DIÁRIO ABERTO


 

2006 JULHO 14

 

A família volta a estar no centro das atenções

da nossa Igreja. Pelas piores razões. As suas

cúpulas só vêem perversão onde deveriam ver

a misteriosa presença do Sopro de Deus Vivo.

Desdobram-se então em camuflados anátemas

moralistas contra os novos modelos de família

emergentes. Quando deveriam regozijar-se.

 

O Papa Bento XVI deixou o Vaticano e viajou

até Valencia no país vizinho. Juntou mais de um

milhão de pessoas. Para nada. Mais uma vez

a montanha pariu um rato. De tudo aquilo ainda

o mais fecundo foi a recusa do primeiro-ministro

em ir à missa do papa. Uma magistral lição de

secularização que aplaudo com ambas as mãos.

 

Cabe às sociedades de cada tempo e lugar

encontrar modelos de família que melhor se

adaptem às necessidades reais da vida. Não

há um modelo único para todo o sempre. Muito

menos um modelo descido do céu. Deus não

nos substitui. Acompanha-nos mediante o seu

Sopro que inspira modelos para cada tempo.

 

Os das cúpulas da Igreja não suportam ver-se

ultrapassados pela Sociedade. Durante séculos

funcionaram como pais e mestres. Deveriam

ter sido discípulos do Espírito que sopra onde

quer e em quem quer. Põem-se em bicos de pés

e agitam os braços a reclamar que lhes dêem

atenção. Em vão. O Espírito já lhes virou costas.

 

Homossexuais e lésbicas com direitos. Casais

divorciados que voltam a casar. Procriação

medicamente assistida. Embriões. Aborto e

eutanásia. Uniões de facto. Vida sexual fora

do casamento. Uso do preservativo. Crianças

adoptadas por casais homossexuais e lésbicas.

A tudo a Igreja diz não. A Sociedade diz sim.

 

Deveria a Igreja ser a vanguarda da sociedade.

Nem carro vassoura é. Prisioneira que anda de

rotinas e de moralismos rançosos. De tradições

sem Tradição. Sem Sopro. E sem a Boa Notícia

de Deus Vivo. De sacramento de Deus passou

a causa de Ateísmo. Nada que Jesus o de Nazaré

já não previsse ao falar do sal que perde a força.

 

E ainda há na Igreja quem goste de falar em

“Sagrada Família”. Em oposição aos novos

modelos emergentes de família. Parece ignorar

que nem Jesus valorizou a sua família de sangue.

A sua família? Só a convocada e congregada

pelo Espírito. O que a tornou intrinsecamente

subversiva. Fora da Lei. Sempre em vias de ser.

 

Famílias-espartilho é o modelo que a nossa Igreja

pretende impor em todo o tempo e culturas. Sem lugar

para a maioridade e a responsabilidade de cada

membro. O patriarca é o poder. A mulher a serva.

Os filhos os súbditos. O papa dita as regras do

que é permitido e do que é proibido. E os senhores

abades fazem o cozinhado. Num reino de menores!


2006 JULHO 10

No passado sábado, 8 de Julho 2006, foi a apresentação do 1.º livro do meu amigo Armando Fernandes (de Penafiel), director do jornal O ARRIFANA. É este o título do livro: "Confissões. E quando o povo pensar!..." Foi com todo o gosto que acedi ao seu pedido e escrevi o Prefácio. É esse texto que agora aqui abro e partilho. Mas para que fiquem com fome do livro todo e corram por ele (10 euros cada exemplar). Ou então peçam-no directamente para: jornaloarrifana@sapo.pt

Prefácio

Adverte-nos Jesus, o do Evangelho de João (10, 1-21), para termos cuidado com aqueles que se têm na conta de pastores do povo. Não apenas com alguns. Com todos: Os párocos e os presidentes de junta ou de câmara; os empresários e os caciques das aldeias; os pastores das novas Igrejas com sotaque brasileiro e os reitores de santuários de nomeada; os bispos residenciais e os deputados da nação; os chefes de governo e os chefes de estado; os ministros e os juízes; os banqueiros e os generais; os papas e os senhores do Império. Numa palavra, todos. Inclusive, aqueles aparentemente mais insignificantes que aqui não nomeei, para não tornar demasiado extensa a lista, mas que também se têm na conta de pastores do povo e se comportam como tal.

Jesus explica a razão da sua advertência: Todos os que se têm na conta de pastores do povo são ladrões e bandidos que estão aí apenas para roubar, matar e destruir. Tal e qual.

É claro que os que se têm na conta de pastores do povo também são capazes, de quando em vez, de fingir que são boas pessoas. E a prova é que todos são permeáveis a cunhas, quando as cunhas trazem a assinatura de um maior que eles; todos distribuem favores a troco de votos ou de aplausos; todos dão bodos a famílias pobres, de preferência às famílias pobres da sua cor partidária, por ocasião do natal e em ano de campanhas eleitorais. E todos fazem muitas outras coisas do género que, desde o princípio da Humanidade, estão inscritas no catecismo da caridadezinha. Mas o que aqueles que se têm na conta de pastores do povo nunca fazem é acabar de vez com os privilégios com que sempre se fazem rodear. Pelo contrário, aumentam-nos de ano para ano, de geração para geração.

E o povo? Será que ao menos o povo escutou a advertência de Jesus e tem tido cuidado com aqueles que se têm na conta de pastores do povo? Revela a História, para nossa vergonha, que o povo pode ter começado por simpatizar com Jesus e por admirar a sua lucidez e a sua coragem. Mas não mais do que isso. Quando percebeu que ser povo sem pastores a governá-lo, a roubá-lo, a matá-lo e a destruí-lo, exigia que ele se desenvolvesse e chegasse à maioridade cívica e política, e à liberdade que o tornaria capaz de cuidar de si próprio, assustou-se e correu a jurar submissão e subserviência aos que se têm na conta de pastores do povo. E quanto a esse tal de Jesus, o povo nunca mais quis nada com ele. Acabou até por exigir que aqueles que se têm na conta de pastores do povo o matassem em seu nome e em nome de Deus e, assim, o declarassem maldito para sempre. Uma decisão tremenda, que aqueles que se têm na conta de pastores do povo logo executaram de bom grado. Mas à sua maneira bem astuta e cínica. Ao perceberem, no seu desespero, que jamais poderiam pôr uma pedra sobre o túmulo dele, promoveram-no então à categoria de deus e atribuíram-lhe o título e o posto de pastor dos pastores do povo. À sombra do qual, desde então, todos eles têm podido continuar a roubar, matar e destruir, sem que ninguém lhes vá à mão.

 

Foi deste Evangelho que me lembrei, ao ler as “Confissões” do Armando, director do “nosso” ARRIFANA, aqui, em boa hora, compiladas em livro. Alegro-me com a sua lucidez. Vibro com a sua palavra cortante como espada de dois gumes. E estou disposto a proclamar estas suas “Confissões” sobre os telhados. Mas também chorei, ao lê-las. Porque elas vêm-me dizer que o povo continua ainda incapaz de ser povo sem pastores. Continua preguiçoso. Infantilizado. Ingénuo. Analfabeto. Mergulhado em comportamentos de massa. Continua a ser rebanho que corre para tudo quanto é santuário de deusas e de deuses, de santas e de santos, de nossas senhoras e de nossos senhores. Sem audácia para se assumir como povo com o Espírito Criador e Libertador de Deus dentro dele. Numa palavra, sem audácia para ser povo adulto, autónomo, sujeito, político, cidadão, livre, responsável, senhor dos próprios destinos.

Mas não posso nem quero concluir este Prefácio, sem juntar às “Confissões” do Armando também a minha própria: Confesso que aqueles que se têm na conta de pastores do povo têm agora razões de sobra para passarem a viver à beira de um ataque de nervos. Porque um livro como este revela que o povo está bastante mais perto de se atrever a ser povo sem pastores!

Obrigado, Armando. Parabém!


2006 JULHO 05

 

Com o Espírito Santo até os velhos

terão sonhos. E sem o Espírito Santo até

os jovens já são velhos a quem roubam

a Utopia e a Visão de um Mundo outro

a ser protagonizado por eles na alegria e

na esperança. Pobre do meu país onde já

nem as Igrejas gostam do Espírito Santo.

 

Têm os seres humanos dois lados a que

urge atender. Somos ao mesmo tempo

sapiens e demens. Humanos e perversos.

E não é que hoje os media dos grandes

senhores do Dinheiro estão apostados a

“puxar” pelo nosso lado demens perverso e

esquecem o nosso lado sapiens humano?

 

O bom senso e o bom gosto emigraram

e já não há quem os cultive nos media nem

nas escolas nem nas paróquias nem nos

lares de idosos. Quando até os governantes

cultivam a Mentira e fazem da Demagogia

a sua principal arma deixa de haver lugar

para valores. Só há lugar para interesses.

 

Servem-nos overdoses de Nada e dão-nos

sucessivos convites a Coisa Nenhuma. Os

modelos e paradigmas vivos que nos metem

pelos olhos dentro a toda a hora são estrelas

carregadas a pilhas. Agitam-se e esbracejam

como canas ao vento incapazes duma ideia

que alimente o nosso lado sapiens humano.

 

São crimes e crimes sem castigo. E sem que

ninguém proteste e diga Basta! Será que já

decapitaram todas as elites e converteram em

massa todo o fermento? Ou esvaziaram ao sal

toda a força de salgar? Onde estão as elites

do meu país? Será que até elas se venderam

ao Dinheiro e se tornaram demens perversas?

 

Vivo como em Deserto a missão de Evangelizar

os pobres. Este não é mais um tempo propício

à Profecia. E nem precisam de matar os profetas

ou silenciá-los. Enchem de ruídos estéreis e

de Babel os ouvidos e as almas das pessoas

e nelas deixa de haver lugar para a Profecia. Os

velhos deixarão de ter sonhos e os jovens visões.

 

Carece de Silêncio o nosso lado sapiens

humano. E de Contemplação. Mas os media

dos grandes do Dinheiro tudo fazem para nos

servir ementas envenenadas sob aliciantes

rótulos. Deixam-se arrastar por elas os jovens

como baratas tontas enquanto os idosos ficam

prisioneiros das novelas. O que será o Amanhã?

 

Não há um Futuro sapiens humano sem um

Presente que o prepare e dê à luz. Ou há elites

que ousam alimentar o lado sapiens humano

e vivem cada dia segundo o Espírito Santo em

aberta Oposição ao que fazem hoje os grandes

media do Dinheiro ou acabamos todos escravos

duma Ordem mundial intrinsecamente perversa.


2006 JUNHO 29

 

Conta a Bíblia num livro que leva o seu

nome que Samuel era um jovem que vivia

no “seminário” do sacerdote Eli. A vida

corria sem sobressaltos na rotina dos dias

até que uma noite tudo se altera. Samuel

ouve chamar pelo seu nome. Deve ser Eli

pensou. E correu até ele. Mas era o Senhor!

 

Até então Deus e Eli eram dois nomes

da mesma Realidade. Na cabeça de

Samuel a vontade do sacerdote Eli seu

superior era a vontade de Deus. E Deus

tinha o rosto do sacerdote Eli que oficiava

no santuário. Por isso aquela noite foi para

Samuel o primeiro dia do resto da sua vida.

 

Percebeu o sacerdote Eli que Samuel não

era mais o menino dócil e ingénuo de antes

e teve a humildade de se fazer discípulo da

luz e do fogo que eram agora os olhos dele.

Os santuários são mentira? Deus não gosta

de oblações nem de missas? Tão pouco de

sacerdotes? A Religião é o culto do Medo?

 

Esta é a mensagem terrível e libertadora que

faísca nos olhos e nas palavras de Samuel. E

só pode vir de Deus; não de Samuel nem de

nenhum outro homem. Nós os seres humanos

sempre fomos hábeis em esconder os nossos

interesses mais perversos sob o manto do

sagrado. E é por isso que odiamos tanto a Luz.

 

Por momentos a Profecia destronou o Templo

e o Profeta dissolveu o Sacerdote. As próprias

populações confirmaram que assim a vida delas

ficou bem mais humana: com o mundo em lugar

do templo; a Palavra em lugar do culto; a realidade

em lugar do mito; a Política em lugar da Religião.

E em tudo e em todos o Mistério que nos faz.

 

Tudo porém voltou depois à estaca zero. A

Verdade que nos faz livres é bem-vinda em

horas de euforia e de festa. Rima com Alegria

e Criatividade. Vive-se como responsabilidade.

São por isso muito poucos os que a vestem

todos os dias. As maiorias preferem a Rotina

e a Mediocridade. E cobrem-se com a Mentira.

 

E hoje aí temos de novo a Profecia destronada

pelo Templo; o sacerdote acolhido pela sociedade

e o Profeta escorraçado; a Religião com foros de

coisa sagrada e a Política diabolizada; o rito em vez

da Palavra; a Mentira com todo o seu cortejo de

opressões e de crimes em lugar da Verdade; e até

a Cruz inventada pelo Império em lugar de Jesus.

 

Como Samuel também eu um dia entrei no

seminário. Cresci em docilidade e ingenuidade

até que a poucos meses de concluir os estudos

os olhos se me abriram e vi que a Mentira se

vestia de sagrado e de religião. O presbítero em

que me constituí só podia ser para Evangelizar

os pobres. E nunca mais o Templo me perdoou!


2006 JUNHO 23

 

1. Tem sido uma experiência simultaneamente feliz e dolorosa a venda militante do meu último livro, Na companhia de Jesus e de Ateus. Livro dos Actos Século XXI. Como se trata duma edição de autor e o produto da venda reverte inteiramente a favor da construção do Barracão de Cultura que a Associação Cultural e Recreativa AS FORMIGAS DE MACIEIRA tem já em marcha em Macieira da Lixa, uma pequena aldeia do concelho de Felgueiras onde presentemente resido, numa casinha alugada, logo eu próprio me dispus a andar também de porta em porta, na freguesia e noutros pontos do país, a tentar vendê-lo. O livro, com capa do célebre Mestre José Rodrigues, meu amigo, tem 352 páginas e custa apenas 10 euros. Não se pode dizer que seja caro, se comparado com outras edições semelhantes. Tenho consciência de que é um livro polémico, frontal, sem papas na língua, vigoroso na denúncia e alegre no anúncio de um outro jeito de se ser homem/mulher, de se ser Igreja e de viver a Fé. Também não contemporiza com o uso e o abuso do santo nome de Deus em vão, por parte da generalidade das religiões e das Igrejas, nem com os políticos profissionais da nossa praça, de Esquerda e de Direita, que sistematicamente confundem Política com Poder e com privilégios para eles e os seus, quando ela tem de ser serviço libertador e promotor do protagonismo social e político das populações, de modo que estas cresçam e se tornem sujeito e eles, os políticos profissionais, diminuam e, finalmente, deixem de ser necessários.

2. É natural, por isso, que o livro desagrade a muitas pessoas, nomeadamente, àquelas cuja prática de vida, de tão turva e cinzenta, ou mesmo de tão injusta e perversa, ou de tão subserviente e submissa, não possam suportar a luz, nem a verdade que fecundamente sopram em todas as suas páginas. Tê-lo escrito e, agora, aparecer com ele à porta das pessoas a propor a sua aquisição é, por si só, um acto de coragem da minha parte. E um risco. Tanto posso ser recebido com abraços, como com desprezos; com manifestações de festa, como com olhares de ódio; com exuberantes declarações de entusiasmo que vão até às lágrimas, como com reacções de cinismo e de fúria. E muito de tudo isto tem acontecido, em todos os locais por onde já passei. Tudo eu procuro suportar com paciência, como quem vê o Invisível, sem me deixar nem abater com os desprezos e os ódios, nem engrandecer com os entusiasmos e os louvores. Sou um simples ser humano em permanente relação e diálogo desarmado com os demais seres humanos. Proponho-lhes, numa linguagem actualizada, o Evangelho que não é meu, mas de Deus, o de Jesus de Nazaré, de quem tenho procurado ser discípulo, desde que me conheço. Creio, inclusive, que é esta minha condição de discípulo de Jesus que muitas pessoas não me perdoam na Igreja e na sociedade em geral. Gostariam, certamente, que eu fosse como os demais religiosos e católicos tradicionais ou como a generalidade dos padres, que se limitam a ser funcionários eclesiásticos e do religioso, num templo paroquial que mais parece um supermercado onde se vendem missas e outros ritos religiosos e onde se prega um Moralismo rançoso que dá vómitos. Tanto assim que são as pessoas das religiões e das Igrejas, a começar pela Igreja católica a que pertenço, nomeadamente, aquelas pessoas que vivem ainda sob a influência directa dos párocos e dos bispos residenciais, que mais incomodadas se mostram comigo e com os meus livros. O que me leva a concluir que são também essas pessoas as que gostam menos de Jesus e de Deus, o de Jesus. Crêem em Deus, indiscutivelmente, como já os seus pais e avós e demais antepassados creram, mas nunca pararam para pensar em que Deus é que crêem. Vai daí, são capazes de me odiar, quando lhes digo que também eu creio em Deus, mas no de Jesus, e não no dos meus antepassados, a menos que os meus antepassados também já se tenham convertido do Deus dos seus antepassados ao Deus de Jesus, o de Nazaré, como felizmente aconteceu com a minha mãe Ti Maria do Grilo e o meu pai Ti David.

3. Este pormenor faz toda a diferença. E é esta diferença que as páginas do meu livro guardam e revelam. É por isso que as manifestações de entusiasmo e de alegria, quando chego junto das pessoas e lhes digo quem sou e ao que vou, surgem mais da banda daquelas que hoje se assumem como ateus ou agnósticos. O seu ateísmo está, assim, mais próximo da Fé jesuânica que eu procuro viver e que dá pleno sentido ao meu viver quotidiano. O seu não-Deus está mais próximo do Deus, o de Jesus, em quem eu creio e que me faz ser o homem para os demais que procuro ser todos os dias. Parece uma contradição, mas não é. Há apenas um tipo de Ateísmo que não me suporta, nem suporta o meu livro; e fica tão furioso comigo e com ele como os católicos mais tradicionalistas. É o Ateísmo daquelas pessoas, geralmente, homens do Poder, que se confessam ateus, mas em boa verdade são ateus de todos os deuses, menos do Deus-Dinheiro. Por isso não são ateus. São idólatras, e os piores dos idólatras. Como tal, não podem ver-me por perto, nem a nenhum dos meus livros. Tal como os iguais a eles do tempo e país de Jesus, nunca o puderam encarar e só descansaram quando o crucificaram como o maldito.

4. Curiosamente, as maiores manifestações de ódio que tenho experimentado, nestes contactos porta a porta com o meu livro na mão, vêm deste tipo de ateus idólatras do Deus-Dinheiro. Mas não só. Vêm também, e com igual intensidade, dos religiosos mais tradicionalistas e fanáticos, com destaque para os católicos fatimistas e as Testemunhas de Jeová. O que me leva a concluir que quem diz que crê em Deus e nunca parou para se interrogar em que Deus é que crê, pode muito bem ser simplesmente um idólatra a juntar a tantos outros. O Deus em que diz crer não passa de um ídolo, de um Deus-Mentira, por isso, fonte e alimento de inumanidade. Já Deus vivo, fonte e alimento de humanidade, só mesmo o de Jesus de Nazaré, a quem os do Deus-Mentira crucificaram, numa manifestação histórica de ódio teológico que jamais se viu ou se verá.

5. De todos os meus múltiplos contactos nestes últimos meses, com a finalidade de vender o livro, nunca mais esquecerei o caso daquela mulher católica, do Alto da Lixa, que fui encontrar sentada à sua máquina de costura, no acanhado espaço onde habitualmente trabalha por conta própria. Quando lhe disse quem era e ao que ia, ela prontificou-se a adquirir o livro. Como não levava dinheiro trocado comigo (estava ainda a começar o meu serviço nesse dia), deixei-lhe o livro e comprometi-me a passar depois por lá a levantar o dinheiro. A senhora aceitou. No dia seguinte, tive necessidade de passar em frente à sua casa e aproveitei para procurar a senhora. Fui encontrá-la furiosa, a faiscar ódio pelos olhos. Apontou com a mão o local onde o livro estava e disse: Tire-o já da minha vista e da minha casa. Saiba que se não passasse cá hoje, ia queimá-lo, porque não quero semelhante peste debaixo das minhas telhas. Fiquei sem fala. E, quase como um autómato, peguei no livro e saí para a rua ao encontro do sol e da vida. O ódio desta irmã católica era tanto, que nem me deixou margem para qualquer reacção ou esclarecimento. Qualquer coisa que eu dissesse naquela hora só teria agravado a situação. O meu silêncio foi por isso a melhor palavra que lhe pude deixar. E que poderá, assim o espero, vir a dar os seus frutos, mais tarde.

6. Um outro caso que também não esqueço mais, ocorreu em Fafe. Entrei numa loja comercial. Saudei, disse quem era e ao que ia. A jovem mulher que estava ao balcão foi muito simpática e sorridente. Mas para logo adiantar que era testemunha de Jeová e que a sua Congregação não a autoriza a ler nada sobre a Fé e a Bíblia, Deus e Jesus, que não seja escrito e distribuído pelos seus mentores. Já imaginava que assim seria, porque dos muitos debates que tenho tido ao longo dos anos com testemunhas de Jeová que insistem em abordar-nos duas as duas, tenho constatado que nunca consegui que alguma delas aceitasse a oferta de algum dos meus livros ou de um exemplar do Jornal Fraternizar que dirijo. Assim como nunca as vi acolher uma achega que seja adiantada por mim, no decorrer dos debates. Sempre querem ser elas a falar e a entregar exemplares da literatura com que se fazem acompanhar nessas ocasiões. Olhei a jovem mulher sorridente com compaixão e uma profunda tristeza. Ela apercebeu-se dos meus sentimentos e logo adiantou, à guisa de argumento a seu favor: Nisto, nós somos como Jesus que frequentava as sinagogas e o Templo de Jerusalém, mas só para ensinar, não para ser ensinado. Ouvi-a e quase morri de tristeza. E afastei-me cabisbaixo para a rua à procura de ar para respirar. Tinha acabado de estar com a Opressão e a Mentira, vestidas de jovem mulher, toda sorriso. Uma e outra estavam ali esmagadoras diante de mim.

7. Por isso, digo-lhes: Dificilmente, encontraremos hoje organização mais opressora e mentirosa que a das Testemunhas de Jeová. Já sabia que elas são, como reza o título de um dos capítulos deste meu livro, “Tal e qual o Império que as pariu”. Mas o encontro com esta jovem mulher toda sorriso veio-me dizer que a Opressão e a Mentira também podem apresentar-se assim, sedutoras. Porém, como é pelos frutos que se conhecem as árvores e as organizações, tenho que dizer que a Congregação das Testemunhas de Jeová só pode ter por pai a Mentira. O Senhor Jeová, como as suas testemunhas tanto gostam de pronunciar, não passa de um ídolo, dos mais terríveis e cruéis. Proclamar que o Espírito de Deus não se encontra presente e actuante senão na Congregação Jeová, nos seus mentores e nas suas publicações, é um pecado sem perdão, fonte da mais cruel das opressões.

8. É também para percebermos melhor esta perversão e outras perversões semelhantes das Igrejas e das Religiões que será bom adquirir e ler este livro; tê-lo em casa como livro de mesinha de cabeceira; e abri-lo nas horas de maior desânimo e de mais confusão. Em qualquer das suas páginas, apanhamos de imediato um banho de lucidez e de dignidade humana. Que assim é o viver e o escrever/dizer das mulheres e dos homens que se deixam possuir e animar pela Fé de Jesus. E tal é a Fé a que eu procuro manter-me aberto todos os dias.

9. Por isso, se quiser adquirir este livro (já está em 2.ª edição e não se encontra nas livrarias, só em venda militante), pode encomendá-lo por Internet, ou por telemóvel, ou por correio postal. Internet: www.padredalixa.org; telemóvel: 93 393 65 02; CTT: Pe. Mário, Lugar da Maçorra, 4615-413 MACIEIRA DA LIXA. É claro que também pode vir pessoalmente a Macieira da Lixa adquiri-lo e aproveita para conversar comigo, seu autor. Será uma grande alegria, pelo menos, para mim. Fico na expectativa.


2006 JUNHO 19

 

Todos os anos pelo mês de Junho o Corpo

de Deus é levado a passear pelas ruas

do Porto e de outras regiões do país e do

mundo católico. Há sempre um bispo ou um

pároco que se presta a este serviço e lá vai

de custódia de ouro em punho com uma

hóstia branca dentro. É isso o Corpo de Deus!

 

As autoridades da cidade não perdem

pitada e marcham juntamente com o Bispo

como quem faz a corte ao Corpo de Deus. As

populações carenciadas e devotas ocupam

as margens das ruas ou seguem na cauda da

procissão com aquele ar de subserviência que

sempre vestem na presença dos do Poder.

 

Nunca saberemos se as populações estão

ali com devoção à hóstia branca que vai dentro

da custódia de ouro ou se ao ouro da Custódia.

Pelo corpo de Deus é que ninguém ali está

nem mesmo o Bispo que carrega a Custódia.

Porque o Corpo de Deus exige despojamento

dos privilégios e o Bispo vai ali para os afirmar.

 

Vem da alta Idade Média o costume de levar

a passear o Corpo de Deus pelas ruas da

cidade. Eram anos de terror e de chumbo para

populações esmagadas pelo domínio do clero

e dos príncipes. A Mentira e a Idolatria eram

rainhas e logo converteram o Corpo de Deus de

Pão Repartido que faz livres em ídolo que oprime.

 

Corpo de Deus rima com comunhão de bens e

de vida; rima com Liberdade e Paz; exige justiça

e dignidade humana; faz crescer o amor também

na dimensão da sororidade/fraternidade; e culmina

na Mesa Comum. Não nos foi dado para que o

adoremos. Foi-nos dado para podermos chegar

à maioridade de filhas/filhos de Deus como Jesus.

 

É de Deus ou do Ídolo o corpo hóstia branca

que o bispo todos os anos aprisiona na Custódia

de ouro e leva a passear pelas ruas da cidade na

companhia dos do Poder? Como não tem feito

chegar à liberdade/responsabilidade quem mais

tem comido dele através dos séculos corpo do

ídolo é. Não de Deus. E um sacrilégio sem perdão!

 

Tomai e comei isto é o meu corpo entregue

por vós. Tomai e bebei isto é o meu sangue

derramado por vós. Corpo entregue e sangue

derramado são o mesmo que vida pessoal

politicamente comprometida ao serviço da

libertação da Humanidade. Tal foi o viver de

Jesus. Tal tem de ser o viver de quem o segue.

 

Comer o Corpo de Deus e beber o seu sangue

é fazer nossa a sua causa política e vivê-la sem

olhar para trás em comunhão com o seu Espírito

tal como paradigmaticamente fez Jesus o de

Nazaré no seu tempo e país. Deus é Espírito.

Quem come o seu Corpo é para passar a viver

animado pelo Seu Espírito. Até ser outro Jesus!


2006 JUNHO 13

 

Este é o mês dos santos populares mas

é também o mês do Solstício de Verão. A

coincidência vale como alerta. Não andará

metida em tudo isto uma mãozinha da Igreja

de Roma? Os santos não terão entrado nos

festejos para fazer esquecer o deus Sol e

pôr os seus cultos sob controlo da Igreja?

 

No Solstício de Inverno o natal do deus Sol

foi substituído pelo natal de Jesus. Ninguém

sabia nem sabe o dia e o ano em que Jesus

nasceu mas logo a Igreja de Roma decretou

urbi et orbi que ele nasceu em Dezembro 25.

As populações passaram a chamar Cristo

ao deus Sol. E Cristandade ao Paganismo.

 

E assim estão hoje as coisas. As populações

mantêm as velhas crenças nos míticos deuses

e deusas invocados agora sob nomes mais

cristianizados. Tudo o que era culto e festejo

popular tem podido prosseguir até hoje. Jesus

é o grande desconhecido e funciona apenas

como o nome de um deus mais do panteão!

 

A Igreja alinhou na Mentira e tem tirado partido

dela. De sacramento de Deus o de Jesus que

deverá ser passou a multinacional de religião

e de moralismo rasca. Tem sido servida nas

paróquias por um exército de eunucos sacerdotes

 que estão na continuidade dos sacerdotes do

mítico deus Sol e nada têm a ver com Jesus.

 

Porque nunca conheceram a libertação que

o Evangelho de Jesus nos trouxe as populações

são incapazes de conceber a vida sem cultos nem

santuários. Recorrem nas aflições a tudo o que é

imagem de santo ou de nossa senhora numa

manifestação de infantilismo de partir a alma. E

ainda por cima chamam fé a esta monstruosidade!

 

Os párocos e os bispos sabem bem que tudo

isto não passa de Paganismo no seu pior. Os

mais zelosos ainda tentam evangelizar as

populações nas horas em que elas recorrem

aos seus serviços de sacerdotes pagãos. Em

vão. As populações permanecerão pagãs

enquanto não forem libertadas dos deuses.

 

Evangelizar os pobres é preciso. Não me canso

de o fazer e de o dizer. A via Jesus é política

não religiosa. Liberta para a liberdade e para o

serviço. Quer populações a crescer em estatura

sabedoria e graça. E em protagonismo político.

A Religião ocupa-se com as deusas e os deuses

e deixa a Política para os do Dinheiro e do Poder.

 

Não é assim Jesus. O Espírito do Senhor está

sobre mim; enviou-me a Evangelizar os pobres;

a libertar os oprimidos e a mobilizar as pessoas

e os povos para as tarefas da humanização do

mundo e da vida. Passou o tempo dos Templos

e dos sacerdotes. Começou o tempo da Política.

Com populações cheias de graça e de verdade.


2006 JUNHO 08

 

Eis aí o Mundial de Futebol 2006 em

todo o seu feérico Obscurantismo. Cabe

à Alemanha que já foi de Hítler e hoje é de

Ratzinger o papel de anfitriã. O que lhe fica

mesmo a matar ou o Futebol dos Milhões não

tivesse todos os ingredientes para seduzir

e narcotizar frustradas multidões à deriva.

 

A língua dos símbolos – hoje a mais falada

em todo o mundo – tem no futebol a sua

expressão maior. Num relvado todo verde

(enorme leito nupcial em plena natureza)

correm esbeltos e aguerridos machos quais

míticos deuses no cio atrás duma fálica bola

a lembrar a cabeça de um pénis ao ataque.

 

As balizas são a boca funda duma virgem

que os machos deuses estão apostados em

desflorar e/ou defender. Baliza sem golos é a

nação na sua integridade. O golo que se mete

rebenta a integridade da nação adversária e

põe em delírio multidões sem afectos e sem

projectos. Alfobres de Violência e de Cinismo.

 

E se o golo marcado na baliza adversária

é um daqueles que sai como bala veloz e

certeira dos pés de um jovem deus que

guarda-redes nenhum do mundo consegue

impedir de entrar então o orgasmo colectivo

da sua nação atinge o clímax e é assim que

os do Poder e do Dinheiro nos domesticam.

 

Já o golo sofrido é o desfloramento da nação

em causa e deixa o seu povo mergulhado

na mais cruel das Depressões. E na mais

vergonhosa das desonras. Ou é rapidamente

reparado e vingado com golos na baliza

adversária ou os idolatrados deuses passam

a  vilões e os aclamados heróis a filhos da Puta.

 

Cada jogo é um combate sexual entre

machos que se sentem deuses. A vitória de

uma nação exige a derrota da outra e o

Orgasmo de um povo é conseguido à custa

da Depressão de outro povo. Tal e qual como

na vida de todos os dias. Onde até o árbitro

detém a infalibilidade divina de um papa laico.

 

Não estranhem por isso que eu siga outro

caminho e aposte num outro modo de ser

e de viver em sociedade. À violência sexual

do Macho que o Mundial de Futebol canoniza

prefiro a via da Ternura que encara a Mulher

e o Homem como seres em radical igualdade.

Companheiros e sexuados. Pobres e solidários.

 

Nesta via também há lugar para vitórias. Não

as que resultam da derrota de outras pessoas

ou de outros povos. Apenas as vitórias sobre

a ignorância e a pobreza a doença e o egoísmo

o analfabetismo e a injustiça o ódio e a riqueza

acumulada e concentrada. Porque são vitórias

assim que nos dignificam como seres humanos.


2006 JUNHO 05

 

Celebraram ontem as Igrejas a chamada

festa do Pentecostes. Como se alguma

vez o Espírito Santo andasse ao sabor

de calendários e de ritmos da Natureza.

Um Pentecostes sem revolução é um

Pentecostes sem Espírito. Pode ser das

Igrejas mas não é de Jesus o de Nazaré.

 

Lucas concebeu e escreveu um relato

densamente teológico logo a abrir o seu

livro dos Actos que as Igrejas teimam em

acolher como algo que aconteceu tal e qual.

Quando Lucas apenas nos quis revelar que

só há Pentecostes quando realizamos actos

revolucionários concretos como o ali descrito.

 

Tenho para mim que as Igrejas depois de

Constantino têm funcionado como empresas

especializadas em religião que garantem bons

empregos e muito prestígio aos seus chefes e

outros quadros hierárquicos a troco de serviços

pagos a preço de mercado. Com o Calendário

litúrgico no lugar de Jesus e do seu Espírito.

 

Do que o nosso Mundo hoje precisa é de Igrejas

cheias de Espírito Santo e de Fé que prossigam

o ser e o viver de Jesus o de Nazaré e como ele

protagonizem actos históricos que libertem as

pessoas e os povos da opressão e da alienação

da presente Ordem do Império  e do Templo que

mais não faz do que nos roubar matar e destruir.

 

Sobram Igrejas a engordar à sombra do nome

de Jesus. Faltam Igrejas que sejam Jesus e

continuem todos os seus duelos fecundamente

libertadores. Se as primeiras têm nos templos

os seus espaços de intervenção já as segundas

optam por não ter onde reclinar a cabeça para

serem subversivo e fecundo fermento na massa.

 

Fujam das Igrejas que se instalam num território

e começam a fornecer serviços religiosos a troco

de dinheiro ou de dízimos ao final de cada mês.

São Igrejas-ladrão com veia para o negócio. Nos

antípodas de Jesus. Aliadas do Império de turno

que nos quer ver tosquiados e a penar. Dão-nos

cabo do Presente e ainda nos roubam o Futuro.

 

Regressemos sem demora a Jesus o de Nazaré

e ao seu Espírito ou Sopro. Todos os dias são

de Pentecostes quando ousamos libertar-nos

para a Liberdade e para a Partilha dos bens. E

sobretudo quando ousamos viver no Império sem

sermos dele nem das suas cruéis multinacionais.

No Império mas para o fazermos implodir.

 

É para a Verdade total que o Espírito de Jesus

nos quer conduzir. Para isto nasceu Jesus e veio

ao mundo. Para que sejamos livres. E não apenas

em parte mas totalmente livres. Por isso cidadãs

cidadãos de um mundo sem Império nem Templo.

Só Mulheres homens constituídos em comunhão.

Utopia? Sejamos Jesus e a Utopia realizar-se-á.


2006 JUNHO 02

 

Ai Timor. Voltam as lágrimas e os gemidos

numa dor sem fim. É tão pequeno o país e

como é tão grande a sua dor!... Os corpos de

vivos-mortos sem trabalho e sem comida sem

segurança e sem conforto amontoam-se de

novo aos milhares nos recintos das casas de

padres e de freiras. Libertação ou alienação?

 

A independência do país chegou ao preço do

sangue de muitos milhares de mortos e para

cúmulo totalmente vazia de autonomia e de

vida digna para as populações. Só os chefes

e seus capangas levam vida de gente lado

a lado com os estrangeiros que trabalham no

país. Para o Povo é só pobreza e indignidade.

 

As montanhas de Timor voltam a encher-se

de sonho e de gente espezinhada nas suas

mais elementares expectativas. Os dirigentes

ocupam palácios e começam a ter todos os

tiques dos que mandam no mundo. Deveriam

regressar às montanhas e despojar-se do

poder para se tornarem irmãos e companheiros.

 

É tão pequeno o país e é tão pobre! Como foi

capaz de se organizar ao jeito do Império e

das grandes nações que mandam no mundo?

Que semelhança pode haver entre Xanana e

o Bush ou entre Xanana e o Durão Barroso na

Europa ou até entre Xanana e o Sócrates que

vai ao Mundial de Futebol num avião falcon ?

 

Dos pobres e dos países pobres vem a

salvação do mundo. É do Evangelho de Jesus.

Mas apenas quando os pobres resistem à

tentação demoníaca do Dinheiro e do Poder

e têm a grandeza de alma de organizar o seu

dia-a-dia num jeito alternativo ao jeito dos

ricos e poderosos. Avança por aqui Timor!

 

A Igreja que está em Timor deveria ter a

audácia de anunciar e protagonizar esta Boa

Notícia de Jesus. Bispos padres e freiras

deveriam ser os primeiros a despojar-se dos

seus bens e correr a ocupar o último lugar na

sociedade. Lado a lado com os mais pobres.

E bater-se com eles por uma Mesa comum.

 

 

As montanhas de Timor voltam a encher-se

de guerrilheiros. É lá que mora a esperança

e cresce o sonho. Sempre foi e será na

montanha que se forjam a Liberdade e as

mulheres/os homens livres. Nos palácios até

o revolucionário de ontem torna-se um tirano

que o próprio Deus derrubará do seu trono.

 

É hora das populações de Timor abandonarem

de vez a protecção que ingenuamente foram

procurar nos terrenos dos padres e das freiras. É

nas montanhas de Timor que se forjarão como

combatentes da Liberdade e da Dignidade. E se

reconhecerão irmãs/irmãos entre si. Façam-no e

verão que até Deus o de Jesus também vai junto!

 

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