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                                                DIÁRIO ABERTO


 

 

2009 JULHO 03

 

Manuel Pinho acaba de perder o lugar de ministro da Economia do Governo socratino. O seu chefe no Executivo do país, politicamente muito pior do que ele, e muito mais politicamente prejudicial para o país do que ele, demitiu-o quase em directo na tv, durante o debate do estado da nação, ontem, no Parlamento. Demitiu-o. Não se demitiu. Que ele, o primeiro-ministro, pode demitir os ministros. Não pode ser demitido por nenhum deles. Nem por eles todos juntos. É como o papa de Roma. Pode exonerar /excomungar /suspender quem quiser, até os outros bispos que presidem às Igrejas locais. Não pode ser exonerado /demitido /excomungado por ninguém. Nem por Deus, que até em Deus, o da Cúria Romana, não o de Jesus, obviamente, o papa de Roma manda! Manuel Pinho perdeu o lugar e a pasta da economia. Mas, em troca, ganhou, para já, um par de chifres que ele próprio, em pleno debate no Parlamento, colocou na sua testa, um de cada lado, num gesto, cuja fotografia, para nossa vergonha nacional, está a correr mundo e faz, naturalmente, manchete nos matutinos portugueses de hoje. A fotografia é a mais eloquente imagem do Governo socratino que tem dado cabo do país. Impunemente. Todo o Governo deveria demitir-se, juntamente com Manuel Pinho. Não se demitiu. O Poder Politico é assim. Mentiroso, perverso, hipócrita, assassino. Nenhuma fotografia diz mais e melhor tudo o que o Poder Político é, do que a fotografia do gesto do agora ex-ministro Manuel Pinho. Não foi Manuel Pinho que ganhou um par de chifres. Ele apenas explicitou em gesto pessoal o que o Poder Político, todo o Poder Político, é. Também o Poder Político da chamada Oposição, que só o é, porque quer, a todo o custo, derrubar o Executivo, não para acabar com ele de vez, mas para ser Executivo em vez dele, o que sempre rende mais uns milhares de euros por mês e muitos mais privilégios /mordomias, até ao fim da vida de quantos um dia foram o Executivo do país. Basta olharmos para todos os ex-governos do país, os lugares que passaram a ocupar, depois que se tornaram ex-governos. Os deputados da Oposição, do PSD ao CDS e aos Verdes, porque Poder Político em exercício na Oposição, são todos da mesma natureza, sem tirar nem pôr. Todos, assumam-no ou não, são Manuel Pinho. Todos são, sem tirar nem pôr, os principais chifres políticos do Poder Económico-Financeiro, no Executivo ou na Oposição. Não pensem que algum deles se aproveita. Nenhum deles se aproveita, da Esquerda à Direita. Todos são os chifres políticos do Poder Económico-Financeiro, mais rendilhados, se da Esquerda, chame-se Louçã ou Jerónimo, mais brutos, se da Direita, chame-se Sócrates, ou Manuela Ferreira Leite. Nenhum tem salvação. Porque são todos, mais camuflados ou mais explícitos, os chifres políticos do Poder Económico-Financeiro que nos descria e devora a alma, a identidade humana. Sei que escandalizo com estas minhas palavras. E que, por as escrever, ganharei ainda mais inimigos. Porque, infelizmente, não suportamos a Verdade que, se amada /praticada por nós, nos faz livres. Tão pouco suportamos a Liberdade, que vem como fruto natural da Verdade amada /praticada. Preferimos a Mentira. Amamos /praticamos a Mentira que nos faz oprimidos, subservientes, vassalos. Escravos, mas em segurança. A viver a vida toda, na Prisão, mas em segurança. E, quando se prefere a segurança, a rotina, o sempre-o-mesmo, todos os dias, a tudo o mais, não suportamos a Liberdade que vem como fruto natural da Verdade amada /praticada. Estas minhas palavras, se acolhidas /praticadas, conduzem-nos pela via da "porta estreita", pela qual só entram os que optaram por ser pobres ou não-ricos, por toda a vida. Por outras palavras, os que optaram por ser Humanos, simplesmente Humanos, e por toda a vida. É a via da "porta estreita" que poucos acertam com ela e menos ainda aceitam entrar por ela. A esmagadora maioria prefere a via da "porta larga", tão larga, quanto as suas ambições. Tornam-se monstros, se lhes derem oportunidade para isso, mas monstros que impõem reverência, culto, vénias. São monstros com o mundo inteiro a seus pés. À excepção dos que todos os dias frequentam a via da "porta estreita", que lhes resistem e os denunciam. São ricos, são poderosos, são clérigos, são reverenciados, são temidos, são cultuados, são idolatrados pelas populações, mas são monstros. São um desastre do tamanho dos seus privilégios, da sua fortuna, do seu Poder. Não lhes invejo o estatuto de que usufruem. Choro a sua desgraça, a sua desumanidade, a sua acelerada Descriação Humana. Infelizes que são! Não pensem que estou sozinho neste meu pensar-viver assim. Posso ter contra mim, mais de meio Mundo, ou mesmo (quase) todo o Mundo, mas não estou sozinho. O extracto do Evangelho (Marcos 6, 1-6) que será lido nas missas de domingo, 5 de Julho 2009, o 14.º Domingo do Tempo Comum, no dizer do Calendário Litúrgico da Igreja católica romana, é por aqui, por esta via da "porta estreita" que vai. Por isso é que é o Evangelho, ou a Boa Notícia. De Deus, o de Jesus. Não de Deus, o do Império e do Templo coligados. Um e outro, cada qual ao seu jeito, sempre ao incondicional serviço do Senhor Dinheiro que os financia e os descria como Humanos, dia e noite, até ficarem mercenários, sem entranhas, sem afectos. Até ficarem chifres políticos e religiosos /eclesiásticos do Senhor Dinheiro, o Poder Económico-Financeiro, omnipotente, omnipresente, omnisciente. Chifres em acção e em movimento. Não Seres Humanos integrais. Por isso, todos eles ferem, agridem, amedrontam, subjugam, roubam, descriam, oprimem e, finalmente, matam, quem se atreve a ir pela via da "porta estreita" e lhes diz que eles, em toda a sua opulência e idolatria, são monstros, são assassinos. O extracto é do Evangelho de Marcos, o Evangelho mais incómodo para as Igrejas todas. Porque nos testemunha Jesus, o da "porta"estreita", quase em directo. E as Igrejas, em particular, as suas hierarquias, do que mais gostam é de frequentarem a "porta larga" do Poder Eclesiástico e dos Privilégios. Como tal, não podem com Jesus, muito menos, com o Jesus do Evangelho de Marcos, assim tão integralmente Humano e que nos é apresentado quase em directo. Neste extracto, Marcos constrói a narrativa teológica da ida de Jesus à sua terra, a Palestina, no seu todo, não apenas o pequeno povoado de Nazaré, onde havia nascido, trinta e poucos anos antes. É a segunda vez que Jesus, em narrativa teológica, vai à sua terra. Desta vez, é já depois de ter constituído o grupo dos Doze que, simbolicamente, representava então o novo Israel, não apenas o Israel dos Judeus, mas o de todos os Povos do Mundo. O gesto político e teológico, ao contrário do gesto de ontem, do então ainda ministro Manuel Pinho, tem tudo de Abraço Universal, Cósmico, até. Tem tudo de Ternura. Tem tudo de integralmente Humano. Não tem nada de chifres, não tem nada de Poder de um Povo sobre os outros Povos, de um Homem /uma Mulher sobre os outros homens /outras mulheres. Não tem nada de agressão, de violência, de exclusão. Vejam que até os seus familiares de sangue, mãe incluída e irmãos, perante esse gesto político e teológico simbólico, subversivo /conspirativo até mais não, saem todos em busca de Jesus, para o deterem /amarrarem como louco varrido, um louco, social e politicamente, perigoso. A narrativa teológica conta que Jesus, seguido pelos discípulos, esperou pela chegada do sábado, quando todos os Judeus, fiéis ao Institucional, se congregavam lá (hoje, diríamos, os fiéis à Cúria Romana e ao seu chefe, e fiéis ao Império Financeiro, sempre os mais perigosos, porque também os mais fanáticos e mesmo mafiosos, ainda que eles próprios se tenham na conta de que são as melhores pessoas do Mundo!)). O congregar-se lá era obrigatório, sob pena de excomunhão /exclusão social. Jesus foi ao encontro deles, para ensinar. Que atrevimento! Ir à Sinagoga da sua terra ensinar, em lugar de ser ensinado. Seria como hoje ir à missa ao domingo pregar, em lugar de ir ouvir a pregação do pároco ou do bispo residencial, ou do papa de Roma! A Sinagoga, aqui no relato, está por todas as sinagogas dos Judeus espalhadas pelo país, a sua terra, e pela diáspora, a terra dos não-Judeus. Os Judeus estão aqui, na narrativa, por todos os Judeus fiéis, que a frequentam todos os sábados. A Lei de Moisés assim o dizia e impunha. A sua entrada na Sinagoga - o Institucional oficial - depois de ter simbolicamente criado o Israel alternativo, isto é, depois de ter destruído simbolicamente o mito do Israel histórico, que se via a si mesmo como o único Povo de Deus, como o único Povo eleito de Deus e, em seu lugar, ter criado o novo Israel de Deus, que inclui todos os Povos da Terra, sem exclusão de nenhum, já que todos, e não só o Povo Judeu, são o Povo eleito /amado de Deus, foi um escândalo intolerável em todo o Israel. Foi como um tsunami político e teológico, que fez implodir por completo a Sinagoga, isto é, o Institucional e, com ele, o Israel histórico, tal como ele até então se auto-concebia. Jesus podia ter sido de imediato assassinado, ali mesmo. Não foi. Fizeram-lhe ainda pior. Desprezaram-no. Trataram-no abaixo de cão. Como um filho de Ninguém, que nem pai tinha. Como um louco varrido. A partir daí, diga ele o que disser, faça ele o que fizer, não é para ser tomado a sério pelos do Institucional e, mesmo pelos outros, sempre sedentos de algum Institucional, laico que seja. É um louco, dizem todos à uma. E está tudo dito. Para mais, um louco desarmado, inofensivo, um louco carregado de Ternura, como um menino-servo, todo Entranhas de Humanidade, todo Deus-Abbá-connosco-e-entre-nós (é o que quer dizer a designação hebraica /aramaica "filho de"). Por isso, totalmente, inofensivo. Ora, perante alguém assim, sem-Poder, sem-o-Institucional a cobri-lo, Humano simplesmente, o Desprezo é a arma de todos os que se têm por chico-espertos. E o Desprezo mata mais do que a própria Morte, à excepção da Morte Crucificada na Cruz do Império e do Templo coligados. Que esta, naquela cultura e naquela teologia, a da Lei de Moisés, era a única que tornava "Maldito" o homem que morresse nela. E, ser maldito, era mais, muto mais do que ser morto. Era ser para sempre banido da face da terra e, até, da memória dos Povos. Nunca mais semelhante nome seria pronunciado /lembrado por nenhuma boca, nem mesmo pelos seus familiares de sangue, os primeiros a recusar-se a pronunciá-lo /lembrá-lo. É o que os Judeus, conterrâneos de Jesus, fiéis ao Institucional que ele havia simbolicamente derrubado /abolido /destruído, com a criação do grupo dos Doze ou novo Israel que inclui todos os Povos da Terra como o Povo eleito de Deus Criador, nosso Abbá comum, lhe fazem. Desprezo total. Até que chegue a Hora de os sumos sacerdotes, seus máximos representantes, o matarem na Cruz do Império e do Templo coligados, numa aliança de Monstros, em que a Besta do Poder Político e do Poder Religioso mostra os seus chifres políticos /idolátricos, na sua máxima potência assassina. Essa Hora chegou, meses depois, em Abril do ano 30 desta nossa era comum. E ainda perdura, século XXI e terceiro milénio além, sob outras formas, sob outros disfarces. Mas com os mesmos chifres políticos /religiosos /idolátricos, mentirosos, assassinos, descriadores do Humano. Neste desprezo total, ficamos a saber, para alegria dos Empobrecidos e dos Oprimidos do Mundo, e para vergonha dos do Poder Político e do Poder Eclesiástico e dos seus súbditos, que Jesus é "o carpinteiro /artesão /camponês" e "o filho de Maria" (= filho de Ninguém!); é também "irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão"; e ainda ficamos a saber que "as suas irmãs" estavam a viver lá entre os fiéis ao Institucional, agarrados ao mito do Israel histórico, mentirosamente, auto-proclamado "Povo eleito de Deus", em detrimento de todos os demais Povos da Terra. Como se vê, o extracto de Marcos que será lido nas missas deste domingo, 5 de Julho 2009, não pode ser, teológica e politicamente, mais subversivo /conspirativo. Mas podem ficar descansadas as pessoas católicas praticantes, que o são do mesmo jeito dos conterrâneos de Jesus, fiéis ao Institucional, sem nunca se questionarem sobre o que fazem, semana após semana, e sem nunca perceberem a Idolatria em que andam metidas, para sua doença e desgraça, em permanente estado de Menoridade e de Opressão, por isso, carne para alimentar o Poder Político e o Poder Religioso /Eclesiástico, mai-los seus chifres políticos e religiosos. E porque podem estar descansados? Porque os párocos que presidem às missas, todos eles zelosos funcionários /mercenários do Institucional eclesiástico - se não fossem, já teriam sido excluídos, expulsos, excomungados, rotulados como loucos e ostracizados pelos chefes-mor do Institucional, que para isso eles existem e vivem vigilantes no terreno - estão universitariamente bem preparados para esconderem a Verdade que o Evangelho de Marcos nos revela, nos põe a nu. Eles próprios, de resto, estão interessados na Mentira do Institucional, porque é graças a ela que eles são o que são, temidos /respeitados /idolatrados /financiados por todos, inclusive, até pelos agnósticos e pelos ateus e pelos não-praticantes que, apesar de o serem, não se ensaiam nada de lhes confiar as filhas e os filhos em idade escolar, para que frequentem as catequeses paroquiais de Mentira, as Missas paroquiais de Mentira, as Confissões e Comunhões solenes paroquiais de Mentira, os Crismas paroquiais de Mentira. E ainda lhes pagam a obrada todos os anos, e o folar pela páscoa, que só para Jesus é que ela foi de Morte Crucificada na Cruz do Império e do Templo coligados, mas para os párocos católicos é rentável negócio, um tal fartar, vilanagem! Além disso, a própria tradução em vernáculo do Evangelho que o Missal Romano impõe como obrigatória para este e os outros domingos do ano, é uma traição de todo o tamanho ao texto original, escrito em grego antigo. Os tradutores das Bíblias para vernáculo, seguem-lhe as pisadas E as traduções que nos vendem são um desastre mortal para quem as lê. Se, depois, quem as lê, lê juntamente as notas explicativas de pé de página, então fica mesmo sem conserto. Nunca mais se encontra. Fica, por toda a vida, na alienação, na Mentira, a mais infantilizadora e a mais castradora. Por essas traduções e por essas notas, fica-se a saber que, afinal, os irmãos e as irmãs de Jesus não são nem uma coisa nem outra. São apenas uns familiares próximos, já que Jesus, "o filho de Maria" é, segundo essas notas de Mentira, filho único, como, de resto, agora está na moda nas famílias dos países do Ocidente, certamente, por contágio, já que os "bons" exemplos da "Sagrada Família" são para serem seguidos... A tradução /traição deste extracto chega ao cúmulo de traduzir os termos gregos do original, dynameis (no plural) e dynamin (no singular) respectivamente por "grandes milagres" e "milagre algum" que Jesus teria feito ou não-feito. Qualquer de nós, minimamente ilustrado, sabe que aqueles termos gregos dão as nossas palavras "dinamismos" , "dinâmicos" (no plural), e "dinamismo", "dinâmico" (no singular). Porque carga de água, na tradução do Evangelho, os tradutores escolheram os termos "grandes milagres" e "milagre algum"? Com esta falcatrua retira-se todo o fecundo e libertador Escândalo que é Jesus, o Ser Humano integral, o que nunca se vendeu, o que nunca traiu, o que nunca se fez Poder Político, nem Poder Religioso, muito menos, Poder Económico-Financeiro. Apenas Ser Humano integral, por toda a vida! Não lhe perdoaram esta ousadia, este atrevimento. Muito menos, lhe perdoaram que ele trabalhasse incansavelmente - é a Missão ao serviço do Reino /Reinado de Deus, ou Ordem Mundial alternativa - para que todos os Povos da Terra fossem também assim, Seres Humanos integrais, simplesmente, o mesmo é dizer, Políticos Praticantes, Protagonistas na História, senhores dos próprios destinos, Povos, no mais íntimo dos quais, saibam-no eles ou não, Deus-Abbá habita e actua, como paradigmaticamente pudemos ver, pelo menos, naquela plenitude, pela primeira e única vez na História, em Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria. Só mesmo na nossa Demência-Demência, é que podemos ir por outro, que não Jesus. Tudo está aí organizado para que vamos por outro. Seremos Sapientes-Sapientes, se formos por Jesus e pelo seu Projecto, pelas suas Práticas Políticas e Económicas Maiêuticas e pelos seus Duelos Teológicos Desarmados. Com alegria. Como quem vê o Invisível que sempre se faz visível, quando O vemos com o coração sapiente-sapiente. Já sabem. É por esta via da "porta estreita", a de Jesus, a da Política Praticada, que procuro ir. Não pela via da "porta larga", a do Poder Político e a do Poder Religioso /Eclesiástico, menos ainda, a do Poder Económico-Financeiro, a dos chifres que agridem, mentem, caluniam, desprezam, ostracizam, matam na Cruz do Império e do Templo coligados. Venham daí, que não se arrependerão. Seremos Humanos, cada vez mais integralmente. Logo verão por experiência própria.

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2009 JULHO 02

 

O bispo Ilídio Leandro, titular da Diocese de Viseu, mostrou-se radiante na última celebração a que presidiu há dias, na sua catedral. Motivo: Tinha diante dele, para lá dos habituais frequentadores da catedral, três jovens que, nessa celebração, iam ser ordenados por ele presbíteros da Igreja de Viseu, mais outros dois jovens que estão já à beira da ordenação presbiteral, e ainda dois homens casados que iniciaram o percurso para a almejada ordenação de diácono permanente. À primeira vista, o bispo Ilídio tem razões de sobra para estar radiante. A Diocese de Viseu é pequena em território e, neste particular, faz ver às grandes dioceses, como Braga, Porto ou Lisboa. Parece que os jovens do interior do país se mostram mais disponíveis para o ministério ordenado na Igreja, do que os jovens das grandes cidades. Li a homilia do bispo Ilídio Leandro e não vibrei com a sua vibração. E não é, certamente, por não ter estado lá, ao vivo, na celebração. Acho, até, a vibração do bispo despropositada. Francamente, esperava mais dele, sobretudo, depois de certas declarações suas, bem recentes, com sabor a alguma saudável dissidência episcopal, em relação a certas posições disciplinares moralistas da Cúria Romana e do seu actual chefe, o papa Bento XVI. Terei de continuar a esperar. E é bem provável que tenha de esperar sempre, sem nunca chegar a ver, da parte do bispo Ilídio Leandro, passos ousados, próprios de quem se diz, como ele se diz, habitado pela plenitude do Sacramento da Ordem e, consequentemente, do mesmo Sopro, ou Espírito que habitou Jesus. A razão é simples. É que o bispo Ilídio Leandro, enquanto titular da diocese de Viseu, preside à Igreja que está em Viseu, mas a sua é sempre uma presidência própria de um vassalo da Cúria Romana e do seu actual chefe, o papa Bento XVI. Não é uma presidência soberana, no mesmo Espírito de Jesus. Deveria ser. Mas não é. Enquanto a Cúria Romana existir como cúpula do Poder Eclesiástico - é uma aberração haver Poder Eclesiástico na Igreja que se reclama de Jesus, mas que querem? E não é que nem os bispos que presidem a Igrejas locais são capazes de ver isso? Não é que todos eles passam a vida a filtrar mosquitos e a engolir camelos, e camelos do tamanho da Cúria Romana? - jamais permitirá que os bispos deixem de ser seus vassalos, e passem a presidir com autonomia, no mesmo Espírito de Jesus, à respectiva Igreja local. Teríamos, finalmente, Igreja de Igrejas, como sempre deveria ser a Igreja. Mas para que tal sucedesse, primeiro, teria de morrer e de vez - e ela só morre, se a matarmos - a Cristandade que já dura, há mais de 16 séculos. Nunca ela deveria ter nascido, mas já dura há mais de 16 séculos, sem que os bispos que presidem a Igrejas locais se rebelem contra esse Pecado Institucionalizado. Ora, depois daquelas pequenas dissidências do bispo Ilídio Leandro, o núncio apostólico em Lisboa - uma espécie de chefe de PIDE da Cúria Romana em Portugal, cujo papel principal é vigiar /controlar os bispos, o que eles dizem, o que eles fazem, e mantê-la informada de tudo ao pormenor - deve tê-lo chamado à pedra e advertido. Nem precisou de ser ríspido nessa advertência. Bastou chamá-lo a Lisboa, ou aparecer-lhe pessoalmente em Viseu, sem nenhuma notícia nos jornais e nas tvs, que a Polícia secreta sempre actua sem ninguém saber de nada, ou deixaria de ser secreta. A partir desse momento, o bispo Ilídio Leandro, como vassalo que é da Cúria Romana, já não sabe onde se meter. E faz juras, sobre juras, de que nunca mais cometerá semelhantes "gafes". A partir daí, é um funcionário eclesiástico da Cúria Romana, o funcionário-mor, na Diocese de Viseu. Não é, nunca mais, um bispo da Igreja, habitado /conduzido pelo mesmo Espírito de Jesus. É um bispo mais do mesmo. Sem Boa Notícia. Sem nada que nos surpreenda. Como se não existisse. Limitado a fazer funcionar a empresa eclesiástica, que, assim, sem o mesmo Espírito de Jesus, acaba por ser uma transnacional mais, a maior de todas, porque com sucursais em quase todos os países do Mundo. Não fosse assim, e teríamos visto o bispo Ilídio Leandro mais contido no seu júbilo episcopal, por estar a ordenar de presbíterio três jovens da diocese de Viseu e por ter mais dois a um passo da mesma ordenação e ter dois homens a caminho da ordenação de diáconos casados. E seria mais contido, porquê? Ora, porque, diante de uma tal realidade, o bispo Ilídio Leandro deveria mostrar-se profundamente interpelado por estar ali só com homens na sua frente, e nenhuma mulher, de entre as muitas mulheres baptizadas que são, juntamente com os homens baptizados, a Igreja de Deus que está em Viseu. Assim, o bispo Ilídio Leandro tinha mulheres na celebração, provavelmente, até em muito maior número do que homens, mas nenhuma a caminho do ministério ordenado. Não porque elas não queiram. Não porque o Espírito Santo, o de Jesus, não suscite entre elas a disponibilidade para o ministério ordenado de diácono permanente, de presbítero e de bispo. Simplesmente, porque a Cúria Romana e o seu actual chefe, na esteira dos seus antecessores, não permitem que tal Aconteça na Igreja que, só por isso, deixa de ser Igreja de Jesus, e passa a ser uma empresa transnacional de Religião católica romana, uma espécie de Império Romano prolongado no tempo e no espaço. O meu espanto, de presbítero da Igreja do Porto, é que nem o bispo Ilídio Leandro se dê conta deste pecado. E se apresente cheio de júbilo por ordenar jovens de presbíteros e ter mais dois já na calha, e dois homens casados na calha para serem ordenados diáconos permanentes, quando deveria chorar por não ter nenhuma mulher a caminho do ministério ordenado na Igreja. Nem nunca vir a poder ter, porque a Cúria Romana e o seu chefe de turno, o papa Bento XVI, tal não permitem. O Espírito Santo, o de Jesus, quer, mas os cardeais da Cúria Romana e o papa não querem. E opõem-se abertamente ao Espírito Santo. Sem que os bispos que presidem às respectivas Igrejas locais se rebelem. Nem um para amostra. Todos se comportam como vassalos da Cúria Romana e do papa. Nenhum ousa dizer como a Igreja do princípio disse aos sumos sacerdotes ou sumos pontífices do Templo de Jerusalém, "mais vale obedecer a Deus, do que aos homens". Aos homens do Poder, entenda-se, que é o que são, sempre foram, os cardeais da Cúria Romana e o papa de turno. Mas o meu espanto de presbítero da Igreja do Porto não se fica por aqui. Alarga-se também aos três jovens que foram ordenados de presbítero nessa celebração. E aos outros dois que estão em vias de o virem a ser. Alarga-se igualmente aos dois homens casados que se preparam para serem ordenados de diácono permanente. Todos avançaram e estão a avançar sem quererem saber das mulheres católicas da mesma idade que estão proibidas de avançar, mesmo que o Espírito Santo, o de Jesus, as chame ao ministério ordenado. Até os dois homens casados aceitam continuar a avançar sem se fazerem acompanhar, nesse mesmo passo, das respectivas mulheres /esposas, quando o Sacramento do Matrimónio que ambos celebraram e estão a viver todos os dias, diz inequivocamente que os dois são uma só carne que Poder algum, Eclesiástico que se diga, jamais poderá separar. Mas, aqui, separa. O que perfaz mais uma aberração de todo o tamanho. Quem não vê que é assim como eu aqui digo? Ora, porque vejo as coisas assim, não comungo do júbilo do bispo Ilídio Leandro. Jubilaria, até ao canto e à dança, se visse o bispo de Viseu, em saudável dissidência, ordenar de presbítero e de diácono permanente, jovens mulheres, lado a lado com os jovens homens, e as duas esposas dos dois homens casados, lado a lado com eles. Roma cair-lhe-ia em cima, eu sei. Mas o Bispo da Igreja de Deus que está em Viseu é ele. Não são os cardeais da Cúria Romana, nem o papa, que é o bispo da Igreja de Deus que está em Roma. Poderia ser irradiado, interdito, excomungado. Mas abria o caminho que nunca mais seria fechado, se, entretanto, os outros bispos que presidem às respectivas Igrejas locais, lhe seguissem o exemplo. A decisão tinha tudo de Subversão e de Conspiração. A Subversão e a Conspiração do Espírito Santo, o de Jesus. Quando os bispos que presidem a Igrejas locais forem por esta via, a de Jesus, saibam que eu sairei para a Rua, com o meu corpo cheio de Canto e de Dança. E, de certeza, não estarei sozinho nessa Festa!

P.S.

Não acham um vómito o que estão a fazer com o "rei" (!?) Michael Jackson? A atribulada vida dele foi o que foi e, agora, nem depois dele ter morrido, têm um pouco de respeito pela sua memória?! Do que o Dinheiro é capaz! Uf! Felizes os que decidem ser pobres, por toda a vida. Deles é a Paz /Espada que abre caminhos na Treva e na Demência-Demência generalizada /globalizada. Quando é que chegaremos a esta Sapiência-Sapiência de sermos todos pobres, ou não-ricos, por opção e por toda a vida?!

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2009 JULHO 01

 

 A arquidiocese de Braga tem um novo bispo auxiliar. Manuel Linda, de seu nome completo, Manuel da Silva Rodrigues Linda, 53 anos de idade, deixa a diocese de Vila Real, onde era reitor do Seminário, Vigário Episcopal para a Cultura e Coordenador da Pastoral da Diocese, para passar a ser bispo auxiliar da arquidiocese de Braga. Por este andar, a nossa Igreja católica corre sérios riscos de ter bispos e de não ter presbíteros, quando os presbíteros, muito mais do que os bispos, é que são necessários. Os bispos, pelo menos, no actual figurino, oriundo do imperador Constantino (século IV), o principal fundador da Cristandade Ocidental /Imperial, cujos primeiros Concílios Ecuménicos ele próprio convocou, presidiu, aprovou as decisões neles tomadas, difundiu-as por toda a Ecumene de então e deu-lhes carácter de obrigatoriedade, sob pena de excomunhão e de expropriação dos bens dos refractários, são sobretudo, quando bispos residenciais à frente de um determinado território, Poder eclesiástico, em tudo semelhantes aos espinheiros que não produzem frutos que se comam, mas apenas espinhos e abrolhos. Dói-me o coração, sempre que um presbítero da Igreja, convidado para ser bispo, logo atira o seu ministério de presbítero às urtigas e corre a agarrar com ambas as mãos o báculo e a mitra, mais o anel e a cruz peitoral de bispo. Quase sempre começa pelo degrau de bispo auxiliar, mas já na esperança de passar ao degrau superior, o de bispo residencial, de preferência, numa diocese das maiores e de mais nome. Nada de serem, por exemplo, pelo resto da sua vida, bispo de Viseu, ou de Vila Real, ou mesmo das Forças Armadas e de Segurança. Acenem-lhes com a diocese de Leiria-Fátima, de Braga, do Porto, ou de Lisboa, e é vê-los logo a voar para esses feudos do Poder Eclesiástico. Parece disponibilidade e generosidade. É ambição. O Poder, mesmo Eclesiástico, é sedutor. Tem tanto de sedutor como de descriador do Humano. Mas Humano é coisa que quase ninguém hoje quer ser. Queremos ser deuses, entenda-se, ídolos, Poder, e Poder dos poderes. Nem os presbíteros da Igreja resistem à sedução do Poder. Pelo contrário, quando aliciados, seduzidos, contactados, abrem logo as pernas, como prostitutas /prostitutos de serviço, e deixam-se enrolar por ele, dão logo o nó, o sim. É sempre a actualização daquele momento tentador que diz, "Tudo te darei, se, prostrado, me adorares". E os presbíteros da Igreja, em lugar de prosseguirem a mesma postura de Jesus, o Humano até ao limite e para lá do limite, e gritarem, como ele "Retira-te da minha frente, Tentador!", ficam tão encandeados por tanto brilho e tanta gente submissa a seus pés, que logo respondem, Sim, eis-me aqui, utiliza-me, sou todo teu. Pensam, na sua cegueira e na sua demência-demência, que estão a dizer Sim a Deus, e estão a dizer Sim ao Ídolo que logo se apodera deles e faz deles gato-sapato. Veste-os com os seus macabros adereços, o que faz deles mascarados ambulantes, bonecos articulados, actores-bajuladores do papa e da Cúria Romana, pelo resto da vida, nunca mais eles próprios, nunca mais simplesmente humanos. O bilhete de identidade deles continuará a dizer que eles são filhos de Fulana e de Fulano. Na verdade, são filhos da outra, do outro, a mãe e o pai do Poder, a Grande Prostituta, o Grande Prostituto. Na carta que escreveu aos seus súbditos diocesanos, a dar-lhes a notícia de que passam a ter mais um bispo auxiliar para sustentar e aplaudir, o arcebispo Jorge Ortiga, titular de Braga, diz, a dado passo: Sabemos que juntos conseguiremos colocar o fermento da Palavra nas realidades terrestres, tornando visível o Amor de Deus perante este povo profundamente marcado por uma religiosidade cristã intensa, mas ansiosa dum encontro mais personalizado com Cristo. Os sacerdotes serão os nossos imprescindíveis colaboradores. É, manifestamente, o Poder Eclesiástico, em toda a sua dimensão Episcopal, a falar. Também há a dimensão Paroquial do Poder Eclesiástico, não menos perversa que a Episcopal, não menos descriadora do Humano que a Episcopal, por vezes, até mais, porque Poder Eclesiástico-Paroquial-vassalo-do-Poder-Episcopal, é ainda mais atreito a subterfúgios, habilidades, mentiras e a tiques autoritários sobre populações amedrontadas, sem pensamento teológico próprio, totalmente, à mercê do pároco-que-lhes-saiu-na-rifa e à mercê das suas arbitrariedades de trazer por casa ou pela aldeia. O arcebispo, que nunca chega a falar de Jesus, nesta sua carta, apenas de Cristo, o mítico Cristo do Império Romano, fundamento e justificação do seu Poder Episcopal, é o primeiro a reconhecer que a população do seu território diocesano é uma população profundamente marcada por uma religiosidade cristã intensa. Sem querer, fugiu-lhe a boca, ou a mão que escreveu, para a verdade. A população do seu território continua ainda por Evangelizar. Apenas tem uma intensa religiosidade cristã-pagã, a que vem do tempo do Império Romano e, depois, da Cristandade Ocidental Imperial que o prosseguiu, quando ele implodiu. De Jesus, o Crucificado na Cruz do Império e do Templo coligados, a população da diocese de Braga nem sabe que existiu. Sabe apenas, e muito vagamente, do mítico Cristo que o Império impôs urbi et orbi e que ainda hoje permanece nos genes das nossas populações em geral, não-ilustradas e ilustradas, ambas por Evangelizar. A da diocese de Braga é o protótipo duma população profundamente marcada pela religiosidade cristã-pagã, pelos cultos públicos e privados em honra das deusas e dos deuses do Paganismo imperial. O que o arcebispo acrescenta depois é a mais crassa das mentiras, já que a população, ao contrário do que ele escreve, não está nada ansiosa dum encontro mais personalizado com Cristo. E como poderia ela estar, se o Cristo de que ele fala, é totalmente mítico, não tem nada de Humano, de ser real, não é histórico? Histórico, real, de carne e osso, e com Práticas Maiêuticas e Duelos Teológicos Desarmados, é Jesus, o carpinteiro-camponês da Galileia, o filho de Maria, esse mesmo que acabou enjeitado como louco pela família mais próxima, e Crucificado na Cruz do Império e do Templo coligados, como o Maldito de Deus. Deste Jesus e do seu Projecto de Reino /Reinado de Deus, ainda a edificar na História e que carece de obreiros que nessa edificação dêem o seu melhor, como alternativa ao reino /reinado do Império, hoje o Império Financeiro Global, nem o arcebispo de Braga e presidente da Conferência Episcopal quer saber, quanto mais a população do seu território diocesano. Tirem-lhe, a esta população, a senhora do Sameiro, o S. Bentinho da Porta Aberta, o Bom-Jesus, as igrejas e as capelas, as imagens das deusas e dos deuses, a semana-santa, as procissões de velas, a santinha de Balazar, a senhora de Fátima, as promessas e as romarias, as tradições dos antigos, as missas e as catequeses com as suas vaidades festivas, e o que fica? Só que tudo isto, que o arcebispo chama de religiosidade cristã, e que eu digo, pagã, é Alienação, é Perverso, é Ópio, mas é isso, apenas isso, que a população residente no território da diocese quer que perdure e se alimente, de geração em geração. O novo bispo auxiliar é neste ninho de víboras que vai cair e perder-se como Humano. Um ninho de víboras, carregadas de veneno mortal, que é, afinal, toda essa intensa /fanática religiosidade cristã /pagã, mítica, bem nos antípodas das Práticas Políticas e Económicas Maiêuticas de Jesus, e dos seus Duelos Teológicos Desarmados contra a Idolatria, que lhe mereceram a morte na Cruz do Império e do Templo coligados. Ele vai alimentar toda esta religiosidade. Vai ser um dos grandes sacerdotes desta religiosidade. Melhor fora, por isso, que não tivesse nascido. É caso para dizer /chorar: para o que uma mãe cria um filho, quando, mais tarde, esse filho desiste de ser Humano, para se fazer Poder Eclesiástico Episcopal. Eu sei que a mãe do novo bispo, se ainda for viva, será também aliciada para sentir muito orgulho neste seu filho, Poder Eclesiástico Episcopal. Porque o Poder, para além de perverso, é também mentiroso. E engana até as mães que pariram um filho Humano e leva-as a pensar que ele, ao crescer em Poder, fica mais Humano, quando, na verdade, fica tal e qual o pai que o pariu, mentiroso e assassino, chulo, espinheiro, privilégio, ídolo. Parte-se-me o coração de presbítero da Igreja do Porto, perante espectáculos destes, perante descriações do Humano como esta. Porque o nosso século XXI precisa, como de pão para a boca, de presbíteros maiêuticos, mulheres e homens, e de bispos maiêuticos, mulheres e homens. Em vez disso, dão-nos mais Poder Eclesiástico Episcopal e Paroquial. De modo que, em lugar de crescermos em Sabedoria e em Graça, em Maioridade e em Liberdade, diminuímos no Humano e acabamos que nem lesmas e minhocas, ou então, seres agressivos, violentos, mentirosos, corruptos, egoístas, assassinos. Malhas que o Poder Eclesiástico tece.

Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para padremario@sapo.pt

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