores debates pelo que ainda é primeiro-ministro em funções, José Sócrates, lhe dirigia num tom cheio de violência e de ódio político verdadeiramente assassino. Ouviu-se, pouco depois, o líder do CDS-PP, Paulo Portas, que não quer ficar atrás de Francisco Louçã e do seu Bloco de Esquerda - os extremos tocam-se! - no ódio político que também nutre pelo mesmo primeiro-ministro ainda em funções, avançar - pasme-se! - com o anúncio de uma "moção de censura" ao Governo, a terceira nesta legislatura. Deste modo, o país que hoje já é manifestamente um barco a pique no meio duma Europa sem rumo e sem líderes à altura, a começar pelo nosso inimaginável Durão Barroso, o daquela vergonhosa e genocida Cimeira das Lajes que declarou urbi et orbi o início da Guerra do Iraque, a mãe de todas as crises que afectam hoje o Mundo, e que, em compensação pelo frete prestado ao Império do Dinheiro, foi (quase) de imediato empossado no cargo de presidente da Comissão Europeia, ficou assim a saber, com um dia parlamentar como de ontem, que está completamente entregue à bicharada da selva do Poder, a mais rasca, a mais politicamente demente, assassina até, todos, os da direita e os da esquerda, perigosos lobos, qual deles o mais esfaimado de Poder, de privilégios, de mordomias, de opulência. O Parlamento está convertido num manicómio e numa selva, onde já não se fala e se buscam soluções para a melhoria de vida das populações, uiva-se e insulta-se, odeia-se e assassina-se, pelo menos simbolicamente. É o retrato mais fiel e cruel do país das minorias escolarizadas e privilegiadas que temos e que nos (des)governam. Era inevitável chegarmos aqui. Um primeiro-ministro rasca, incompetente, mais do que medíocre, cassete que diz sempre o mesmo discurso, que não vê o país real das maiorias empobrecidas, desempregadas, emigradas, envelhecidas, a morrerem degradantemente pelos bancos dos jardins, nestes dias de Maio, menos frequentados devido à chuva e ao frio que não nos largam e por isso ainda mais entristecidas e deprimidas, a viverem como ratos nas tocas que são os seus míseros e lúgubres casebres; um primeiro-ministro que apenas vê o seu próprio umbigo e a sua própria sombra, e apenas ouve o seu próprio eco, num autismo de partir o coração, só pode gerar este país de deprimidos que hoje somos em imparável crescendo; este país de desgraçados, de alucinados pelo futebol de milhões e pela selecção do dito, pelas míticas imagens de nossas senhoras disto e daquilo; este país de dementes, ocupantes do manicómio e da selva nacionais em que ele, hoje se transformou. A presidir a tudo, como um eunuco e um infantil, mas já com tudo de senil, e sempre a sorrir aquele sorriso amarelo de um qualquer boneco articulado e programado para essa função, está outro dirigente politicamente incompetente, do qual dizem por aí que é perito em economia, mas já não dizem que só o é da economia que fez nascer e engordar as grandes empresas multinacionais do Dinheiro, já que é o mais destacado analfabeto do país em Economia, a de Jesus, a única que salvará / humanizará / fraternizará o nosso Mundo, quando finalmente começar a ser estudada e, sobretudo, praticada. Não! Não digam que a maioria da população portuguesa é que o escolheu para ocupar esse lugar, o primeiro da pirâmide do Poder, e que escolheu o primeiro-ministro ainda em funções. É mentira. Digam, antes, que a maioria da população portuguesa, propositadamente mantida cega e despolitizada, intoxicada a toda a hora por novelas rascas, infantilizada por craques de futebol, o dos milhões, humilhada por milhentas imagens de nossas senhoras de todo o tipo, cada qual a de pior mau gosto e a mais cretina, alienada/aterrorizada por catequeses de pastores de Igrejas sem Igreja e de párocos sem Espírito de DeusVivo, o de Jesus, e por grandes media a trabalhar dia e noite para a embrutecer e descriar, é uma população, tão criminosa e cientificamente formatada, que, na hora de votar em eleições, acaba sempre a votar contra si própria e a favor do Império do Dinheiro que a domina por completo e de modo cruel. Ou vemos as coisas assim e somos justos no nosso olhar para com as populações vítimas, já no último grau de desumanização, e podemos paulatinamente tornar-nos seus companheiros orgânicos, até as transformarmos e a nós com elas em Povo, ou acabamos, ainda por cima, a fazer o jogo do Poder, do Império do Dinheiro, dementes quanto ele, cruéis quanto ele, assassinos, pelo menos por omissão, quanto ele. Está visto - o debate parlamentar de ontem foi o grande apocalipse ou revelação que faltava - que não é do Poder, da direita ou da esquerda, ou do centro, que vem a solução/salvação do país, da Europa e do Mundo. O Poder, no governo ou na oposição, é todo ele e sempre cruel, assassino. Sempre nos devora, porque começa por devorar aquelas minorias mais escolarizadas que o servem e lhe dão corpo nos seus corpos, a troco de privilégios. Sempre prostitui aqueles que se lhe rendem, o reconhecem, adoram, servem. Só fora do Poder haveremos de encontrar saída libertadora e digna dos seres humanos que somos, nunca no âmbito do Poder, na esfera do Poder. O Poder é sempre aquele bíblico Egipto dos faraós, a Casa de Opressão, de onde há que fugir, se quisermos começar a ver uma luz ao fundo do túnel. De contrário, a luz que vemos não passa de Treva ilustrada, de miragem que nos deixa cada vez mais frustrados, desencantados, cegos, tristes, deprimidos, humilhados. O que ontem nos foi dado ver e ouvir no Parlamento português diz bem que estes deputados, os da maioria absoluta e os da minoria absoluta, não servem. Nem serve este Parlamento, tal como está concebido para funcionar como funciona. Tudo o que trouxer as marcas do Poder é perverso, é veneno que mata, depois de primeiro ter alienado, cegado, castrado, humilhado, reduzido a coisa, a fera, a lobo faminto, aqueles que o deixam entrar nas suas vidas. Não é só o País que hoje é um barco a pique. É a Europa dos 27 e a outra que ainda está de fora desta, ainda que ocupe o mesmo território. É todo o Mundo, hoje sob o jugo, o domínio, a pata do Poder, do Império Global do Dinheiro que está a pique. O que a sessão parlamentar de ontem revelou foi que o Poder enlouquece e animaliza/bestializa os humanos que o servem, a começar pelos mais escolarizados. Ou nos atrevemos a sair deste labirinto do Poder que nos enlouquece e nos faz lobos devoradores e assassinos uns dos outros, nem que seja só simbolicamente como ontem aconteceu no Parlamento - dias virão em que passaremos do simbólico para o real e mataremos mesmo os que, na nossa demência, temos por nossos opositores e inimigos - e passamos ao Deserto a caminho de um Mundo outro, eterna Terra Prometida que só se constrói paulatinamente por quem já passou ao Deserto ou já nasceu em Deserto e resiste, vida fora, como Jesus, o de Nazaré, resistiu, ao pleno das Tentações e do Tentador, que são os ídolos do Poder, do Dinheiro e da Religião, ou acabaremos todos sem futuro. Cada geração que chega a este Mundo tem necessariamente de nascer de novo, do Alto, sair da casa de opressão e passar ao Deserto, rumo à Terra Prometida a edificar. Ou o faz por opção e em paz - seria o ideal - ou acabará por fazê-lo à força, no meio da maior e mais dolorosa violência. Saibam que o Poder nunca tem razão. Nem o Dinheiro. Nem a Religião. São três ídolos, qual deles o mais perverso, o mais demente. São o pleno da Tentação, do Tentador, que nos seduz do nascer ao morrer. Compete-nos resistir a todos três ao mesmo tempo. Com inteligência, a sapiente, que havemos de "puxar" sem descanso, para que se desenvolva ao máximo em todas, todos nós. Até agora, temos "puxado" (quase) só pelo que há em nós de inteligência demente. E o resultado do seu desenvolvimento é o que se vê. Nascer de novo, do Alto, do Espírito de DeusVivo, o de Jesus, é preciso. Não se assustem. Porque Ele já está em nós, mesmo nos ateus, mais íntimo a nós do que nos próprios. Basta irmos por Ele. Veremos que não vamos desaguar no Poder, no Dinheiro, na Religião, os três ídolos da nossa desgraça, desde o princípio da Humanidade. Vamos, sim, desaguar na Política, nessa arte de cuidar da Terra e da Vida em abundância e de qualidade. Só a Política Praticada - o outro Nome de DeusVivo, o de Jesus - nos faz humanos, autónomos, livres, de maioridade, universalmente sororais/fraternos. Fora da Política, só há Idolatria, desumanização, alienação, descriação humana. O desafio é ciclópico. Mas por nós, pelos que virão depois de nós, pela Terra, pelo Universo, aceitemo-lo com humildade e alegria. Mudemos radicalmente. Mudemos dos Ídolos, fora de nós, para DeusVivo que nos habita e nos leva ao colo. E que apenas espera que O deixemos ser DeusVivo em nós, tão criadores de humanidade quanto Ele, tão praticantes políticos quanto Ele, tão livres quanto ele, numa palavra, tão Jesus, o de Nazaré, quanto ele. É hora!
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para
COMENTÁRIOS:
2008 MAIO 29
O meu amigo e contemporâneo do Seminário da Igreja do Porto, Januário Torgal Ferreira, actual bispo das Forças Armadas e de Segurança, foi, para meu espanto, de "peregrinação" a Lourdes, prestar culto público à imagem da senhora da conceição, uma das mais recentes e novas imagens da mítica Deusa Virgem e Mãe do Paganismo, cujos cultos politeístas atravessam toda a Igreja católica, na sua versão Cristandade Ocidental, a qual, não só por isso, mas muito por isso, pouco mais tem sido que o prolongamento, através dos séculos, do Imperialismo romano. Com ele, foram também mais umas setecentas pessoas do mesmo tipo de Cristandade Ocidental ou Catolicismo romano, nos antípodas, como é bem de ver, da Catolicidade Jesuânica ou de Jesus, o de Nazaré. A Catolicidade ou Universalidade de Jesus - a do Reino/Reinado de Deus, que ele anunciou, viveu e cuja Causa serviu intensamente e continua a servir, para lá da própria morte crucificada com que historicamente acabou - é a da plena Liberdade e a da plena Autonomia/Maioridade de pessoas e de povos, não a da Alienação e da Submissão/Menoridade de indivíduos e populações, a quem nunca é permitido chegarem a ser pessoas e povos. Já não bastava termos aqui no nosso país a imagem da mítica Deusa senhora de Fátima. O Bispo Januário Torgal Ferreira ainda patrocina e até preside pessoalmente a viagens de oito dias a Lourdes, onde a imagem da senhora ou deusa da conceição tem culto público, com pompa e circunstância. Imagens dessa mítica Deusa de Lourdes, há-as também por aqui, em menor quantidade que as da Deusa de Fátima, mas ainda assim bastante espalhadas um pouco por todo o lado, em casas particulares, nas bermas das estradas e, sobretudo, nos santuários e templos católicos portugueses, que isto de imagens de deuses e deusas, é melhor estar de bem com todas e a todas prestar culto. Mas, para os indivíduos e as populações crédulos portugueses, nada que se compare como ir fazer esse culto público à imagem da Deusa ou senhora da conceição, a Lourdes, o local onde a Mentira da sua aparição começou e de onde partiu para o resto do Mundo, nomeadamente, aqueles países onde houver presença e influência da Cristandade Ocidental, com tudo o que ela tem de perverso, e muito é, como reza a História passada e presente. Daí, a razão de ser desta "peregrinação", organizada uma vez por ano, e na qual o Bispo Januário se integra, uma vez que ela é especialmente programada e organizada para pessoas ligadas às Forças Armadas e de Segurança dos países da Europa, onde haja capelanias militares católicas. Porque as capelanias militares protestantes, se as houver, não alinham, felizmente, nesta Mentira, neste gato por lebre que tem dado e continua a dar muito dinheiro e ouro a ganhar aos gestores/administradores dos respectivos santuários e também muita desgraça e tristeza às populações que para lá correm, como eternos condenados pagadores de promessas. Desta viagem de oito dias do Bispo Januário, a Agência Ecclesia, propriedade da Igreja católica, regista apenas uma pequena afirmação, em forma de vago desejo, deveras curiosa, mas pela tremenda contradição de que enferma. Diz assim o Bispo para a posteridade: A intervenção militar "deve evitar qualquer extremismo de violência". Imaginem! Uma viagem de oito dias, para dar à luz este vago apelo-desejo, para mais, manifestamente contraditório. É como se a Lucidez se eclipsasse das pessoas, quando elas deixam de o ser, para passarem a ser Poder. E não é que ela se eclipsa mesmo? Lucidez e Poder são sempre incompatíveis. Não sabiam? Onde houver Poder, não há Lucidez. O Poder é Treva/Demência e gerador de Treva/Demência. Por mais que alguém que aceita dar-lhe corpo avance por ele com a ingénua intenção de o transformar, sempre acaba transformado pelo Poder e a pensar como ele, por isso, demente como ele. Vista de bispo, ou de primeiro-ministro, ou de presidente da república, ou de outro Executivo qualquer. Ousemos ser lúcidos, nem que seja por uns breves momentos e pensemos: Pode haver intervenção militar que não seja, ela própria, manifestação de extremismo de violência? Conhecem alguma, ao longo da História? Eu não conheço. A própria existência das Forças Armadas e de Segurança não é, só por si, manifestação de extremismo de violência? Eu sei que pode ocasionalmente, aqui e ali, não chegar a vias de facto, mas apenas e só porque os indivíduos e as populações onde elas estão presentes e activas, nos quartéis ou nas ruas, já interiorizaram que elas existem e, se forem provocadas, será logo o que se sabe. E então procuram comportar-se como costumam fazer todos os súbditos de um país militarmente ocupado. De resto, alguma vez viram Forças Armadas desarmadas? O próprio nome, Forças Armadas, não diz tudo? Não se refere a uma organização não-cívica, com capacidade militar armada para subjugar, roubar, matar, destruir, arrasar cidades rebeldes, insubmissas, lá onde for preciso e os respectivos comandos decidirem e ordenarem que assim se faça? A invasão militar armada do Iraque, por exemplo, cuja Guerra, cruel e assassina, continua, embora já tenha deixado ser notícia - só é notícia hoje a constante subida do preço do petróleo, uma das consequências dessa invasão e dessa guerra, mas que ninguém se atreve a dizê-lo, todos preferem falar vagamente em "crise mundial", como se esta fosse um efeito sem causa - não é isso que diz e mostra, sobeja e obscenamente? A Guerra Colonial - é outro exemplo - que o nosso país desenvolveu, durante treze longos e penosos anos em três frentes de África, inclusive, com a bênção de capelães militares católicos, já então organizados como Serviço para-militar autónomo, com um Bispo-general a presidir e a comandar, nomeado para o efeito pela Cúria Romana, não foi também isso que fez e mostrou, sobeja e obscenamente? Mas alguma vez houve, pode haver, Forças Armadas que existam para promover a Liberdade e a Autonomia/Maioridade das pessoas e dos povos? Mesmo aquelas que se autodizem de libertação, se se apresentam armadas entre populações desarmadas, não é medo que inspiram nestas mesmas populações, ainda que possam ser momentaneamente aclamadas por elas como Forças de libertação? Se saírem vencedoras, não vão, pouco depois, ser o braço armado do novo Poder que, como todo o Poder, vem para submeter, roubar, matar e destruir? Não é muita ingenuidade pensarmos que as coisas podem alguma vez ser diferentes, enquanto houver Forças Armadas? Mesmo o nosso 25 de Abril de 1974 não foi armado, ainda que com cravos vermelhos na ponta das espingardas? E não foi concretamente aquele enorme tanque militar de cano apontado ao Quartel do Carmo, pronto a disparar e a fazer ir tudo pelos ares, que obrigou o último representante do Fascismo a render-se? Sou amigo pessoal do Bispo Januário Torgal Ferreira, embora nunca tenha entendido como é que ele, o melhor aluno do seu Curso, no Seminário, já então famoso pela sua aguda inteligência e vastíssima cultura, aceitou, primeiro, ser Bispo da Cristandade Ocidental ou Catolicismo Romano e por nomeação da sua Cúria, estruturalmente perversa, depois, para cúmulo, ser Bispo titular das Forças Armadas e de Segurança do país. Pelo que conheço dele, e muito é, acho que ele nunca se sentiu a jeito neste papel que, para seu mal, aceitou representar. Porque não é como um actor que só é aquele papel quando está em cena. O papel que ele aceitou representar é permanente, é, desde então, o seu próprio ser. E isso é que me custa entender. Porque nunca mais ele pôde ser o que era antes. Tenho dado conta de que ele, ao contrário da esmagadora maioria dos bispos portugueses, ainda tem uma certa dimensão de saudável incómodo, inclusive, interior da Conferência Episcopal Portuguesa. Mas a verdade é a integra e isso retira-lhe por completo aquela plena e saudável rebeldia que a Liberdade e a Autonomia/Maioridade sempre dão às pessoas e aos povos onde ambas habitarem e forem carne da sua carne e osso dos seus ossos. É, por isso, manifestamente, um Homem caçado, prisioneiro, engaiolado, sacrificado, imolado, amargurado, triste, condenado a diminuir, para que o Poder cresça e se afirme e nos esmague, também a ele. Esta sua ida em "peregrinação" a Lourdes, como presidente de uma comitiva de cerca de setecentas pessoas ligadas às Forças Armadas e de Segurança, das quais e para as quais ele é o Bispo nomeado pela Cúria Romana, é disso uma prova mais, eloquente prova. É como se, de repente, o Bispo Januário mudasse de cabeça e desistisse da Lucidez que tanto o caracteriza, desde o tempo do Seminário, nomeadamente, nos anos de Filosofia e de Teologia. Se nem ele, uma vez ordenado Bispo da Igreja católica, na sua versão histórica de Cristandade Ocidental, foi capaz de manter a Lucidez e crescer nela, nem a plena Liberdade e a plena Autonomia/Maioridade, então de que lhe valeu ser ordenado Bispo? Por mim, só posso concluir - e é com toda a ternura fraterna que escrevo estas palavras - que quem, afinal, o ordenou/sagrou Bispo da Igreja católica não foi o Espírito de DeusVivo, o de Jesus, mas o Espírito do DeusPoder, o Demoníaco/Demente, que faz súbditos, dementes, vassalos, Executivos, porventura, de luxo, ao seu pleno e incondicional serviço. Ao ponto de, em funções oficiais, produzirem vagos apelos, contraditórios nos termos, como este que o Bispo Januário acaba de produzir, que só servem para reforçar ainda mais o Poder que lhes paga, sem qualquer capacidade e audácia para o desmascararem e a todos os seus nefandos crimes, muito menos, o decapitarem, simbolicamente que seja, como Jesus decapitou simbolicamente o Deus-Ídolo do Templo. Uma lucidez/ousadia que lhe custou a vida, é verdade, mas o constituiu para sempre como o Caminho, a Verdade e a Vida para os indivíduos que queiram ser pessoas e para as populações que queiram ser Povos.
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para
COMENTÁRIOS:
2008 MAIO 28
Mário Soares fez publicar, na edição de ontem do DN, um artigo, no qual se mostra hipocritamente preocupado com a crescente degradação social (e moral, não?) do nosso país, onde hoje é cada vez maior e mais visível o número de famílias a ter de recorrer ao Banco Alimentar contra a Fome, entenda-se, à caridadezinha nacional. Em consequência, toda a outra comunicação social passou o resto do dia a intoxicar-nos com esse tipo de discurso do antigo primeiro-ministro e antigo presidente da República, por sinal, um discurso sem humanidade, sem dimensão ética, sem verdade política. Só porque o nosso homem se diz chocado com a realidade social deprimente que é hoje a do nosso país - lágrimas de crocodilo, senhoras, senhores, não vêem?! - toda a comunicação social se fez eco das suas palavras escritas, como se elas fossem palavras proféticas de denúncia e portadoras de salvação. Também as li na íntegra, logo de manhãzinha bem cedo, e devo dizer que fiquei chocado mas é com a postura beata, ainda que laica, de Mário Soares, porque já o conheço, de todos estes anos, e muitos são, que ele vive, à grande, à farta e à portuguesa, no país do Poder, dos privilégios, da ostentação, das vaidades. Não! Não são as famílias empobrecidas que preocupam Mário Soares. Os avisos que ele publicamente lança ao seu amigo Sócrates que está, desde o primeiro dia da sua governação do país, a levar-nos a todas, todos para o abismo, são avisos da velha raposa do Poder que não quer perder os muitos privilégios de que sempre tem desfrutado e que o socialismo que ele um dia meteu na gaveta para sempre e que nunca praticou, apenas sempre tem dissertado obscenamente sobre ele, lhe tem garantido. Saibam que a existência de pobres em massa não é uma fatalidade, é fabricação das minorias não-pobres, às quais Mário Soares também pertence, que nunca largaram o leme do Mundo e que sucessivamente integram os sucessivos Executivos das nações. Quando, porém, o número dos pobres cresce desmedidamente num país em concreto e no Mundo em geral, como hoje está de novo aí a acontecer, inclusive na Europa das minorias não-pobres que a governam - são tão cruéis, hoje, que até já nem caridadezinha fazem! - os dos privilégios na reforma, como Mário Soares, vêem-se logo em perigo. Porque quando a fome é muita e generalizada, e depara com as prateleiras das grandes superfícies obscenamente a abarrotar de bens essenciais e supérfluos, basta um pequeno rastilho e a Insurreição das massas pode acontecer imparável e levar tudo à sua frente. A História está cheia de exemplos destes. E só um cego, como José Sócrates, é que não vê. Os avisos de Mário Soares vão nesta linha de defesa e manutenção dos seus próprios privilégios e dos privilégios das minorias não-pobres que ele integra com muito orgulho, nenhumas entranhas de humanidade que nele nunca se desenvolveram ou depressa abortaram. Quanto ao facto de os pobres serem hoje tantos em Portugal, e com tendência acelerada a subir de número, isso pouco ou nada lhe diz, porque ele vive ostensivamente distante deles, nunca se fez homem com os demais, muito menos entre os demais e para os demais, sempre se dá ares de grande senhor, naquele seu perfil de bonacheirão, mas sem afectos, tudo faz-de-conta, tudo hipocrisia. Não há, nunca houve nem nunca haverá Poder que tenha entranhas de humanidade. Todo o Poder é cruel e assassino. Mentiroso. Ladrão. Chulo. Vive sempre à custa do trabalho-escravo dos outros, porque o Poder nunca trabalha, a não ser para roubar, matar e destruir o fruto do trabalho dos outros. Só a Política salvará o Mundo, mas o Poder não permite sequer que a Política algum dia nasça. E, se chega a nascer na clandestinidade, como aconteceu paradigmaticamente em Jesus, o de Nazaré, corre logo a matá-la, como nos revela, também paradigmaticamente, o relato teológico - por isso, desmascarador do Poder, de todo o Poder, também do religioso - proclamado pelo Evangelho de Mateus, e que nós, vinte séculos depois, continuamos ainda sem entender em toda a sua profundidade, tão manobrados e demenciados temos sido, sobretudo, pelo Poder eclesiástico e clerical. É isto que esse relato teológico nos quer revelar/fazer ver, ao apresentar o rei/Executivo Herodes (e, nele, todos os Executivos do Poder, disfarçados de muitos outros nomes, também do nome de Mário Soares e de José Sócrates, mai-los seus capangas de Governo, hipócritas todos como o seu chefe, sem palavra de honra, encobridores da realidade, pinóquios com narizes do tamanho do país, de tanto mentirem às populações) a mandar matar Jesus - a Política feita ser humano - ainda mal acabado de nascer. Nunca o Poder aceitará que a Política entre em cena no Mundo e na História. Sempre a matará, para só ele reinar. E mentiroso como é, inclusive, pai de mentira, até se disfarça de Política, faz constar que Política é ele e tudo o que ele faz. Inclusive, ensina, nas suas universidades e repete nos seus grandes e pequenos media que Política e Poder são sinónimos, são a mesma coisa. É uma crassa mentira, mas, à força de ser repetida e ensinada nas universidades, de resto, todas geridas pelo Poder que tudo controla e domina - vivemos em permanente ditadura e em permanente tirania do Poder, mas nem damos por isso, porque ele lava-nos o cérebro e convence-nos que vivemos em liberdade - acaba por ser tomada como verdade. Nascemos sob a pata do Poder, vivemos sob a pata do Poder e morremos sob a pata do Poder. O Poder é omnipresente. Ocupa-nos a mente e possui-nos o corpo como um mítico demónio, porventura, o mais perverso, o mais castrador, o mais alienador. Desapropria-nos até de nós próprios. Pode matar-nos não só o corpo, mas também e sobretudo a alma, a identidade. Devora-nos por dentro. Torna-nos propriedade sua, possui-nos por inteiro. Tanto às minorias de não-pobres, como aos milhares de milhões de pobres em todo o Mundo. Todos estamos inquinados por ele, afectados por ele, fazemos o jogo dele. De forma activa e organizada, cada vez mais cientificamente organizada, nas minorias de não-pobres que ocupam lugares de responsabilidade nas suas estruturas, em cada país do Mundo, seja nos Executivos das nações, seja nas Oposições aos Executivos das nações, seja nas Igrejas e Religiões, seja na Banca, seja nas grandes empresas multinacionais e nos grandes media. E de forma passiva, nas imensas maiorias empobrecidas que, do nascer ao morrer, têm estado eternamente condenadas a ser multidões cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor, sem o mínimo de consciência crítica, como robots telecomandados pelas minorias não-pobres, para as quais, ainda por cima, olham como benfeitores e senhores, imprescindíveis na condução dos destinos do Mundo. Mário Soares, velha raposa do Poder (não da Política, porque de Política ele é totalmente analfabeto e só deixaria de o ser, se, apesar de velho como o Nicodemos do Evangelho de João que uma noite foi ter com Jesus, aceitasse nascer de novo, do Alto, do Espírito, da Política-em-Acção que é DeusVivo, que derruba o Poder e os poderosos dos seus tronos e os próprios tronos. Mas isto ele certamente nunca fará, porque teria de renunciar a integrar as minorias dos não-pobres, teria de tornar-se homem com os demais, entre os demais e para os demais. Teria de reconhecer que todo esse Mundo do Poder e dos privilégios, que é também o dele, é esterco, podridão, corrupção, mentira, hipocrisia. Ninguém lhe perdoaria, nem mesmo os pobres que, na sua maioria, com o que sonham é passar-se para o bando dos não-pobres, e tratá-lo-iam como louco varrido. Mas a verdade é que seria assim que Mário Soares começaria finalmente a ser humano, a ter entranhas de humanidade, a ser Política-em-acção, a contribuir decisivamente para derrubar o Poder e os seus Executivos todos, a começar pelo de José Sócrates que hoje nos mata lentamente, nos descria, nos atrofia, nos descultura, nos faz lesmas, coisas que devoram novelas rascas e futebol, agora o da selecção, depois do da Liga nacional, da Taça e da Liga dos campeões, onde brilham, para nossa vergonha, em toda a sua treva dois portugueses, o jovem Ronaldo, jogador, e o maduro complatemente imaturo José Mourinho, treinador, cheios de Dinheiro, mas completamente vazios de sabedoria, de dignidade, de humanidade, nos quais a inteligência demente está hiperdesenvolvida e a inteligência sapiente totalmente atrofiada e só por isso é que eles são os bobos do Poder, os manequins do Poder, obviamente bem pagos por ele, tantos e tamanhos são os fretes que eles lhe fazem para o perpetuarem, apesar de todos os dias os números de pobres e de pobreza em massa crescerem no Mundo, na Europa e não apenas em Portugal. Não sei quando abriremos os olhos e decapitamos de vez o Poder. Enquanto ele estiver aí omnipresente, fora e dentro de nós, nunca a Política verá chegar a sua Hora. Uma coisa, porém, eu sei. Enquanto a Política não chegar, o Mundo continua a descriar-se, a desumanizar-se, a reduzir-se a lesma, a coisa. Porque só a Política nos humanizará e humanizará o Mundo. Entre a Política e o Poder, a incompatibilidade é total, como entre a Verdade e a Mentira, a Luz e a Treva, DeusVivo e o Deus-Ídolo Dinheiro. Quem será capaz de prender e de decapitar o Poder, sem, entretanto, nunca recorrer às armas dele? Eis a questão, a fulcral questão da actualidade, porque é a questão de sempre, desde que o Mundo é Mundo com o Poder ao leme. Todas as Insurreições da História falharam, porque recorreram sempre às armas do Poder e, com isso, reforçaram-no ainda mais. O caminho tem de ser outro. Jesus, o de Nazaré, percorreu-o até ao limite e para lá do limite. Tornou-se ele próprio o Caminho. Teve porém de reconhecer que é caminho de "porta estreita" e que são muito poucos os que entram por aí. A tentação é irmos sempre pelo caminho do Poder, de "porta larga". Contudo, nunca seremos tão humanos e tão nós próprias, nós próprios, como quando recusamos o Poder e nos tornamos Política-em-acção, como Jesus. Quem estiver disposto a sair das minorias dos não-pobres e a fazer-se pobre por opção entre as maiorias empobrecidas do Mundo, com elas e para elas, terá dado o passo mais decisivo para ser integralmente humano, Política-em-acção, com DeusVivo dentro de si. O que perde em privilégios, ganha em liberdade, em autonomia, em maioridade, em humanidade, em entranhas de ternura, em afectos, em alegria e em paz integral, numa palavra, em realização humana. Sei do que falo. Experimentem também e verão. O Poder, com tudo o que ele garante, passará a ser esterco. Nunca mais nos seduzirá, nos tentará, nos ganhará para ele. É por estas águas que procuro navegar. E não quero outras. Se formos muitos a ser assim Política-em-acção, em lugar de Poder-em-acção; se formos muitos a fazer assim, a viver assim, o Poder perderá terreno e até perderá a cabeça. Acabará decapitado, auto-decapitado. E tanto mais depressa, quanto nós, Política-em-acção, trabalharmos incansavelmente, duelicamente, para o desmascararmos, pusermos a nu a Mentira que ele é, o Demoníaco que ele é, o Perverso que ele é, o Assassino/Genocida/Ecocida que ele é. Muitos seremos mortos neste duelo, mas de cada assassínio que ele cometa, o Poder sairá cada vez mais desmascarado. Estou a sugerir/pedir o impossível? As novas gerações, como as mais veteranas, têm a palavra. Esta é a nossa hora. A hora da Luz, da Verdade, da Vida e vida em abundância, da Cultura, da Poesia, numa palavra, da Política-em-acção. Fica o desafio! Quanto a Mário Soares e aos seus avisos repletos de Hipocrisia, apenas acrescento mais isto: Deixem que os mortos enterrem os seus mortos. Quanto a nós, sigamos a via de "porta estreita", a via da Política-em-acção que o Poder não conhece nem reconhece, e que é a única que salvará/humanizará o Mundo e lhe garante futuro. Eis.
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para
COMENTÁRIOS:
2008 MAIO 27
Conforme já anunciei ontem, apresento hoje na íntegra e devidamente enriquecida com o debate que ocorreu no decurso do 12.º Encontro de Espiritualidade, a minha contribuição pessoal para o mesmo. Eis:
1. Nestes 20 séculos de Igreja e de Cristianismo não jesuânico, Cristianismo religioso não jesuânico, o que, infelizmente, mais temos feito em termos de Missão é tudo ao contrário do que Jesus fez, como enviado (= apóstolo, missionário) do Pai/Abbá! Espalhamos por toda a parte o culto do Deus-Ídolo Religioso e o Império. Submetemos tiranicamente os povos. Roubamo-los. Exploramo-los. Reduzimo-los cinicamente à servidão e à escravidão. Foi tudo Crime, horrendo Crime e, para mais, sem qualquer castigo. Pelo contrário, um Crime até aplaudido e tido como Civilização! É ainda isto que continua a fazer a generalidade dos missionários, católicos ou protestantes, nas chamadas Missões. Todas elas Missões sem Missão, a de Jesus. Todas elas Missões contra a Missão, a de Jesus. É também o que continuam aí a fazer as chamadas novas Igrejas evangélicas, com destaque, entre nós, para as de fala brasileira, a do Reino de Deus, por exemplo, ou portuguesa, por exemplo, a autodenominada Igreja Maná, do autodenominado Bispo Tadeu. Todas estão aí, vão/vieram para roubar, matar e destruir o que há, e que não diga com os interesses delas. Todas estão aí, vão/vieram para impor o Ocidente, o Deus do Ocidente, que é o Deus-Ídolo Religioso, a Idolatria do Ocidente, com todo o seu cortejo de crimes, de prepotência, de guerras, de ódios, de imperialismo, de moralismo, o mais crasso e o mais humilhante. Chegam, instalam-se e instalam os alicerces da nova sucursal da empresa multinacional religiosa que os enviou e, pouco depois, já estão a baptizar e a fazer novos prosélitos, a troco de nada, de ilusões, de mentiras. E também de ameaças, algumas eternas, qual delas a mais terrorista. Com isso, aumentam as estatísticas da sua Empresa multinacional religiosa. E com o aumento das estatísticas, vem também o aumento do poder, da influência da instituição/empresa multinacional religiosa que os envia. Podem chegar sem nada junto dos povos para onde vão, mas, passados anos, já têm lá um pequeno império em casas, quintas, templos ou igrejas, seminários, escolas, paços episcopais, catedrais, rádios, canais de televisão, até aviões privativos. E até se permitem dividir o território onde se instalaram em dioceses e paróquias, à frente das quais colocam hábeis gestores/administradores, com voto de pobreza e de obediência que mais e mais enriquecem a instituição. Quantos mais prosélitos eles fizerem, mais visibilidade/notoriedade terá a instituição/empresa multinacional religiosa que os enviou. E mais poder, mais influência, mais prestígio, mais contribuintes, mais dízimos, mais oferendas dos fiéis, mais dinheiro sujo para ser lavado, mais benefícios fiscais por parte dos Executivos das nações onde actuam e com os quais sempre se entendem às mil maravilhas (as excepções a esta regra geral só a confirmam!). À chegada, metem-se, para mais facilmente entrar e ser aceites, a fazer caridadezinha de todo o tipo e, com isso, mais ofertas e mais donativos recebem dos países do Ocidente, arrancados aos clientes que frequentam os cultos idolátricos das Igrejas-mãe que os enviaram como missionários "ad gentes" (entenda-se, aos que ainda não pertencem à nossa Empresa/Instituição multinacional religiosa). Não tenham dúvidas: É um negócio altamente rentável. E quase sempre isento de impostos! Ninguém, obviamente, lhes chama assim, mas a verdade é que as tradicionais Missões pouco mais são do que outro nome para dizer empresas multinacionais do Deus-Ídolo Religioso, que crescem à custa da Idolatria que promovem e praticam, em múltiplas frentes, de geração em geração..
2. Jesus, o de Nazaré, fez exactamente o contrário: fez-se itinerante (é o que quer dizer a expressão evangélica "não tinha onde reclinar a cabeça"), andava de terra em terra, de povoação em povoação, mas sempre sem bolsa nem alforge e nem sequer tinha duas túnicas! Dava de graça o que havia recebido de graça. E, quando, pouco tempo depois ter iniciado publicamente a Missão, passou a ser um Enviado/Missionário/Apóstolo marcado para morrer, até à clandestinidade teve de recorrer, para poder aguentar-se mais tempo a subverter e a conspirar, isto é, a libertar consciências, brutalmente oprimidas e a despertar autonomias, brutalmente reprimidas, o grande objectivo da Missão que lhe competia como Enviado do Pai/Abbá . Tanto assim, que aquela que é chamada a última ceia ou a sua Páscoa, teve de ser realizada na sala emprestada duma casa, e tudo na mais rigorosa das clandestinidades - nem o grupo dos Doze sabia onde seria! - porque os inimigos dele e da sua Missão eram mais do que muitos e todos muito influentes e poderosos e tinham influência e dispunham de riqueza bastante para pagar a traição até de algum dos Doze. Na vivência da Missão de Enviado do Pai/Abbá, Jesus começou pobre e pobre acabou, aliás, até mais pobre do que quando começou. Na cruz, até das suas roupas foi despojado e viu-as ser repartidas entre os seus próprios algozes. Morre, melhor, é assassinado na maior das ignomínias, não na maior das glórias, como, por exemplo, o papa João Paulo II, a Madre Teresa de Calcutá, ou Chiara Lubich, a fundadora dos Focolares.
3. Com as populações ou multidões, Jesus não trabalhou nunca para as levar a frequentar mais assiduamente ao Templo e à Sinagoga, aos cultos, à prática da Religião dos antepassados. Trabalhou afincada e incansavelmente para as tirar do Templo e da Sinagoga, locais que ele viu como de Humilhação das pessoas, onde a toda a hora e de todos os modos era difundida a ideologia dominante do Deus-Ídolo Religioso que mantinha as populações subjugadas e humilhadas, paralíticas, cegas, surdas, mudas, mais mortas que vivas, como abundantemente relata/revela qualquer dos quatro Evangelhos canónicos, mas que as catequeses das Igrejas nos têm levado interesseiramente a interpretar sistematicamente como doentes físicos, quando do que se trata é de indivíduos e de multidões totalmente subjugadas pela Ideologia do Deus-Ídolo Religioso. Como hoje dizemos em bom português, indivíduos e populações totalmente apanhadas por dentro e desde dentro! E com as quais Jesus se relacionou em proximidade e afecto, e tudo fez para as tirar de vez do Templo e da Sinagoga, porque o Deus que lá se invocava e ao qual se prestava culto era (é) Deus-Ídolo, nada mais. A religião unia (une), ligava (liga) o povo, mas na alienação, na humilhação. Sair dela e do Templo onde ela tinha lugar com toda a pompa e circunstância, era como, séculos antes, ter saído/fugido do Egipto dos faraós, classificado pelo livro do Êxodo como "casa de opressão". Era, por isso, o primeiro passo a dar por parte dos indivíduos e das populações, para cada um deles e delas, finalmente começar a ser pessoa, a ser gente, a ser povo de povos. Jesus nunca quis ter prosélitos, nem nunca fez prosélitos. Quis mulheres e homens livres. Autónomos. Inclusive, dele próprio. Ele era como a parteira junto das populações. Para que elas fossem pessoas e se assumissem na História. Como se ele não existisse. Fossem pessoas ocupadas, não com ele, nem com os cultos religiosos do Templo, mas com os outros que ainda iam na via da Mentira/Idolatria do Templo e da Sinagoga e, por isso, viviam oprimidos, infantilizados, reprimidos, tolhidos, mais mortos do que vivos. Os debates teológicos e as práticas políticas maiêuticas eram o seu forte. Quase sempre duélicas, de tão radicais e de tão libertadoras. Poucos, muito poucos se abriam a esta sua via. A esmagadora maioria preferia a segurança e o bom nome que o Religioso e o seu Deus-Ídolo, sobretudo, o Religioso dominante sempre garante numa terra, nomeadamente, numa aldeia, numa rua, num pequeno país. Seguir pela via política maiêutica que Jesus vivia e propunha era igual a desligar-se/libertar-se - o contrário do que faz o Religioso - da família, dos vizinhos, do povo, sempre que a família, os vizinhos, o povo não iam/vão por aí e prefere manter-se na tradição dos seus antepassados. Ir pela via Jesus era passar a viver em Deserto no meio dos demais. Era assumir o mesmo estatuto dos marginalizados, dos leprosos. Era ligar-se a eles e ser um deles. Era ligar-se aos pecadores e ser considerado um deles. Era ligar-se aos sem-honra e ser um deles. Era ligar-se aos Ninguém e ser um deles. Era ligar-se aos de má fama e ser um deles. Ganhava-se em liberdade/maioridade humanas, exactamente o que se perdia em alienação/religião/idolatria, em segurança, em bom nome, em apoio familiar, em apoio da vizinhança. Quase sempre quem aderia a Jesus e à sua via acabava expulso da Sinagoga e do Templo, da família, como os leprosos, e conhecia na pele o desprezo dos vizinhos. Tornava-se um maldito. O relato teológico que o Evangelho de João (capítulo 9) inspiradamente concebeu e escreveu sobre o homem que nasceu cego - todas, todos somos este homem - e que, no contacto com Jesus, ficou a ver - já poucos de nós aceitamos chegar a este patamar de desenvolvimento humano, de maioridade mental e existencial, preferimos ficar sempre iguais à maioria dos outros, dizer amen com todos, manter-nos integrados no Sistema e tirar proveito disso, arranjar bons empregos para os filhos ou filhas, manter boas relações com o senhor abade, reproduzir os discursos do papa e do bispo diocesano, mesmo que eles digam o contrário do Evangelho, agradar aos de cima, em todas as áreas, aos que mandam no burgo, enfim, sermos politicamente correctos - é paradigmático do que sucede ao Enviado/Missionário do Pai/Abbá e ao que acolheu a Boa Notícia dEle que o Enviado testemunha e vive, sempre que a Missão é feita ao mesmo jeito de Jesus. Acabam ambos expulsos. Mas o Enviado que está na origem de todo aquele levantamento que transforma os indivíduos em pessoas humanas livres e as guinda ao estado de maioridade, sem mais necessidade de tutores, de sacerdotes, de intermediários, de ritos, de Ídolos, de Lei manipulada por minorias espertalhonas, fica, desde logo marcado para morrer!
4. Já a Igreja do princípio, em Jerusalém, fez tudo, ou quase, ao contrário do que Jesus pretendia que fosse feito pelos que se tinham na conta de seus discípulos e seguidores, e que ele próprio havia paradigmaticamente feito no país, até à hora de ser executado/assassinado. Tiago, irmão carnal de Jesus, que sem sequer andou com ele, pelo contrário, sempre foi contra ele (cf. Marcos 3, 20-21; 31-35), veio logo a correr, depois que começou a ver que nem tudo tinha acabado com a morte do irmão, reivindicar os seus direitos de herdeiro e de líder do Movimento que nascia e prosseguia em nome de Jesus. E não é que conseguiu ficar mesmo como o chefe incontestado da primeira Igreja de Jerusalém? Nesse papel, foi logo meter-se no Templo, esse mesmo que Jesus destruíra simbolicamente e que havia classificado para sempre como "covil de ladrões". E, com Tiago, também estavam Pedro e João, o mesmo é dizer, todos os do grupo dos Doze! Valeu-nos, nesta ocasião, e para o futuro da preservação da Fé/via política maiêutica de Jesus e da Boa Notícia de DeusVivo que ele é e nos deu a conhecer, a pequenina Comunidade jesuânica que reunia também em Jerusalém, mas clandestinamente, na casa de uma tal Maria, não a de Jesus, então ainda associada à Igreja liderada por Tiago - só mais tarde é que ela dará a sua integral adesão a Jesus e integrará as comunidades jesuânicas que estão na origem do Evangelho de João - mas a de João Marcos. Foi nesta comunidade que nasceu o Evangelho que leva o nome de Marcos, o mais antigo dos quatro Evangelhos canónicos e o que melhor nos diz quem é Jesus e que tipo de práticas maiêuticas ele realizou, todas marcadamente políticas, não religiosas. E foi também esta pequenina Comunidade, não reconhecida e até perseguida pela Igreja liderada por Tiago, que acabou por Evangelizar plenamente Pedro, libertá-lo definitivamente da prisão que era a Ideologia/Religião do Judaísmo, o Deus-Ídolo Religioso e a Igreja não jesuânica, liderada por Tiago (cf. Actos, primeiros capítulos).
5. O próprio Paulo, que é habitualmente olhado como o grande apóstolo da Missão junto dos não-Judeus, ou Gentios, levou anos e anos a difundir o Judaísmo na sua versão farisaica, de que era um dos líderes mais carismáticos e zelosos/fanáticos. As três viagens apostólicas que realizou e que Lucas relata com bastantes pormenores no Livro do Actos, ainda são todas feitas por este Paulo mais fariseu do que seguidor de Jesus e da via política maiêutica de Jesus, o de Nazaré, que ele nunca terá conhecido, apesar de contemporâneo dele. Era ainda o Paulo mais do Templo de Jerusalém e da Sinagoga do que da via política maiêutica de Jesus, a quem o Templo e a Sinagoga expulsaram e mataram, em conluio com o Império de Roma. Lucas, nos Actos, não esconde esta dolorosa realidade. Nós é que ainda a não soubemos ler, detectar, condicionados que estamos, quando lemos esse Livro, por séculos e séculos de Cristandade e de catequeses manipuladas sempre a dizer-nos o contrário. Só mesmo no final da terceira viagem apostólica, é que Paulo finalmente se fez todo de Jesus e da sua via política maiêutica, não religiosa. Nessa altura, tornou-se tão perigoso, subversivo e conspirativo quanto Jesus e por isso o Império romano não lhe perdoou tão radical conversão, com tudo de Novo Começo, de Novo Nascimento, não da Lei, do Religioso, mas do Espírito de DeusVivo. E logo o matou à espada. De nada lhe valeu, nessa altura, ser cidadão romano! Porém, nessa altura, já nem o próprio Paulo se importou com isso. Quando experimentou toda a originalidade, toda a Boa Notícia do DeusVIvo, o de Jesus, toda a força libertadora da via política de Jesus, deixou de vez o Deus-Ídolo Religioso, do Templo e da Lei e passou até a considerar tudo isso como esterco. Até o Templo de Jerusalém. Até a Lei de Moisés. Pois bem, é já muito deste Paulo que escreveu a Carta aos Gálatas, o mais espantoso monumento à Liberdade e à Maioridade humanas, objectivo último da Missão, tal como Jesus a protagonizou e quer que a prossigamos até aos confins do Mundo. Não para fazer prosélitos. Mas para, como parteiras, ajudarmos a dar à luz seres humanos livres e em estado de maioridade, autónomos, sujeitos, senhores dos próprios destinos.
6. Valeu-nos, entre os homens, Marcos, e, entre as mulheres, Maria Madalena. Sem ele e sem ela, provavelmente, ainda hoje seríamos seguidores da Lei de Moisés, da Religião Judaica reciclada e cristianizada. Que é o que ainda hoje é a nossa Igreja católica romana: um misto de Judaísmo reciclado/cristianizado (o Antigo Testamento, no seu pior) e de Paganismo religioso do Império romano, com os seus múltiplos cultos politeístas idolátricos, com destaque para o culto da Deusa Virgem e Mãe, chamada sempre de Nossa Senhora (= Nossa Deusa), na multiplicidade das suas imagens, qual delas a mais inestética e dos seus múltiplos títulos, tantos quantos as habituais situações de aflição e de debilidade das populações cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor, aos quais, no século XIX e no início do século XX, foram acrescentados, na Europa, mais dois, com as respectivas imagens, o de Nossa Senhora da Conceição e o de Nossa Senhora de Fátima, o primeiro, registado em França contra a Ilustração e a Modernidade, o segundo, registado em Portugal contra a República e o novo regime saído dela em 1910, e que se atrevera a separar a Igreja católica romana do Estado e a despojá-la das suas riquezas acumuladas e concentradas! Saibam que a Igreja católica romana, na pessoa dos seus Bispos e dos seus Párocos católicos, mente com quantos dentes tem na boca - direi isto nem que seja ao próprio Papa - quando diz que todas as imagens de Nossa Senhora e todos estes títulos que as populações não evangelizadas lhe atribuem são de Maria, a de Jesus. São exclusivamente da Deusa Virgem e Mãe dos cultos do Politeísmo religioso do Paganismo, muitos deles, anteriores vários séculos ao próprio nascimento de Maria. De resto, uma tal catequese, para lá de descarada mentira, constitui também um insulto a Maria, a de Jesus, essa mesma que o Evangelho de Lucas nos apresenta a cantar o DeusVivo que derruba os Ídolos (= poderosos) dos seus tronos/altares e levanta até à liberdade e à maioridade os Humilhados por eles.
7. A Missão, hoje. Só vale, se prosseguir a Missão de Jesus, o dos Evangelhos canónicos, com destaque para o de Marcos e o de João. O de Marcos, porque o mais antigo e o mais próximo do vivido e dito por Jesus, onde tropeçamos a cada parágrafo com as maiêuticas práticas políticas, económicas e de afectos partilhados de Jesus, que também havemos de fazer nossas, animados pelo mesmo Espírito de DeusVivo que o animou a ele. O de João, com os seus debates teológicos, quase sempre duélicos, feitos a partir de práticas maiêuticas, radicalmente libertadoras e até provocados por elas, que sempre levam os indivíduos e as populações a deixarem de vez o Deus-Ídolo Religioso, a Idolatria, e a tornar-se pessoas humanas e povos livres e em estado de maioridade, com DeusVivo, que é Espírito, dentro delas e deles e mais íntimo a elas e a eles do que elas próprias, eles próprios, inteiramente responsáveis pela História, como se Deus não existisse. E, de facto, pelo menos, no tocante ao Deus-Ídolo Religioso, efectivamente não existe, é apenas fruto dos nossos medos e das nossas inseguranças, aflições e fragilidades! Os outros dois Evangelhos, o de Mateus e o de Lucas, embora reproduzam muito do de Marcos, também já "corrigem" ou adocicam o que ele tem de mais radical e de humanamente mais chocante. Representam, por isso, o início da traição feita a Jesus, o de Nazaré e à sua via política maiêutica, não religiosa, e que a Igreja católica, com Constantino, concretizou e, depois da queda do Império romano, levou ao extremo. O desvio, no início, pareceu insignificante, mas depois de todos estes séculos de Cristandade, vemos quanto ele tem de monstruoso. Acabou por transformar Jesus num mítico Cristo e num deus mais, entre os muitos míticos deuses dos cultos do Paganismo religioso e, depois, no único Deus-Ídolo Religioso, quando todos os outros foram oficialmente proibidos e banidos. E fez mais: Ao ver que não conseguia acabar/banir da vida das populações os ancestrais cultos em honra da mítica Deusa Virgem e Mãe, nos seus múltiplos títulos e nas suas múltiplas imagens, proclamou que todas essas imagens e todos esses títulos se referiam exclusivamente a Maria, mãe de Jesus, e com isso, fez dela não mais a Mulher que acabou por dar a sua plena adesão a Jesus e à sua via política maiêutica, nas comunidades que escreveram o Evangelho de João, mas a mítica "Mãe de Deus" do Paganismo, na qual estão contidas todas as míticas deusas, e que até manda em Deus, não obviamente, o DeusVivo, o de Jesus, mas o Deus-Ídolo Religioso, como mãe dele que é! Puro Paganismo. Pura Idolatria. A terminar, digo: uma Revolução Teológica é preciso. Jesus, o de Nazaré, fê-la, iniciou-a, viveu-a. Por isso mesmo foi assassinado e com um género de morte, a mais ignominiosa. Hoje, não há Missão a valer, se não for para prosseguir a Revolução Teológica que Jesus fez, iniciou e protagonizou. O terceiro milénio espera por ela como de pão para a boca. E será ela que fará a Humanidade sair da Idolatria, hoje, também e sobretudo, do Deus-Ídolo Dinheiro, para chegar à liberdade e à maioridade, coisa que nunca acontecerá, enquanto a Idolatria se mantiver, porque a Idolatria sempre oprime, humilha, infantiliza os seres humanos. Com ela, só o Deus-Ídolo cresce e os seres humanos diminuem, até se tornarem lesmas, coisas, capacho dos Ídolos, dos Poderosos, dos sacerdotes, dos pastores e dos outros Executivos das nações e das grandes empresas. Ou, até de um simples caciquezito qualquer, lá da aldeia onde as populações vivem condenadas a ter de diminuir, proibidas que estão pela Idolatria de crescer em sabedoria e em graça, em liberdade e em maioridade! É hora!
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para
COMENTÁRIOS:
2008 MAIO 26
Conforme estava anunciado, realizou-se ontem, 25 de Maio 2008, o 12.º Encontro de Espiritualidade em S. Pedro da Cova. Temática em debate, a Missão. Doenças, outros compromissos, os sucessivos e obscenos aumentos dos combustíveis que oneram mais e mais as deslocações, sobretudo, dos que são de longe e, provavelmente, também a exigência que o tipo de Espiritualidade jesuânica que andamos a procurar descobrir e fazer nossa, ao longo destes encontros, contribuíram para um decréscimo do número de presenças, em relação aos onze encontros anteriores. O facto, porém, contribuiu para tornar o Encontro ainda mais intenso, alegre, sororal/farterno, centrado no essencial, participativo. Um dia inesquecível na nossa caminhada, inclusive para aquelas, aqueles que estiveram presentes pela primeira vez. Uma experiência do Espírito de Jesus, o de DeusVivo, que nos trabalha e faz de nós cada vez mais mulheres e homens ao seu jeito, por isso, ao jeito de Jesus. Partilho aqui, na íntegra, a minha intervenção proferida na abertura do Encontro, tal como a escutei/escrevi de véspera, na fecunda solidão de um monte, nas proximidades da aldeia onde vivo, agora melhorada e acrescida de alguns pormenores, depois de tudo o que também me foi dado viver/escutar no decorrer do Encontro. Não é uma intervenção sobre a temática em debate - a Missão - mas procura fazer o enquadramento da temática que esteve em debate no Encontro e que contou com a participação de todas, todos. A intervenção sobre a temática em debate, partilhada por mim no Encontro, já da parte da tarde, depois de todas as outras intervenções de cada um dos participantes, elas e eles, será também partilhada por mim, na íntegra, mas só amanhã, neste meu Diário Aberto. O Encontro teve ainda, como os anteriores, o Almoço Partilhado com o que cada qual levou consigo para a Mesa Comum e que é a nossa Eucaristia-sem-ritos-e-sem-rezas-sempre-pagãs, durante a qual Jesus Ressuscitado está ainda mais intensamente connosco. Teve também um tempo mais breve para comentarmos as intervenções pessoais anteriormente escutadas e culminou com o Canto MISSÃO, divulgado na última edição do Jornal Fraternizar, mais a partilha de informações relacionadas com vivências nossas, nomeadamente, de intervenções/acções nossas, assumidas como outras tantas formas concretas de Missão. Eis, pois, as palavras com que abri o Encontro de ontem:
Ao chegarmos ao 12.º Encontro de Espiritualidade, a de Jesus, não qualquer outra, das muitas que hoje por aí se apresentam no grande Mercado das Religiões e das Filosofias/Teodiceias mais ou menos pretensamente ilustradas, estamos, temos obrigação de estar, já bem conscientes de que não é o Ateísmo hoje generalizado que nos deve afligir. Deve afligir-nos mais a persistência do facto/factor Religioso, hoje de novo aí emergente em múltiplas manifestações, as mais exóticas e esotéricas. Porque o facto/factor Religioso religa (Religião vem do verbo latino Religare que dá o nosso religar) os indivíduos e as populações - mais indivíduos e populações do que pessoas e povos, que ainda não chegamos a ser de verdade - em torno de Deus, só que este Deus, o do Religioso, é sempre um Deus-Ídolo, inventado/projectado pelos nossos medos, pelas nossas crises individuais e colectivas, pelas nossas frustrações, pelas nossas debilidades, pelas nossas inseguranças, numa palavra, pelo que ainda há de Demente em nós, de Demoníaco em nós, de Perverso em nós. É deste Deus-Ídolo que o facto/factor Religioso reconhece e idolatra, que hoje vivem todas as Igrejas convertidas em outras tantas religiões, todas as Religiões e todas as Filosofias com as suas Teodiceias mais ou menos pretensamente ilustradas, todas e cada qual com os seus exércitos de milhões e milhões de funcionários organizados em hierarquias e em pirâmide, todos mais ou menos chulos religiosos das multidões, as quais, enquanto o facto/factor Religioso se mantiver, sempre foram/ são/serão, no sentir/ver/dizer de Jesus, multidões cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor. Porque, apesar de sempre serem tantos esses funcionários/pastores/sacerdotes/filósofos do Religioso (no tempo de Jesus e só no Templo de Jerusalém, eram 18 mil os sacerdotes!), todos são mais ou menos chulos que vivem à custa das multidões, mercenários que, para cúmulo, trabalham, alguns com invulgar generosidade e dedicação, mas para alimentarem mais e mais nas populações os medos que as faz demencialmente correr para os seus cultos e para os seus inúmeros santuários, quase sempre em condições de total indignidade e de humilhação públicas. Destes pastores-mercenários-sacerdotes-executivos-mestres, diz Jesus, o do Evangelho de João, esta coisa espantosa, escandalosa e tremendamente chocante: todos, sem excepção, existem aí para roubar, matar e destruir as populações. E não pensem que Jesus está louco, quando faz esta denúncia-revelação acerca de todos os chefes/sacerdotes/funcionários/mestres do Religioso e de todos os outros Executivos que em todas as épocas e lugares, dominam as nações. Quando faz esta denúncia-revelação, Jesus está no uso pleno da sua máxima lucidez humana. O Espírito de DeusVivo que o habita e conduz ( = a Espiritualidade que ele ininterruptamente vive) é que o faz falar assim como fala, porque também o faz ver a Realidade histórica, social e humana, para lá de todas as aparências, de todas as ideologias, de todos os discursos, tudo de tal modo urdido de Mentira, desde o princípio da Humanidade, que enganam até os próprios que, sucessivamente têm dado, dão e continuarão infelizmente a dar corpo a essas funções e levam, muitos deles, porventura a maior parte deles, a actuar na convicção de que estão a servir/agradar a Deus. E efectivamente estão. Só que esse Deus ao qual servem e ao qual agradam é Deus-Ídolo Religioso, porventura, o mais perigoso, o mais mentiroso, o mais assassino, porque se veste de sagrado e actua em espaços que são tidos por sagrados. Além disso, são tantos e tão poderosos esses exércitos de pastores-mercenários-sacerdotes-mestres do Religioso e todos eles apresentam-se sempre em cenários de tanta opulência e de tanto requinte, que acabam por ter em redor deles e a seus pés as multidões cansadas e abatidas que, nessas condições de debilidade, sem dúvida a mais politicamente criminosa e cruel, não dispensam nunca, ou raramente dispensam, o Religioso e o Sagrado e, por isso, recorrem demencialmente ao Deus-Ídolo Religioso, com regularidade, mas de onde sempre regressam ainda mais cansadas e mais abatidas, mais deprimidas, como galinhas e patos depenados, despojados até do último cêntimo que porventura levavam consigo, como, paradigmaticamente, adverte Jesus, no Templo de Jerusalém, ao apontar aos seus discípulos o que sucedeu àquela viúva pobre que, com grande escândalo para ele, foi entregar ao tesouro do Templo a última moedinha que tinha reservada para com ela adquirir um pouco de comida que lhe matasse a fome! Perante tal poder opressor, alienador e assassino do Deus-Ídolo Religioso, estupidamente temido/respeitado até por ateus e por todos os Executivos das nações, agnósticos e laicos que se digam, a denúncia-revelação de Jesus, em seu tempo e país, como a que eu próprio, na peugada dele, hoje também faço aqui neste Encontro, não tem, eu sei, qualquer impacto nem, porventura, qualquer credibilidade, apesar de ser - digo-o sem que a voz me trema - a palavra do Espírito de DeusVivo, o pleno da Lucidez humana na História. Saibam que todos esses exércitos de funcionários do Religioso, sacerdotes, pastores, mestres, que vivem e enriquecem, como chulos do Religioso, são efectivamente assassinos, dementes, perversos, ainda que ninguém os tome por tais, muito pelo contrário, todos os tomam até por crentes, por benfeitores, por sábios, por santos. Porém, tal como Jesus, também eu digo: Quem tiver ouvidos para ouvir que oiça e olhos para ver que veja! Volto, por isso, a insistir, hoje também: não é o Ateísmo generalizado de hoje que nos deve afligir. Mas o facto/factor Religioso e a sua persistência no seio da Sociedade e no Mundo dos humanos. Porque ele é intrinsecamente idolátrico. Liga/religa os indivíduos e as multidões em redor do Deus-Ídolo Religioso, por isso, na Alienação, numa ininterrupta gigantesca Operação, feita de muitas e sucessivas operações, que constitui a maior das alienações e humilhações dos seres humanos e que os deixa sempre na situação/condição de multidões cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor, a vida inteira, a correr para os cultos, para os templos, para os santuários, desgraçados e humilhados pagadores de promessas, ludibriados pelo canto de sereia dos pastores e dos sacerdotes que não passam de profissionais da mentira, da exploração mais descarada, hipocritamente, disfarçados de virtuosos e de santos, homens de Deus, só que do Deus-Ídolo Religioso. Foi esta Idolatria religiosa, esmagadoramente dominante em todos estes séculos de Cristandade Ocidental, que fez as chamadas descobertas e conquistas e, através delas, levou ao resto do Mundo então conhecido toda esta Demência/alienação religiosa católica e protestante, mediante a Cruz e a Espada. E com a Bíblia como suporte ideológico, justificadora de todos os seus nefandos crimes, porque lida sempre por eles, não a partir de Jesus, como sempre deverá ser, mas apenas a partir do facto/factor Religioso, já presente, de outras formas e de outros modos culturais, em todos os povos, todos ainda hoje por Evangelizar, por isso, todos caídos na Idolatria do Deus-Ídolo Religioso. Com estes três instrumentos - a cruz, a espada e a bíblia obscenamente interpretada - foram depois enviados e ainda hoje continuam a ser, sucessivas levas de missionários, sacerdotes, técnicos, mestres, executivos do Religioso, do Deus-Ídolo Religioso, todos eles devida e previamente instruídos/fomatados por verdadeiras lavagens ao cérebro, tal como sempre se faz aos soldados de um qualquer exército imperialista, nesta Mentira e todos, uns mais, outros menos, fervorosos praticantes desta Idolatria, prontos até a dar a própria vida por ela e pelo seu Deus-Ídolo Religioso, nunca pelos povos oprimidos, escravizados, explorados, assassinados por Ele, e para junto dos quais foram, são, enviados. Foi esta a primeira Globalização da História, não menos perversa que a que hoje está aí cada vez mais emergente, também ela assassina, genocida, ecocida, a do Deus-Dinheiro, mais ainda que a do Deus-Ídolo Religioso. Inclusivamente, foi essa primeira Globalizção do Deus-Ídolo Religioso que serviu de alfobre à germinação da nova Globalização emergente do Deus-Ídolo Dinheiro e que está, esta última, cada dia que passa, a tornar-se o Monstro, a Besta que nos descriará a todas, todos, a menos que consigamos sustê-la e decapitá-la a tempo, coisa deveras difícil de se conseguir, tão enfeitiçados que andamos hoje (quase) todos com ela. Porém, nunca esta outra Globalização teria acontecido sem aquela. Somos contemporâneos da emergência em força deste novo Ídolo, o Deus-Ídolo Dinheiro e sua Globalização, que tem nos Executivos das nações, da direita e da esquerda, nas universidades, mesmo católicas, nos grandes media, nos exércitos do Império e dos seus múltiplos países satélites (Portugal deveria ter vergonha, mas ainda se orgulha de ser um deles, e dos mais subservientes!), os seus mais dedicados servidores, hoje, não mais analfabetos como os antigos reis, mas todos Executivos intelectualmente desenvolvidos/formatados pela Ideologia do Deus-Ídolo Dinheiro, por isso, desenvolvidamente dementes, não desenvolvidamente sapientes. A Mentira/Idolatria está de tal modo bem urdida e apresentada de modo tão ilustrado, que nem sequer os ateus tradicionais, que o são do Religioso e do seu Deus-Ídolo, se apercebem dela. E, embora continuem aí, em número cada vez maior, convictos ateus do Deus-Ídolo do Religioso, são quase todos fanáticos adoradores do Deus-Ídolo Dinheiro, senão mesmo, os seus principais Executivos à frente das nações, os seus principais intelectuais orgânicos, os seus principais sacerdotes, os seus principais cientistas, economistas, banqueiros, administradores das grandes empresas multinacionais, os seus principais jornalistas e até os seus principais bispos residenciais e os seus principais párocos, estes últimos - bispos residenciais e párocos - na medida em que insistem em ser perseverantes praticantes do Religioso que (re)liga os indivíduos (não confundir com pessoas) e as populações (não confundir com povos nem com comunidades) à volta do Deus-Ídolo Religioso inventado pelos medos e pelas carências de toda a ordem desses mesmos indivíduos e dessas mesmas populações, sem nunca se atreverem - esses bispos e párocos - a converter-se ao DeusVivo, o de Jesus, e nem nunca se atreverem a ser seguidores e prosseguidores de Jesus, o da plena Lucidez Humana, muito menos se atreverem a prosseguir as suas mesmas Causas, as suas mesmas práticas políticas, económicas e afectivas maiêuticas, os seus mesmos combates teológicos em forma de duelo, numa palavra, a sua Missão de Evangelizar os pobres e os Povos, tão belamente sintetizada pelo Evangelho de Lucas 4, por ocasião da apresentação do seu programa político do Reino/Reinado de Deus, seu Pai/Mãe, o Abbá. Por isso, digo/advirto e não me cansarei de repetir/advertir: Hoje, o Ateísmo do Deus-Ídolo Religioso só por si não chega. Quando o único Deus-Ídolo global era o do facto/factor Religioso, católico, protestante ou outro qualquer, ser ateu já era ser suficientemente subversivo e conspirativo. Daí os ateus de então serem perseguidos e excluídos, mortos. Mas hoje, com a emergência em força do novo Deus-Ídolo, o Deus-Ídolo Dinheiro, é preciso mais, muito mais do que o Ateísmo doDeus-Ídolo Religioso. É preciso o Ateísmo do Deus-Ídolo Dinheiro. E para isso, nada melhor do que ousarmos abrir-nos à mesma Fé de Jesus e vivê-la à século XXI. Durante estes séculos de Cristandade Ocidental que foram séculos de Idolatria, a do Deus-Ídolo Religioso e que as Missões católicas e protestantes ajudaram a levar ao resto Mundo - foi a primeira Globalização da História, a do Deus-Ídolo do Religioso - até a Fé de Jesus foi sempre e propositadamente confundida com Religião, a católica, primeiro, e depois também a Religião protestante, nas suas múltiplas Igrejas, mais que muitas! E Jesus sempre foi propositadamente confundido com um mítico Cristo, depressa convertido no Deus-Idolo maior dessa Globalização do Religioso. Tudo Idolatria religiosa! Por isso é que, ao surgir a nova Globalização, a do Deus-Ídolo Dinheiro, chegou-se a escrever que havíamos chegado ao fim da História. Daqui em diante, não haveria mais nada de novo, sempre seria mais do mesmo, apenas mudariam as embalagens onde se envolvia o mesmo produto. Esta afirmação que correu mundo e acabou por ser rapidamente interiorizada pelos indivíduos e pelas populações que, assim, nunca chegam a ser pessoas nem povos, é, porém, a mais rotunda e a mais descarada Mentira que tem de ser denunciada/desmascarada. E já está a ser. Também aqui, neste nosso pequenino Encontro de Espiritualidade. Porque, em vez de irmos por ela, voltamos - e é imperioso que muitas mais pessoas e os povos o façam também - a olhar Jesus, o de Nazaré, a quem os da Religião, do Poder-Império e do Dinheiro trespassaram, depois de o terem assassinado na Cruz deles, assim como é imperioso que voltemos a olhar a sua Espiritualidade (para isso nasceram estes Encontros, lembram-se?!). À medida que o fizermos, sempre na escuta do Espírito de DeusVivo, não do Deus-Ídolo do Religioso, descobriremos progressivamente que, ao longo destes séculos de Cristandade, até a Fé de Jesus e a sua via ou caminho, feita de práticas políticas, económicas e de partilha de afectos foram sequestradas pelo Religioso, pelo Deus-Ídolo Religioso que o Religioso sempre inventa/cria/alimenta. E descobriremos igualmente que até Jesus, sob o apelido de Cristo, que ele nunca aceitou que lhe atribuíssem, acabou guindado à categoria de Deus, o maior da Religião católica e das Religiões protestantes, nascidas no século XVI e todas elas filhas bastardas da Religião católica, não filhas do Espírito de Jesus e de DeusVivo, que não gosta de nenhuma delas, muito menos, que façam dele o fundador de alguma Religião. Tudo isso é Idolatria religiosa que DeusVivo vomita, porque leva sistematicamente os indivíduos e as populações a ser-viver permanentemente cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor. Hoje, neste século XXI e no início do terceiro milénio depois do nascimento de Jesus, começamos finalmente a descobrir, mais ainda do que as primeiras comunidades que, no século primeiro, reuniam em seu nome, a Fé de Jesus (não confundir com Fé em Jesus, como sempre fizeram e continuam a fazer a Religião católica e as Religiões protestantes, com maior incidência ainda para as recém-criadas). Descobrimos também que a Fé de Jesus não é Religiosa, mas política, pois abre-nos ao DeusOutro, o do Reino, não o do Templo ou do Religioso, por isso, o DeusVivo que até nem gosta de Religião, antes a combate ferozmente como Idolatria, pois em todas as suas manifestações, qual delas a mais demente e absurda, (re)liga os indivíduos e as populações em torno de um Deus-Ídolo cruel, que até sacrifícios humanos exige. Ora, DeusVivo, o da Fé de Jesus, do que verdadeiramente gosta é de práticas políticas, económicas e afectivas maiêuticas que nos fazem crescer em ser e liberdade, em sabedoria (não em demência) e em maioridade humana (não em medo e infantilismo), porque Ele é Espírito, mais íntimo a nós do que nós próprios, e só em espírito e verdade quer ser adorado, por isso, só com práticas das do tipo que acabei de enunciar, no prosseguimento das mesmas de Jesus, o seu Filho muito amado. Estamos apenas a começar a (re)descobrir e a viver esta via política (nunca confundir com Poder, sempre demoníaco e demente) de Jesus, nos antípodas do facto/factor Religioso. Percebemos, com Jesus e a sua Fé política, não religiosa, que o que nos liga e religa, não é o DeusÍdolo Religioso, com os seus templos, altares e sacerdotes/pastores, mas são os afectos partilhados, as mesas partilhadas, os combates teológicos em forma de duelo contra o Deus-Ídolo Religioso e contra o Deus-Ídolo Dinheiro, durante os quais se pode perder até a vida, mas só depois de se ter perdido primeiro o bom nome, a honra, o respeito e até um lugar ao sol. Porque o Deus-Ídolo Religioso e o Deus-Ídolo Dinheiro, ambos hoje fortemente globalizados e unidos como um só, e servidos por exércitos de Executivos, do Papa de Roma a Bush (não esquecer a recente viagem de Bento XVI aos EUA, com os seus encontros altamente secretos!), do Oriente ao Ocidente, e por exércitos de militares sofisticadamente armados, não perdoam que os desmascarem como o Perverso Organizado, a Demência Organizada, o Assassínio Organizado, a Mentira Organizada que efectivamente são. Como, de resto, em seu tempo e país, já não perdoaram a Jesus, o de Nazaré. Como chegarmos à mesma Fé de Jesus e às mesmas práticas políticas maiêuticas de Jesus? Escolher/decidir livremente ser pobre, isto é, não-rico, e por toda a vida, é a primeira condição essencial. Sem esta opção/escolha essencial, nada feito. O relato que os três Evangelhos Sinópticos fazem do Homem Rico é eloquentemente exemplar! Sem esta opção/escolha essencial, não passaremos de palradores, papagaios, com discursos porventura muito ilustrados, mas estéreis ou mesmo perversos, uma vez que, apesar deles, as nossas vidas continuam carregadas de privilégios, de lugares de honra e de prestígio, de cátedras prestigiadas e bem remuneradas, que o Deus-Ídolo Religioso e o Deus-Ídolo Dinheiro sempre garantem a quem os serve sem condições, à direita ou à esquerda do Poder. A outra condição essencial, mas que já decorre desta primeira e só é possível depois de vivermos a primeira, é estarmos dispostos a protagonizar como Jesus, os mesmos combates teológicos que ele protagonizou, em forma de duelo, o que pressupõe enfrentamento e conflito, mas, pelo menos, do nosso lado, sempre desarmado, à maneira de cordeiros no meio de lobos, para, com eles, desmascararmos o Deus-ìdolo Religioso e o Deus-Ídolo Dinheiro e todos os seus truques, todas as suas mentiras, todas as suas perversões, todas as suas seduções. Se formos por aqui, acabaremos, como Jesus, por ter quase todo o Mundo contra nós. Até os ateus tradicionais do Deus-Ídolo Religioso. Senão de forma activa e cruenta, a outra ainda mais martirial que esta, o mais completo desprezo de quase todo o Mundo. Mas é assim que contribuiremos, na nossa fragilidade e na nossa (in)significância, para que o Mundo avance para o Humano integral que é a Maioridade Humana, a ser vivida na Sororidade/Fraternidade Universal, sem a exclusão de ninguém, inclusive, dos que assim nos (mal)tratam. Só quando aí chegarmos como Humanidade global, é que os indivíduos passam a pessoas e as populações passam a ser Povos, Filhas/Filhos muito amados de DeusVivo, o Abbá, como Jesus, o de Nazaré, que nos precedeu nesta Maioridade Humana e se constituiu no Caminho ou Via política para lá chegarmos! A Missão de que fala Jesus e para a qual nos envia, às, aos que partilhamos da sua mesma Fé política, não religiosa, é por aqui que vai. E só poderá ser protagonizada por Mulheres/Homens que pratiquem estas duas condições essenciais que acabei de enunciar, e por toda a vida. Sempre como cordeiros no meio de lobos. De cidade em cidade. De casa em casa. Até ao extremo do Mundo. Está aberto o diálogo entre nós. A palavra é, a partir de agora, de todas e cada uma, todos e cada um, cada qual na sua vez. Quem avança?
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para
COMENTÁRIOS:
2008 MAIO 23
Não comemos nem bebemos petróleo. Mas a esmagadora maioria das empresas, particularmente, as grandes multinacionais é com ele que trabalham e engordam, até se converterem em monstros que nos dominam e dominam o Mundo. Porque, depois de o refinarem, vendem-no como combustíveis - gasolina e gasóleo, sobretudo - para outras empresas menores e para os milhares de milhões de automóveis e outros transportes que elas fabricam e que, cínica e obscenamente, obrigam a circular apenas com esse tipo de energia, pois só assim elas conseguem ter o Mundo e os povos completamente, vergonhosamente à sua mercê. Fazem o que querem e sobra-lhes tempo. E, se os povos pensarem em resistir-lhes, por exemplo, fazer greve ao uso dos combustíveis, terão de aceitar regressar praticamente à histórica idade da pedra, quando o petróleo jazia adormecido no ventre da Terra, sem que ninguém tivesse ainda dado por ele, muito menos se tivesse lembrado de a ele recorrer como energia. Está bem de ver que os povos nunca irão tão longe na sua contestação e na sua luta contra as grandes empresas multinacionais que os dominam. Preferem mil vezes continuar a ser explorados por elas, a perder o estilo de vida que elas lhes proporcionaram, não como quem os serve, mas como quem os domina, explora, suga e mata. É verdade. As grandes empresas multinacionais são a mais organizada e sofistida inteligência demente do Mundo. Sabem muito bem o que fazem. São demoníacas e perversas. Assassinas e mentirosas. Está aí bem à vista de toda a gente, até pelos frutos de morte em massa e de pobreza em massa que elas produzem. Mas nunca ninguém, dos que têm voz e vez neste nosso mundo, dirá que elas são assim. Nenhuma Universidade do Mundo o dirá jamais. Nem mesmo as tradicionais universidades católicas. Nenhum economista, nenhum filósofo, nenhum cientista, por mais perspicazes, o dirão. Nem nenhum teólogo das grandes Igrejas e das Religiões. E porquê? Todos estão feitos com elas, são frutos delas. Com excepção daqueles poucos - e onde estão eles, hoje?! - que já viram que elas são a organizada inteligência demente do mundo e tiveram/têm a lucidez e a audácia de decidir alegremente ser pobres e manter-se pobres a vida inteira, sem nunca se deixarem seduzir pelo DeusDinheiro nem pelo DeusPoder, nem pelo DeusReligião e, por isso, vão resolutamente pela Rebeldia do "Não servirei", "Não Vos servirei jamais", quando eles nos dizem a todas, todos, como o mítico Tentador/Demónio do mítico Deserto disse a Jesus, o de Nazaré: "Tudo te darei, se prostrado me adorares". (O Tentador/Demónio sem mitos são hoje as grandes empresas multinacionais; e o Deserto sem mitos é, afinal, este nosso Mundo onde vivemos e a História que estamos a protagonizar ou irresponsavelmente a deixar para lá, como se fôssemos seres totalmente à mercê do Destino, do Fatal, que põe e dispõe de nós a seu bel-prazer, e como se nós não tivéssemos sido criados no decurso da Evolução para sermos progressivamente livres e sujeitos, senhores e donos até do Destino, tanto do nosso próprio, como dos destinos de uns e de outros, do destino Planeta e do próprio Universo, hoje, cada vez mais à mercê das nossas decisões). Temos sido dementes e estúpidos e, em vez de resistirmos activamente àquela Trindade de deuses, corremos infantilmente a adorá-los. Nos nossos medos infantis - quando é que largamos de vez as fraldas das religiões e dos mitos e nos assumimos como seres humanos adultos, em estado de maioridade, senhores não uns dos outros, mas senhores-uns-com-os-outros, no respeito mútuo e na paz, na sororidade/fraternidade e na reciprocidade, seres humanos com DeusVivo ininterruptamente dentro de nós, a potenciar-nos para sermos mais e mais o que estamos chamados a ser, até atingirmos a plenitude do Humano, já conseguido paradigmaticamente em Jesus, o de Nazaré? - não só não resistimos àquela perversa Trindade dos deuses, como ainda por cima teimamos em criar novos deuses, novas deusas que depois nos devoram, sequestram as nossas capacidades, retiram-nos a liberdade de decidirmos por nós, submetem-nos e fazem de nós gato-sapato, ao ponto de nunca mais nos chegarmos a encontrar a nós próprios como seres humanos e como povos, apenas como súbditos, como humilhados, como oprimidos, por isso, violentos, quezilentos, fratricidas, em lugar de fraternos, homicidas-genocidas-ecocidas, em lugar de criadores e dadores de vida e vida em abundância. Contra a organizada inteligência demente que são hoje as grandes empresas multinacionais, havemos de levantar a organizada inteligência sapiente que também anda em nós desde o princípio, mas que nós, seres humanos e povos, nos nossos medos infantis, temos quase ignorado e deixado atrofiar, à força de tanto puxarmos pela outra, a inteligência demente. Semelhante Operação, com dimensão de Nova Criação, no decurso da Evolução que continua aí imparável, num Universo ainda em expansão exige, obviamente, outros fundamentos que, por sinal, já estão todos, como em semente, em Jesus, o Ser Humano por antonomásia, a quem a organizada inteligência demente do seu tempo e do seu Mundo, matou e com o género de morte mais humilhante e cruel, apenas com o inequívoco objectivo de o erradicar definitivamente, não só da face da Terra, mas da própria Humanidade e da sua Memória histórica. A Morte Crucificada de Jesus, no contexto cultural e teológico-religioso de então - é ainda este mesmo contexto em que hoje nascemos e vivemos! - quis dizer e disse isto mesmo urbi et orbi e para sempre! Cabe-nos a nós, seres humanos e povos do século XXI e do terceiro milénio, resgatar Jesus, o de Nazaré, dessa Maldição e dessa Exclusão. Cabe-nos regressar a ele, não ao que as Igrejas cristãs, convertidas todas em outras tantas religiões, rapidamente criaram e puseram aí em toda a parte como um deus mais e o principal, no grande areópago dos deuses e das deusas. Cabe-nos regressar ao Jesus da História, a Jesus de Nazaré, o Crucificado, o Banido, o Atirado à vala comum, o oficialmente Não-Existente. E não temos que procurar muito, porque ele, no seu Espírito, tem estado, está e continuará a estar sempre entre nós e connosco, como Memória Viva e, sobretudo, como Presença-Acção, ambas intrinsecamente subversivas e conspirativas, à espera que demos por ele e lhe abramos a porta da nossa mente, do nosso afecto e do nosso viver quotidiano. Só que nós nunca daremos por ele - apenas daquele que as Igrejas inventaram como o seu principal deus entre tantos outros deuses - enquanto não largarmos de vez as fraldas das Religiões e dos mitos, porque estas e estes sempre nos levarão a permanecer no Infantil e no Medo, por isso, incapazes de dispensar os tutores, os deuses, os intermediários, os chefes, as grandes empresas multinacionais, os Executivos de toda a ordem e de toda a espécie, sem a audácia necessária para sermos nós próprios, seres humanos e povos em estado de maioridade. Porém, não basta este passo em frente no nosso desenvolvimento humano, sem dúvida, muito difícil de dar nos dias que correm. É também absolutamente indispensável um outro passo e esse é sem dúvida o mais difícil de todos e poderá levar ainda muitos milhares de anos até a ser generalizadamente compreendido, assumido e concretizado por todos os povos do Planeta. Para criarmos uma Nova Ordem Mundial que não tenha nada da presente Ordem Mundial das grandes empresas multinacionais, nem da organizada inteligência demente que elas são, é absolutamente indispensável que todos os povos e todos os seres humanos que os constituímos, decidamos, com alegria, e como inequívoco sinal de que já passamos a ser organizada inteligência sapiente, ser pobres e permanecer pobres por toda a vida. Esta decisão, fruto não duma lei ou duma imposição autoritária, de fora de nós, mas duma alegre e festiva opção pessoal e comunitária, é o pilar fundamental em que há-de assentar a Nova Criação / Nova Ordem Mundial, feita à medida dos seres humanos e dos povos, e digna dos seres humanos e dos povos. Sei que, aos olhos e ouvidos de muitos, para não dizer de todos, o simples enunciado deste pilar soa a loucura e nem sequer chega a ser intelectualmente entendido, de tão absurdo que objectivamente parece o seu simples enunciado. Mas só o Infantil que ainda somos é que nos faz pensar e reagir assim. Como também pensamos e reagimos assim, quando nos tiram o tutor, a Lei, o Poder, o Deus-Ídolo que nos domina. O Infantil que ainda somos entra de imediato em pânico, quando se lhe tira tudo isso e logo pensa/diz que então vai ser a rebaldaria completa, o caos total. Mas só porque é Infantil é que pensa/reage assim. As grandes empresas multinacionais, enquanto organizada inteligência demente - as Igrejas convertidas em religiões e as outras Religiões que não são Igrejas também se incluem nestas empresas e, por isso, também são parte activa da organizada inteligência demente - é também isso que dizem a toda a hora e instante e por todos os meios, hoje os mais tecnologicamente sofisticados e eficazes. Não olham a despesas, para que os seres humanos e os povos não saiam nunca do Infantil, não cheguem nunca à Maioridade, à Liberdade. Elas sabem que se um tal Momento histórico chegar, será o fim delas e o fim da organizada inteligência demente que elas são. Desaparecerão da face da Terra, como desapareceram os dinossauros. O que, felizmente, haverá de suceder, leve o tempo que levar. Jesus, o de Nazaré, ao ser Crucificado e Excluído, Banido e, finalmente, Substituído por um ídolo com o seu nome para melhor baralhar os seres humanos e os povos, ficou, está, na História, na fecunda condição de Não-Existente, de Não-Presente, de Não-interveniente. Mas esse é o modo mais fecundo de alguém estar na História e de a transformar a partir de dentro, desde a raiz. E outra coisa não faz o Espírito, o de Jesus, Corpo Ressuscitado, por isso, invisível aos olhos e demais sentidos, Semente Viva lançada à Terra, sem que as grandes multinacionais e a sua organizada inteligência demente saibam como ela está a crescer, imparável e a garantir futuro ao nosso presente. O processo histórico andará mais depressa, se houver quem, com a mesma Fé de Jesus, dê por ele e passe a cooperar com ele, na entrega incondicional das suas vidas a esta Causa, a única que vale a pena ser vivida e que vale bem até a perda/entrega da nossa própria vida pessoal. Mas, se não quisermos enganar-nos neste sábio propósito e não quisermos continuar a ser apenas mais do mesmo, agora reciclado, só temos uma saída: começarmos pelo pilar fundamental, que é decidirmos, por livre escolha, ser pobres e viver pobres por toda a vida. Não! Não voltaremos à idade da pedra. Pelo contrário, sairemos resolutamente dela. Porque idade da pedra, ou até pura selvajaria, é esta Ordem Mundial em que hoje nos encontramos, embora cheios de luzes por todo o lado e de sofisticada tecnologia, mas totalmente entregues à bicharada que são as grandes empresas multinacionais, a mais organizada inteligência demente alguma vez conseguida desde o Big-Bang. Podemos correr e saltar. Podemos protestar nas ruas. Erguer barricadas. Podemos pôr as grandes cidades a ferro e fogo e a saque. Podemos derrubar todas as Torres Gémeas do Mundo. Podemos decapitar todos os Executivos das nações. Mas se não decapitamos a organizada inteligência demente que são hoje as grandes empresas multinacionais, toda ela concentrada na perversa Trindade constituída pelo DeusDinheiro, pelo DeusPoder e pelo DeusReligião, de nada valerá. Saibam que a única maneira eficaz de decapitarmos a organizada inteligência demente, na sua Trindade que infantilmente, temos por sagrada e por isso intocável, é decidirmos todos - seres humanos e povos - sermos pobres por opção e permanecermos assim alegres e felizes por toda a vida. Tudo o que não for por aqui não passa de mais do mesmo, de mais inteligência demente reciclada, e só favorecerá a organizada inteligência demente que são hoje as grandes empresas multinacionais que estão aí a dominar o Mundo, os seres humanos e os povos, em todas as áreas da vida, a mais visível das quais, nestes dias de 2008, é a dos combustíveis que nós não comemos nem bebemos, mas sem os quais o Mundo que elas dominam a seu bel-prazer cairá a pique. O que até nem é uma má notícia, mas a melhor notícia. Ousemos, por isso, ser pobres por opção e permanecer pobres por toda a vida, e apressaremos a queda a pique desta inumana Ordem Mundial da perversa Trindade que as grandes empresas multinacionais, organizada inteligência demente, hoje corporizam. Iniciaremos então uma Nova Criação e, com ela, uma Nova Ordem Mundial verdadeiramente humana, organizada inteligência sapiente. Quem de nós está disposto a avançar por esta via, a de Jesus, o de Nazaré e assim garantir futuro - um futuro outro - ao nosso presente?
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para
COMENTÁRIOS:
2008 MAIO 21
Amanhã é feriado nacional por ser a festa litúrgica do Corpo de Deus, de acordo com o calendário da Igreja católica. Haverá procissões do dito nas ruas de grandes cidades, como Porto e Lisboa, e em outras zonas-paróquias do país. E haverá muitas comunhões solenes nas paróquias, mas todas sem um pingo de comunhão efectiva, apenas muita vaidade e ostentação, a mais obscena. O facto, só por si, é um escândalo. O Estado português é constitucionalmente laico, mas, como se vê, continua a comportar-se como se fosse confessional, e exclusivamente católico romano. Uma vergonha que fica muito mal, primeiro, ao Estado que, sem coragem para mexer nos privilégios da Igreja católica, prefere comportar-se como um sacristão dela, atento e reverente; depois, e sobretudo, uma vergonha para a própria Igreja católica que deveria ser a primeira a renunciar aos privilégios, mas, pelo contrário, continua a tudo fazer para os manter e, se possível, ampliar, em flagrante contradição com o Evangelho de DeusVivo e com a prática maiêutica de Jesus que, apesar de viver no contexto de uma sociedade teocrática, nunca foi por aí, até para poder manter toda a sua liberdade de profecia e de acção política e teológica maiêutica, inevitavelmente conflituosa, duélica e até martirial. A Cruz em que ele e toda a sua missão messiânica historicamente acabaram não é, não foi um equívoco. É um facto histórico substantivo, que faz parte integrante da Missão, se feita em seu nome, e sempre estará, lá onde houver Missão a sério em seu nome. A menos que os detentores da Ordem Mundial - os do Templo, do Poder e do Dinheiro - se convertam e mudem radicalmente, antes de mais, de Deus, e se tornem seres humanos simplesmente, como os demais e entre os demais, irmãos universais, uma conversão impossível aos homens e aos ídolos que eles inventam e seguem, mas possível a DeusVivo, o de Jesus. Nem a Igreja católica tem vergonha na cara, nem o Estado português e outros Estados por essa Europa e por esse Mundo fora têm vergonha na cara. O Concílio Vaticano II bem decretou o fim da Cristandade que já vem desde o século IV e constituiu um tremendo desastre para todos os povos da terra. O mesmo Concílio bem abriu portas à Secularidade e à Autonomia dos Povos e da Sociedade Civil. Mas os dois últimos papas, João Paulo II e o actual Bento XVI, qual deles o mais vaidoso, o mais conservador e o mais seguidor dos ídolos do Poder, do Dinheiro e da Religião, tudo fizeram para as fechar outra vez, numa postura que tem tudo de pecado sem perdão contra o Espírito Santo, o de Jesus. E por isso aqui estamos nós, já no século XXI e no terceiro milénio, a ver o Mundo andar para trás, num desastre que nos atinge a todos e faz da Terra um espaço cada vez mais irrespirável, inseguro, idolátrico, inumano, um inferno, em risco de perder o seu futuro, com a perversa Trindade do Deus Dinheiro, do Deus Poder e do Deus Religião a dirigir a Ordem Mundial que tem de ser derrubada, para dar lugar a outra, bem mais decente, bem mais humana, bem mais sororal/fraterna, e que Jesus, na linguagem e na cultura bíblica dominante do seu tempo e país, chamou Reino ou Reinado de DeusVivo, Criador de filhas e de filhos em estado de maioridade, capazes de se autogerirem e gerirem o Mundo e a História. A chamada festa católica do Corpo de Deus não vem do princípio da Igreja, embora a maioria dos católicos, elas e eles, pensem que sim. E tão pouco tem alguma coisa a ver com a Fé cristã jesuânica. É uma festa totalmente pagã, pura e pública manifestação de idolatria. Nasceu na alta Idade Média, quando o Paganismo religioso estava aí em força entre os povos subjugados pelo clero, pelos monges, pelas Ordens religiosas, pelos bispos feudais, donos das terras e dos servos da gleba. Nos tempos do crasso Obscurantismo, do Analfabetismo, da Iliteracia mais generalizada, da Tortura das consciências, da Opressão, das catequeses terroristas que as Ordens dos Pregadores e Mendicantes difundiam, como uma praga, por toda a parte, até à mais recôndita aldeia. Cada terra com o seu templo paroquial era uma terra de opressão. Ainda hoje, o campanário com a sua torre e os seus sinos, a badalar horas a toda a hora, é sinal do terror e da opressão a que as populações estiveram submetidas, dia e noite, todos estes séculos passados. Nada acontecia fora do âmbito do Religioso-católico romano. Até os reis, para o serem, tinham primeiro de ser reconhecidos pelo papa de Roma, pelos bispos do território e pelos párocos que dependiam dos bispos do território. O nosso Afonso Henriques, o primeiro de muitos outros reis que se lhe seguiram, que o diga. E o reconhecimento pagava-se caro. O dele, por exemplo, custou quatro onças de ouro, uma fortuna para a época, para lá de muitos presentes de luxo entregues por fora. Dizem que era um rei muito destemido e muito guerreiro, mas lá teve de ir, ou mandar uma embaixada em seu nome, ao beija-mão do papa e dos bispos do território. O Poder absoluto era o da Cristandade. Hoje, ainda é, mas bastante menos, se bem que os papas de Roma não desistam de o recuperar e trabalhem dia e noite nesse sentido. A festa do Corpo de Deus, de novo crescentemente nas ruas, juntamente com as peregrinações aos santuários do paganismo religioso, disfarçados de santuários marianos - é lá possível imaginar Maria, a de Jesus, naquelas imagens cegas, surdas e mudas, e a ser objecto de culto de hiperdolia que apenas serve para esconder a idolatria das populações nunca verdadeiramente evangelizadas - não são disso um inequívoco sinal? Aliás, basta ver que as populações apenas são alimentadas no seu paganismo por todas as Igrejas convertidas em outras tantas religiões. Nunca são evangelizadas. E a verdade é que todas essas Igrejas continuam aí a ocupar o terreno e a ter carta branca do Estado laico para roubarem à vontade as populações, aterrorizarem as populações, submeterem as populações, alienarem as populações, desviarem as populações do Essencial, infantilizarem as populações, humilharem as populações, manterem as populações na dependência delas e dos seus ritos, verdadeiras mercenárias, como se fossem sagrados chulos das populações. Acham que há, neste tipo de Igrejas, todas com carta branca para actuarem à vontade no terreno e com privilégios que o Estado lhes garante, algo de jesuânico, de Jesus, o de Nazaré? Quem não vê que tudo é oportunismo, mentira, hipocrisia, manipulação das consciências, feira-de-vaidades, nenhuma Boa Notícia de Deus, o de Jesus? A festa do Corpo de Deus que decorre amanhã insere-se nesta idolatria travestida de catolicismo romano que os bispos e os párocos não desistem de fomentar e de alimentar e que o Estado português agradece e recompensa, porque essa idolatria religiosa ajuda às outras duas, a do DeusDinheiro e a do DeusPoder. As três, como uma só, têm o Mundo nas mãos, os Povos nas mãos, totalmente subjugados, manipulados. Só isso explica que as populações continuem a encher os estádios de futebol e andem cada mais possessas com a selecção de futebol de todos nós (a de cada nação, evidentemente) e que as televisões passem horas e horas a relatar pormenores dos craques de caca do futebol de milhões, inclusive, os pormenores mais caricatos e mais humilhantes. Só mesmo um tsunami, um sismo social e político, uma nova Revolução Francesa, agora à escala continental e até planetária, que vá muito mais à raiz das coisas do que aquela foi, poderá abalar os fundamentos de toda esta Estupidez institucionalizada, de toda esta Bacoquice institucionalizada, de toda esta Idolatria institucionalizada, de toda esta Mentira institucionalizada, de toda esta Humilhação institucionalizada. Fazem de nós, dos povos, uns palhaços, uns Ninguém, uns humilhados, uns alienados, uns bêbedos-sem-dignidade, uns analfabetos-aos-berros-nos-estádios-de-futebol e nós ainda agradecemos a oportunidade que nos dão e sentimo-nos promovidos. É a humilhação no seu pior, sem nós nos demos conta, porque, primeiro, lavaram-nos o cérebro. Experimentemos ver, num momento de lucidez, se porventura, chegarmos a ter algum - coisa cada vez mais rara nos tempos que correm, que os grandes media a funcionar em contínuo, dia e noite, já quase o não permitem - as figuras que nos levaram a fazer e sentiremos vergonha. É que já descemos abaixo de cão, abaixo de besta de carga, abaixo do que há de mais rasca. Mas pensamos que somos os maiores. E somos, mas em estupidez, em humilhação, em vergonha, em incultura, em iliteracia, em analfabetismo. O facto de sabermos manipular as novas tecnologias ajuda a disfarçar, mas não engana. Esse facto dá ao rasca que somos um ar de modernice, que ainda nos faz ser mais ridículos, como aquelas velhas gaiteiras que fazem plásticas, usam perucas, espetam nas flácidas gengivas dentes branquíssimos e caríssimos e vestem de mini-saia. A festa do Corpo de Deus não tem nada de Jesus, o de Nazaré. E o Deus de cujo corpo se fala e se passeia pelas ruas não tem nada do DeusVivo, o de Jesus. Tudo não passa de uma quase invisível hóstia de trigo sem fermento, metida numa custódia de ouro e de prata que o bispo do território, ao jeito do senhor feudal da alta Idade Média, ou o pároco do território onde é funcionário eclesiástico-mor da total confiança do bispo do território, transportam nas mãos e expõem à adoração dos súbditos e dos turistas, espalhados pelas ruas e pelos caminhos. Tudo é idolatria, da mais rasca. Saibam que a Eucaristia - Pão/Corpo Partido-Repartido e Vinho/Sangue Derramado - é realidade, sim, mas totalmente outra. E nunca por nunca a poderemos confundir com esta palhaçada católica romana. Se o fizermos, como efectivamente estamos a fazer, ofendemos DeusVivo, o de Jesus e ofendemos Jesus, o de Nazaré. Mas, sobretudo, ofendemo-nos a nós próprios, se corrermos a meter-nos nesta palhaçada, nem que seja como meros figurantes ou como meros mirones nas ruas e caminhos por onde esta palhaçada eclesiástica católica vai a passar. O Corpo de Deus é o Corpo de Jesus, o Crucificado pelos da Religião que agora presidem a toda a esta palhaçada, e pelos do Dinheiro e do Poder que também correm a meter-se nela, para serem vistos pelos respectivos súbditos e, assim, se disfarçarem de boas pessoas. São todos uns pulhas, uns hipócritas, uns sem-vergonha, uns cínicos, uns mentirosos. Todos agem sem convicção. Por puro oportunismo, num faz-de-conta que só não se vira contra eles, porque, infelizmente, as populações continuam aí aflitivamente incultas, despolitizadas, não-evangelizadas, totalmente apanhadas pelo Medo e pela idolatria religiosa ou do DeusDinheiro. O Corpo de Deus é o Corpo de Jesus que, historicamente, gastou a sua vida em contínuas práticas políticas e económicas maiêuticas e em ensinamentos maiêuticos que libertavam as pessoas e as populações do Medo, despertavam nelas a Fé, a mesma Fé que o animava a ele, as quais, com surpresa para elas próprias, perdiam o Medo, saíam dos templos, viravam as costas aos seus opressores e exploradores, tornavam-se autónomas, livres, donas dos próprios destinos, sororais/fraternas, solidárias, políticas, alegres, numa palavra, humanas, tão humanas como Jesus, o filho muito amado de DeusVivo, nosso Pai/nossa Mãe, cuja alegria maior é ver-nos a viver tão responsavelmente no Mundo e na História, como se Ele não existisse. O que não for assim não é o Corpo de Deus, não é o corpo de Jesus, não é o corpo de cada uma, cada um de nós plenamente adulto, maduro, livre, humano, outros Jesus, hoje e aqui. Até as Igrejas, convertidas em outras tantas religiões, têm um medo que se pelam de que nós, seres humanos e os povos, cheguemos a este nível de humanidade. Querem-nos por toda a vida prisioneiros delas, dos seus ritos, dos seus cultos, e obscenamente infantilizados. Fujamos delas a sete pés, enquanto é tempo. Sejamos simplesmente humanos, corpo de Deus, como Jesus, o de Nazaré, em quem DeusVivo também se possa rever como se reviu nele, e dizer como disse a ele: Esta é a minha filha muito amada, este é o meu filho muito amado. Só quando assim for, é que podemos falar em Eucaristia. Tudo o que não levar até aqui é pura idolatria, que DeusVivo vomita. E nós também havemos de vomitar!
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para
COMENTÁRIOS:
2008 MAIO 20
O cardeal Patriarca de Lisboa, nos seus 30 anos de bispo e 10 anos de patriarca, acaba de publicar mais uma Carta Pastoral. Nela, em lugar de olhar o Mundo que o rodeia e mobilizar a Igreja a que preside na caridade, para ela ser fermento na massa e luz no meio da densa Treva ideológica e idolátrica em que o Mundo de hoje vive mergulhado, olha sobretudo para a Igreja e mostra-se aflito, ao constatar que ela está progressivamente a perder Poder na Sociedade. E ainda convida os seus irmãos de Fé, elas e eles, a fazerem o mesmo que ele faz. Acaba, deste modo, por fechar ainda mais a Igreja na sacristia, no templo, à volta do adro e do seu próprio umbigo. Nas mudanças culturais pelas quais o Mundo contemporâneo está hoje a passar, em ritmo cada vez mais acelerado, o Cardeal José Policarpo vê perigosa secularização e sérias ameaças para a Igreja católica a que preside em Lisboa. Deveria ver nessas mudanças desafiadores Sinais dos Tempos, como sabiamente fez o Papa João XXIII, de feliz memória, em seu tempo, quando as mudanças ainda não eram nem tão profundas nem tão aceleradas como hoje. Um desses sinais dos tempos que o Papa soube ver como tal e destacou com alegria e entusiasmo foi a cada vez maior emancipação das mulheres. Estivesse o cardeal patriarca de Lisboa, em 2008, em sintonia com esta sabedoria do papa João XXIII e hoje iria ainda mais longe do que ele foi. Falaria, a este propósito, da imperiosa necessidade da Igreja se abrir por inteiro às mulheres e de reconhecer a importância das mulheres, também no seu interior, e bater-se-ia sem reservas pelo acesso das mulheres a todos os ministérios ordenados da Igreja, em total igualdade com os homens. Mas não. Nesta reivindicação, hoje incontornável, por parte das mulheres, aos ministérios ordenados da Igreja, e que é uma reivindicação que chega já com quase dois mil anos de atraso, o cardeal José Policarpo vê uma cedência às exigências da secularização. Como tal, critica-a, resiste-lhe e recusa-se, na parte que lhe toca, a abrir a Igreja que está em Lisboa e os ministérios da Igreja às mulheres, quando deveria ser ele o primeiro a ver nesta legítima reivindicação um dos sinais dos tempos, por isso, uma exigência do Espírito Santo que continua aí a animar a História e a levar por diante a criação dos seres humanos, homem e mulher, em indissolúvel unidade e em radical igualdade. Este é um dos mais flagrantes exemplos negativos da carta pastoral que diz bem quanto o cardeal José Policarpo, a poucos anos de passar a patriarca emérito de Lisboa, continua fechado ao Espírito Santo, o de Jesus, só para não ter de entrar em saudável conflito e em fecunda dissidência, nem sequer em final de mandato, com a Cúria Romana, nem com o Código de Direito Canónico. O cardeal já nem sequer se apercebe que, assim, com posturas destas tão anti-Espírito Santo, nem ele nem a Igreja a que preside na caridade chegam a sair da sacristia e da catedral, do eclesiástico, onde nunca deveriam ter permanecido nem por um dia, quanto mais, no que a ele próprio diz respeito, por toda a vida. Ora, uma Igreja que, em 2008, insiste em manter-se fechada às mulheres e nega-lhes peremptoriamente o acesso aos ministérios ordenados precisava que as mulheres também se fechassem todas a ela e a deixassem a falar sozinha. Nem eu sei porque é que as mulheres católicas ainda o não fizeram, depois de séculos e séculos de humilhação eclesiástica. Mas arrisco uma explicação: elas ainda não são, ainda não se atrevem a ser mulheres como Maria Madalena, a de Jesus, que foi a apóstola dos próprios apóstolos, a maior líder da Igreja primitiva, aquela sem a qual a Igreja nunca teria chegado a ser Igreja de Jesus, apenas uma nova tendência organizada dentro do Judaísmo, a juntar a tantas outras daquele tempo. Em vez disso, as mulheres preferem continuar a ser como Maria Madalena, mas a da Igreja eclesiástica que, como sabemos, fez de Maria Madalena, a de Jesus, a pecadora arrependida por antonomásia, a prostituta por antonomásia, a mulher possuída por sete demónios, quando a verdade é que Maria Madalena, depois que Jesus se encontrou com ela e a tocou como seu Sopro, se tornou a mulher do Espírito Santo, como Jesus é o Homem do Espírito Santo, o mesmo é dizer, a Mulher da Liberdade. Graças, obviamente, ao próprio Jesus e ao seu Espírito ou Sopro. Nem Maria, a de Nazaré, foi tão longe quanto ela! Aliás, a Igreja eclesiástica fez com Maria Madalena, a de Jesus, o que veio também depois a fazer com Jesus, o de Nazaré, ao convertê-lo no Cristo-Deus do Império romano e dela própria, quando ela se tornou Poder e Religião católica, um Cristo-Deus nos antípodas de Jesus, o de Nazaré e da História, que o Império romano havia oportunamente crucificado, em conluio com os Sumos sacerdotes do Templo de Jerusalém e com os anciãos do Sinédrio, homens cheios de privilégios e de riqueza que eles de modo algum estavam dispostos a perder. O cardeal José Policarpo acaba de perder assim mais uma soberana oportunidade de ajudar a Igreja em geral e a de Lisboa em particular a sair da sacristia e da catedral, do eclesiástico e do sagrado, do religioso e do clerical, da cultura machista e patriarcal, numa palavra, da Cristandade. Eu sei que ele quer que a Igreja esteja no Mundo - esta carta pastoral põe isso bem em realce - mas apenas no pérfido jeito da Cristandade, não no maiêutico jeito do fermento e da luz, do sal e da sentinela na cidade. Tenta mobilizar o patriarcado, para que ele ajude a Igreja local e universal a ser de novo a Cristandade que já foi, de modo que ela volte a marcar o Mundo com as suas festas e o seu calendário litúrgico, com os seus ritos católicos e os seus moralismos, tal como fez nos séculos passados. Em lugar de se alegrar, por ver que o Mundo hoje tornou-se irreversivelmente secular, por isso, autónomo e independente da Igreja-Cristandade, lamenta-se, chora, desespera-se. Alegrar-se-ia, se, como o papa João XXIII, ele fosse também capaz de ver nestas mudanças outros tantos Sinais dos Tempos. Como não tem olhos para ver, não consegue reconhecer nestas mudanças a marca do Espírito Santo, o de Jesus, que continua aí empenhado em levar a criação dos seres humanos à plenitude, e não em criar ghetos eclesiásticos, por mais católicos ou universais que eles possam ser. Mas já não há nada a esperar de homens da Igreja assim. De resto, quando alguém sai da sua condição de simples ser humano, ainda em vias de criação na História, e aceita ser outra coisa, cardeal, por exemplo, poder eclesiástico, clérigo, religioso, ou qualquer outro tipo de funcionário com mais ou menos privilégios sobre os demais, torna-se cego e guia cego, um perigo público e social. E quanto mais destacado for o lugar ou o posto que ocupa, mais perigo público e social é. A Igreja, quando aconteceu, na peugada de Jesus Crucificado/Ressuscitado, foi para ser o Sinal ou Sacramento de Salvação no Mundo e na História, nunca para ser o que depois veio a ser, quando se tornou Igreja-Cristandade. A nossa desgraça, como Humanidade, é que foram séculos e séculos de total domínio da Igreja-Cristandade que só agora estão a chegar ao fim, para bem do Mundo e da própria Igreja de Jesus. O cardeal patriarca de Lisboa deveria ver as coisas assim e alegrar-se no Espírito Santo. Mas, para ser capaz de tanto, teria de voltar a ser o que nunca deveria ter deixado de ser: simples ser humano, ainda em vias de criação na História. Tornou-se clérigo e depois poder eclesiástico de proa e, enquanto assim se mantiver, nunca mais consegue ver as coisas como elas são. Aos homens que se passam com armas e bagagens para o Poder, o Poder cega-os com os privilégios que lhes dá e eles nunca mais sabem o que dizem, ainda que muito digam e sempre com aquele ar de quem tem a última palavra. O Mundo perde-se, porque passa a tomar por lebre o que é gato, por trigo o que é joio, por pão o que é veneno, por verdade o que é ideologia, por Deus o que é Ídolo. A carta pastoral do cardeal José Policarpo insere-se inevitavelmente nesta linha, a do Poder que não conhece outra linguagem. Para a conhecer e falar, José Policarpo teria de regressar à condição de simples ser humano ainda em estado de criação na História. Por isso, a Igreja que está em Lisboa e que se revê no seu cardeal patriarca, que se cuide. Ou é capaz de dissentir dele, sintonizar com o Espírito Santo e obedecer ao Espírito Santo com alegria, como a Igreja do princípio - "Mais vale obedecer a DeusVivo do que aos Homens (e estes Homens eram os sumos sacerdotes do Templo de Jerusalém, os mesmos que haviam crucificado Jesus) - ou acaba por cair no barranco e arrastar com ela o Mundo, pelo menos, aquela parcela do Mundo que ainda lhe der ouvidos. Esta hora é a hora das mulheres. No Mundo. E na Igreja de Jesus. São elas que salvarão o Mundo e farão da Igreja o Sinal ou Sacramento que ela está chamada a ser no Mundo. Mas para isso elas não podem continuar mais a ser mulheres à maneira de Maria Madalena, a da Igreja eclesiástica, a pecadora arrependida por antonomásia. Têm de ser mulheres à maneira de Maria Madalena, a de Jesus, a Mulher do Espírito Santo e da Liberdade. Com mulheres assim a liderar a Igreja, até os Homens que hoje são Poder eclesiástico acabarão mais humanos, seres humanos simplesmente. E o Mundo será cada vez mais secular, autónomo, como DeusVivo, o de Jesus, tanto gosta que ele seja. E dentro dele, como o fermento e como o sal, estará também a Igreja. Sem que se dê pela sua presença. Mas será uma presença determinante e fecunda quanto baste. Como eu gostaria que o bispo José Policarpo captasse esta boa notícia e a vivesse. Infelizmente, o Poder em que se transformou não o deixa ver nem ouvir. Quem sabe se, depois de perder o poder que hoje tem, ele não vai ver e ouvir? Então, será já bastante tarde, mas, como diz o ditado popular, mais vale tarde do que nunca!
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para
COMENTÁRIOS:
1. Na minha óptica as mulheres não precisam de ocupar quer na igreja quer na política o lugar que ocupam os homens, porque tanto num lado como noutro é uma vergonha o que ambos dizem e fazem...elas têm de continuar a querer ser Mulheres simplesmente, aí reside toda a sua plenitude de liberdade para dar, amar, partilhar e Ser sem precisar do poder para se afirmarem ou serem seguidas. Dentro delas existe uma fonte inesgotável de sabedoria que dificilmente o homem consegue atingir. Gosto de ser mulher...os homens ainda têm um longo caminho a percorrer.
Antónia
2008 MAIO 19
Não tive mãos a medir neste fim-de-semana em Alcains, nas proximidades de Castelo Branco. De Jesus e do grupo dos Doze regista, em dada altura, o Evangelho que a Missão a que ele se entregou por inteiro, nem lhes deixava tempo para comerem, tamanhas eram - e ainda são hoje - a fome de Pão da Palavra maiêutica que Jesus era e dava às pessoas e às multidões sem jamais desfalecer, e a fome de relação feita de afectos que o mesmo Jesus estabelecia com as pessoas e as multidões, as quais essa sua mesma Missão ajudava a saciar em plenitude. Porque Missão em nome de Jesus que não seja feita de palavra maiêutica e de intensa relação de afectos que leve as pessoas e as multidões a serem plenamente autónomas, independentes até de Deus, o da Religião, e cada vez mais senhoras dos próprios destinos e dos destinos do Mundo, não tem nunca a marca do Espírito Santo. Vou-lhes então dizer porque não tive mãos a medir, este fim-de-semana. Fui convidado pelo casal meu amigo, Homero/Rosa, que se encontra de férias na casinha que Homero herdou do seu pai no Roseiral, em Alcains, para passar com eles, pelo menos o fim-de-semana. Apesar da distância e das cinco horas de viagem de autocarro do Porto a Castelo Branco, e outras tantas de Castelo Branco ao Porto, aceitei o convite e fui. Os dois esperavam-me naquela cidade, para me transportarem até sua casa. Em boa hora o fiz. A partir da sua casa, quase nem tive tempo de dormir. De comer, sim, tive tempo, porque a Missão a que desde logo me entreguei, haveria de aconteceu a maior parte do tempo à volta da mesa. A deles, primeiro, e a de outras casas aonde Homero me levou e acompanhou. Duma casa passámos a outra, sem nunca, nunca parar. Esta é uma força de expressão, obviamente, porque parávamos e muito, em cada uma daquelas casas que o tempo deu para ir visitar. Muitas mais teriam sido, se eu, em vez do fim-de-semana, permanecesse em Alcains e na região de Castelo Branco muito mais dias. O mais surpreendente em tudo isto é que Homero, meu amigo, assume-se como ateu, mas um daqueles ateus a quem a Fé de Jesus, fe