2009 JULHO 03
Manuel Pinho acaba de
perder o lugar de ministro da Economia do
Governo socratino. O seu chefe no Executivo
do país, politicamente muito pior do que
ele, e muito mais politicamente prejudicial
para o país do que ele, demitiu-o quase em
directo na tv, durante o debate do estado da
nação, ontem, no Parlamento. Demitiu-o. Não
se demitiu. Que ele, o primeiro-ministro,
pode demitir os ministros. Não pode ser
demitido por nenhum deles. Nem por eles
todos juntos. É como o papa de Roma. Pode
exonerar /excomungar /suspender quem quiser,
até os outros bispos que presidem às Igrejas
locais. Não pode ser exonerado /demitido
/excomungado por ninguém. Nem por Deus, que
até em Deus, o da Cúria Romana, não o de
Jesus, obviamente, o papa de Roma manda!
Manuel Pinho perdeu o lugar e a pasta da
economia. Mas, em troca, ganhou, para já, um
par de chifres que ele próprio, em pleno
debate no Parlamento, colocou na sua testa,
um de cada lado, num gesto, cuja fotografia,
para nossa vergonha nacional, está a correr
mundo e faz, naturalmente, manchete nos
matutinos portugueses de hoje. A fotografia
é a mais eloquente imagem do Governo
socratino que tem dado cabo do país.
Impunemente. Todo o Governo deveria
demitir-se, juntamente com Manuel Pinho. Não
se demitiu. O Poder Politico é assim.
Mentiroso, perverso, hipócrita, assassino.
Nenhuma fotografia diz mais e melhor tudo o
que o Poder Político é, do que a fotografia
do gesto do agora ex-ministro Manuel Pinho.
Não foi Manuel Pinho que ganhou um par de
chifres. Ele apenas explicitou em gesto
pessoal o que o Poder Político, todo o Poder
Político, é. Também o Poder Político da
chamada Oposição, que só o é, porque quer, a
todo o custo, derrubar o Executivo, não para
acabar com ele de vez, mas para ser
Executivo em vez dele, o que sempre rende
mais uns milhares de euros por mês e muitos
mais privilégios /mordomias, até ao fim da
vida de quantos um dia foram o Executivo do
país. Basta olharmos para todos os
ex-governos do país, os lugares que passaram
a ocupar, depois que se tornaram
ex-governos. Os deputados da Oposição, do
PSD ao CDS e aos Verdes, porque Poder
Político em exercício na Oposição, são todos
da mesma natureza, sem tirar nem pôr. Todos,
assumam-no ou não, são Manuel Pinho. Todos
são, sem tirar nem pôr, os principais
chifres políticos do Poder
Económico-Financeiro, no Executivo ou na
Oposição. Não pensem que algum deles se
aproveita. Nenhum deles se aproveita, da
Esquerda à Direita. Todos são os chifres
políticos do Poder Económico-Financeiro,
mais rendilhados, se da Esquerda, chame-se
Louçã ou Jerónimo, mais brutos, se da
Direita, chame-se Sócrates, ou Manuela
Ferreira Leite. Nenhum tem salvação. Porque
são todos, mais camuflados ou mais
explícitos, os chifres políticos do Poder
Económico-Financeiro que nos descria e
devora a alma, a identidade humana. Sei que
escandalizo com estas minhas palavras. E
que, por as escrever, ganharei ainda mais
inimigos. Porque, infelizmente, não
suportamos a Verdade que, se amada
/praticada por nós, nos faz livres. Tão
pouco suportamos a Liberdade, que vem como
fruto natural da Verdade amada /praticada.
Preferimos a Mentira. Amamos /praticamos a
Mentira que nos faz oprimidos,
subservientes, vassalos. Escravos, mas em
segurança. A viver a vida toda, na Prisão,
mas em segurança. E, quando se prefere a
segurança, a rotina, o sempre-o-mesmo, todos
os dias, a tudo o mais, não suportamos a
Liberdade que vem como fruto natural da
Verdade amada /praticada. Estas minhas
palavras, se acolhidas /praticadas,
conduzem-nos pela via da "porta estreita",
pela qual só entram os que optaram por ser
pobres ou não-ricos, por toda a vida. Por
outras palavras, os que optaram por ser
Humanos, simplesmente Humanos, e por toda a
vida. É a via da "porta estreita" que poucos
acertam com ela e menos ainda aceitam entrar
por ela. A esmagadora maioria prefere a via
da "porta larga", tão larga, quanto as suas
ambições. Tornam-se monstros, se lhes derem
oportunidade para isso, mas monstros que
impõem reverência, culto, vénias. São
monstros com o mundo inteiro a seus pés. À
excepção dos que todos os dias frequentam a
via da "porta estreita", que lhes resistem e
os denunciam. São ricos, são poderosos, são
clérigos, são reverenciados, são temidos,
são cultuados, são idolatrados pelas
populações, mas são monstros. São um
desastre do tamanho dos seus privilégios, da
sua fortuna, do seu Poder. Não lhes invejo o
estatuto de que usufruem. Choro a sua
desgraça, a sua desumanidade, a sua
acelerada Descriação Humana. Infelizes que
são! Não pensem que estou sozinho neste meu
pensar-viver assim. Posso ter contra mim,
mais de meio Mundo, ou mesmo (quase) todo o
Mundo, mas não estou sozinho. O extracto do
Evangelho (Marcos 6, 1-6) que será lido nas
missas de domingo, 5 de Julho 2009, o 14.º
Domingo do Tempo Comum, no dizer do
Calendário Litúrgico da Igreja católica
romana, é por aqui, por esta via da "porta
estreita" que vai. Por isso é que é o
Evangelho, ou a Boa Notícia. De Deus, o de
Jesus. Não de Deus, o do Império e do Templo
coligados. Um e outro, cada qual ao seu
jeito, sempre ao incondicional serviço do
Senhor Dinheiro que os financia e os descria
como Humanos, dia e noite, até ficarem
mercenários, sem entranhas, sem afectos. Até
ficarem chifres políticos e religiosos
/eclesiásticos do Senhor Dinheiro, o Poder
Económico-Financeiro, omnipotente,
omnipresente, omnisciente. Chifres em acção
e em movimento. Não Seres Humanos integrais.
Por isso, todos eles ferem, agridem,
amedrontam, subjugam, roubam, descriam,
oprimem e, finalmente, matam, quem se atreve
a ir pela via da "porta estreita" e lhes diz
que eles, em toda a sua opulência e
idolatria, são monstros, são assassinos. O
extracto é do Evangelho de Marcos, o
Evangelho mais incómodo para as Igrejas
todas. Porque nos testemunha Jesus, o da
"porta"estreita", quase em directo. E as
Igrejas, em particular, as suas hierarquias,
do que mais gostam é de frequentarem a
"porta larga" do Poder Eclesiástico e dos
Privilégios. Como tal, não podem com Jesus,
muito menos, com o Jesus do Evangelho de
Marcos, assim tão integralmente Humano e que
nos é apresentado quase em directo. Neste
extracto, Marcos constrói a narrativa
teológica da ida de Jesus à sua terra, a
Palestina, no seu todo, não apenas o pequeno
povoado de Nazaré, onde havia nascido,
trinta e poucos anos antes. É a segunda vez
que Jesus, em narrativa teológica, vai à sua
terra. Desta vez, é já depois de ter
constituído o grupo dos Doze que,
simbolicamente, representava então o novo
Israel, não apenas o Israel dos Judeus, mas
o de todos os Povos do Mundo. O gesto
político e teológico, ao contrário do gesto
de ontem, do então ainda ministro Manuel
Pinho, tem tudo de Abraço Universal,
Cósmico, até. Tem tudo de Ternura. Tem tudo
de integralmente Humano. Não tem nada de
chifres, não tem nada de Poder de um Povo
sobre os outros Povos, de um Homem /uma
Mulher sobre os outros homens /outras
mulheres. Não tem nada de agressão, de
violência, de exclusão. Vejam que até os
seus familiares de sangue, mãe incluída e
irmãos, perante esse gesto político e
teológico simbólico, subversivo
/conspirativo até mais não, saem todos em
busca de Jesus, para o deterem /amarrarem
como louco varrido, um louco, social e
politicamente, perigoso. A narrativa
teológica conta que Jesus, seguido pelos
discípulos, esperou pela chegada do sábado,
quando todos os Judeus, fiéis ao
Institucional, se congregavam lá (hoje,
diríamos, os fiéis à Cúria Romana e ao seu
chefe, e fiéis ao Império Financeiro, sempre
os mais perigosos, porque também os mais
fanáticos e mesmo mafiosos, ainda que eles
próprios se tenham na conta de que são as
melhores pessoas do Mundo!)). O congregar-se
lá era obrigatório, sob pena de excomunhão
/exclusão social. Jesus foi ao encontro
deles, para ensinar. Que atrevimento! Ir à
Sinagoga da sua terra ensinar, em lugar de
ser ensinado. Seria como hoje ir à missa ao
domingo pregar, em lugar de ir ouvir a
pregação do pároco ou do bispo residencial,
ou do papa de Roma! A Sinagoga, aqui no
relato, está por todas as sinagogas dos
Judeus espalhadas pelo país, a sua terra, e
pela diáspora, a terra dos não-Judeus. Os
Judeus estão aqui, na narrativa, por todos
os Judeus fiéis, que a frequentam todos os
sábados. A Lei de Moisés assim o dizia e
impunha. A sua entrada na Sinagoga - o
Institucional oficial - depois de ter
simbolicamente criado o Israel alternativo,
isto é, depois de ter destruído
simbolicamente o mito do Israel histórico,
que se via a si mesmo como o único Povo de
Deus, como o único Povo eleito de Deus e, em
seu lugar, ter criado o novo Israel de Deus,
que inclui todos os Povos da Terra, sem
exclusão de nenhum, já que todos, e não só o
Povo Judeu, são o Povo eleito /amado de
Deus, foi um escândalo intolerável em todo o
Israel. Foi como um tsunami político e
teológico, que fez implodir por completo a
Sinagoga, isto é, o Institucional e, com
ele, o Israel histórico, tal como ele até
então se auto-concebia. Jesus podia ter sido
de imediato assassinado, ali mesmo. Não foi.
Fizeram-lhe ainda pior. Desprezaram-no.
Trataram-no abaixo de cão. Como um filho de
Ninguém, que nem pai tinha. Como um louco
varrido. A partir daí, diga ele o que
disser, faça ele o que fizer, não é para ser
tomado a sério pelos do Institucional e,
mesmo pelos outros, sempre sedentos de algum
Institucional, laico que seja. É um louco,
dizem todos à uma. E está tudo dito. Para
mais, um louco desarmado, inofensivo, um
louco carregado de Ternura, como um
menino-servo, todo Entranhas de Humanidade,
todo Deus-Abbá-connosco-e-entre-nós
(é o que quer dizer a designação hebraica
/aramaica "filho de"). Por isso, totalmente,
inofensivo. Ora, perante alguém assim,
sem-Poder, sem-o-Institucional a cobri-lo,
Humano simplesmente, o Desprezo é a arma de
todos os que se têm por chico-espertos. E o
Desprezo mata mais do que a própria Morte, à
excepção da Morte Crucificada na Cruz do
Império e do Templo coligados. Que esta,
naquela cultura e naquela teologia, a da Lei
de Moisés, era a única que tornava "Maldito"
o homem que morresse nela. E, ser maldito,
era mais, muto mais do que ser morto. Era
ser para sempre banido da face da terra e,
até, da memória dos Povos. Nunca mais
semelhante nome seria pronunciado /lembrado
por nenhuma boca, nem mesmo pelos seus
familiares de sangue, os primeiros a
recusar-se a pronunciá-lo /lembrá-lo. É o
que os Judeus, conterrâneos de Jesus, fiéis
ao Institucional que ele havia
simbolicamente derrubado /abolido
/destruído, com a criação do grupo dos Doze
ou novo Israel que inclui todos os Povos da
Terra como o Povo eleito de Deus Criador,
nosso Abbá comum, lhe fazem. Desprezo
total. Até que chegue a Hora de os sumos
sacerdotes, seus máximos representantes, o
matarem na Cruz do Império e do Templo
coligados, numa aliança de Monstros, em que
a Besta do Poder Político e do Poder
Religioso mostra os seus chifres políticos
/idolátricos, na sua máxima potência
assassina. Essa Hora chegou, meses depois,
em Abril do ano 30 desta nossa era comum. E
ainda perdura, século XXI e terceiro milénio
além, sob outras formas, sob outros
disfarces. Mas com os mesmos chifres
políticos /religiosos /idolátricos,
mentirosos, assassinos, descriadores do
Humano. Neste desprezo total, ficamos a
saber, para alegria dos Empobrecidos e dos
Oprimidos do Mundo, e para vergonha dos do
Poder Político e do Poder Eclesiástico e dos
seus súbditos, que Jesus é "o carpinteiro
/artesão /camponês" e "o filho de Maria" (=
filho de Ninguém!); é também "irmão de
Tiago, de José, de Judas e de Simão"; e
ainda ficamos a saber que "as suas irmãs"
estavam a viver lá entre os fiéis ao
Institucional, agarrados ao mito do Israel
histórico, mentirosamente, auto-proclamado
"Povo eleito de Deus", em detrimento de
todos os demais Povos da Terra. Como se vê,
o extracto de Marcos que será lido nas
missas deste domingo, 5 de Julho 2009, não
pode ser, teológica e politicamente, mais
subversivo /conspirativo. Mas podem ficar
descansadas as pessoas católicas
praticantes, que o são do mesmo jeito dos
conterrâneos de Jesus, fiéis ao
Institucional, sem nunca se questionarem
sobre o que fazem, semana após semana, e sem
nunca perceberem a Idolatria em que andam
metidas, para sua doença e desgraça, em
permanente estado de Menoridade e de
Opressão, por isso, carne para alimentar o
Poder Político e o Poder Religioso
/Eclesiástico, mai-los seus chifres
políticos e religiosos. E porque podem estar
descansados? Porque os párocos que presidem
às missas, todos eles zelosos funcionários
/mercenários do Institucional eclesiástico -
se não fossem, já teriam sido excluídos,
expulsos, excomungados, rotulados como
loucos e ostracizados pelos chefes-mor do
Institucional, que para isso eles existem e
vivem vigilantes no terreno - estão
universitariamente bem preparados para
esconderem a Verdade que o Evangelho de
Marcos nos revela, nos põe a nu. Eles
próprios, de resto, estão interessados na
Mentira do Institucional, porque é graças a
ela que eles são o que são, temidos
/respeitados /idolatrados /financiados por
todos, inclusive, até pelos agnósticos e
pelos ateus e pelos não-praticantes que,
apesar de o serem, não se ensaiam nada de
lhes confiar as filhas e os filhos em idade
escolar, para que frequentem as catequeses
paroquiais de Mentira, as Missas paroquiais
de Mentira, as Confissões e Comunhões
solenes paroquiais de Mentira, os Crismas
paroquiais de Mentira. E ainda lhes pagam a
obrada todos os anos, e o folar pela páscoa,
que só para Jesus é que ela foi de Morte
Crucificada na Cruz do Império e do Templo
coligados, mas para os párocos católicos é
rentável negócio, um tal fartar, vilanagem!
Além disso, a própria tradução em vernáculo
do Evangelho que o Missal Romano impõe como
obrigatória para este e os outros domingos
do ano, é uma traição de todo o tamanho ao
texto original, escrito em grego antigo. Os
tradutores das Bíblias para vernáculo,
seguem-lhe as pisadas E as traduções que nos
vendem são um desastre mortal para quem as
lê. Se, depois, quem as lê, lê juntamente as
notas explicativas de pé de página, então
fica mesmo sem conserto. Nunca mais se
encontra. Fica, por toda a vida, na
alienação, na Mentira, a mais
infantilizadora e a mais castradora. Por
essas traduções e por essas notas, fica-se a
saber que, afinal, os irmãos e as irmãs de
Jesus não são nem uma coisa nem outra. São
apenas uns familiares próximos, já que
Jesus, "o filho de Maria" é, segundo essas
notas de Mentira, filho único, como, de
resto, agora está na moda nas famílias dos
países do Ocidente, certamente, por
contágio, já que os "bons" exemplos da
"Sagrada Família" são para serem seguidos...
A tradução /traição deste extracto chega ao
cúmulo de traduzir os termos gregos do
original, dynameis (no plural) e
dynamin (no singular) respectivamente
por "grandes milagres" e "milagre algum" que
Jesus teria feito ou não-feito. Qualquer de
nós, minimamente ilustrado, sabe que aqueles
termos gregos dão as nossas palavras
"dinamismos" , "dinâmicos" (no plural), e
"dinamismo", "dinâmico" (no singular).
Porque carga de água, na tradução do
Evangelho, os tradutores escolheram os
termos "grandes milagres" e "milagre algum"?
Com esta falcatrua retira-se todo o fecundo
e libertador Escândalo que é Jesus, o Ser
Humano integral, o que nunca se vendeu, o
que nunca traiu, o que nunca se fez Poder
Político, nem Poder Religioso, muito menos,
Poder Económico-Financeiro. Apenas Ser
Humano integral, por toda a vida! Não lhe
perdoaram esta ousadia, este atrevimento.
Muito menos, lhe perdoaram que ele
trabalhasse incansavelmente - é a Missão ao
serviço do Reino /Reinado de Deus, ou Ordem
Mundial alternativa - para que todos os
Povos da Terra fossem também assim, Seres
Humanos integrais, simplesmente, o mesmo é
dizer, Políticos Praticantes, Protagonistas
na História, senhores dos próprios destinos,
Povos, no mais íntimo dos quais, saibam-no
eles ou não, Deus-Abbá habita e
actua, como paradigmaticamente pudemos ver,
pelo menos, naquela plenitude, pela primeira
e única vez na História, em Jesus, o
carpinteiro, o filho de Maria. Só mesmo na
nossa Demência-Demência, é que podemos ir
por outro, que não Jesus. Tudo está aí
organizado para que vamos por outro. Seremos
Sapientes-Sapientes, se formos por Jesus e
pelo seu Projecto, pelas suas Práticas
Políticas e Económicas Maiêuticas e pelos
seus Duelos Teológicos Desarmados. Com
alegria. Como quem vê o Invisível que sempre
se faz visível, quando O vemos com o coração
sapiente-sapiente. Já sabem. É por esta via
da "porta estreita", a de Jesus, a da
Política Praticada, que procuro ir. Não pela
via da "porta larga", a do Poder Político e
a do Poder Religioso /Eclesiástico, menos
ainda, a do Poder Económico-Financeiro, a
dos chifres que agridem, mentem, caluniam,
desprezam, ostracizam, matam na Cruz do
Império e do Templo coligados. Venham daí,
que não se arrependerão. Seremos Humanos,
cada vez mais integralmente. Logo verão por
experiência própria.
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para padremario@sapo.pt
COMENTÁRIOS:
2009 JULHO 02
O bispo Ilídio Leandro,
titular da Diocese de Viseu, mostrou-se
radiante na última celebração a que presidiu
há dias, na sua catedral. Motivo: Tinha
diante dele, para lá dos habituais
frequentadores da catedral, três jovens que,
nessa celebração, iam ser ordenados por ele
presbíteros da Igreja de Viseu, mais outros
dois jovens que estão já à beira da
ordenação presbiteral, e ainda dois homens
casados que iniciaram o percurso para a
almejada ordenação de diácono permanente. À
primeira vista, o bispo Ilídio tem razões de
sobra para estar radiante. A Diocese de
Viseu é pequena em território e, neste
particular, faz ver às grandes dioceses,
como Braga, Porto ou Lisboa. Parece que os
jovens do interior do país se mostram mais
disponíveis para o ministério ordenado na
Igreja, do que os jovens das grandes
cidades. Li a homilia do bispo Ilídio
Leandro e não vibrei com a sua vibração. E
não é, certamente, por não ter estado lá, ao
vivo, na celebração. Acho, até, a vibração
do bispo despropositada. Francamente,
esperava mais dele, sobretudo, depois de
certas declarações suas, bem recentes, com
sabor a alguma saudável dissidência
episcopal, em relação a certas posições
disciplinares moralistas da Cúria Romana e
do seu actual chefe, o papa Bento XVI. Terei
de continuar a esperar. E é bem provável que
tenha de esperar sempre, sem nunca chegar a
ver, da parte do bispo Ilídio Leandro,
passos ousados, próprios de quem se diz,
como ele se diz, habitado pela plenitude do
Sacramento da Ordem e, consequentemente, do
mesmo Sopro, ou Espírito que habitou Jesus.
A razão é simples. É que o bispo Ilídio
Leandro, enquanto titular da diocese de
Viseu, preside à Igreja que está em Viseu,
mas a sua é sempre uma presidência própria
de um vassalo da Cúria Romana e do seu
actual chefe, o papa Bento XVI. Não é uma
presidência soberana, no mesmo Espírito de
Jesus. Deveria ser. Mas não é. Enquanto a
Cúria Romana existir como cúpula do Poder
Eclesiástico - é uma aberração haver Poder
Eclesiástico na Igreja que se reclama de
Jesus, mas que querem? E não é que nem os
bispos que presidem a Igrejas locais são
capazes de ver isso? Não é que todos eles
passam a vida a filtrar mosquitos e a
engolir camelos, e camelos do tamanho da
Cúria Romana? - jamais permitirá que os
bispos deixem de ser seus vassalos, e passem
a presidir com autonomia, no mesmo Espírito
de Jesus, à respectiva Igreja local.
Teríamos, finalmente, Igreja de Igrejas,
como sempre deveria ser a Igreja. Mas para
que tal sucedesse, primeiro, teria de morrer
e de vez - e ela só morre, se a matarmos - a
Cristandade que já dura, há mais de 16
séculos. Nunca ela deveria ter nascido, mas
já dura há mais de 16 séculos, sem que os
bispos que presidem a Igrejas locais se
rebelem contra esse Pecado
Institucionalizado. Ora, depois daquelas
pequenas dissidências do bispo Ilídio
Leandro, o núncio apostólico em Lisboa - uma
espécie de chefe de PIDE da Cúria Romana em
Portugal, cujo papel principal é vigiar
/controlar os bispos, o que eles dizem, o
que eles fazem, e mantê-la informada de tudo
ao pormenor - deve tê-lo chamado à pedra e
advertido. Nem precisou de ser ríspido nessa
advertência. Bastou chamá-lo a Lisboa, ou
aparecer-lhe pessoalmente em Viseu, sem
nenhuma notícia nos jornais e nas tvs, que a
Polícia secreta sempre actua sem ninguém
saber de nada, ou deixaria de ser secreta. A
partir desse momento, o bispo Ilídio
Leandro, como vassalo que é da Cúria Romana,
já não sabe onde se meter. E faz juras,
sobre juras, de que nunca mais cometerá
semelhantes "gafes". A partir daí, é um
funcionário eclesiástico da Cúria Romana, o
funcionário-mor, na Diocese de Viseu. Não é,
nunca mais, um bispo da Igreja, habitado
/conduzido pelo mesmo Espírito de Jesus. É
um bispo mais do mesmo. Sem Boa Notícia. Sem
nada que nos surpreenda. Como se não
existisse. Limitado a fazer funcionar a
empresa eclesiástica, que, assim, sem o
mesmo Espírito de Jesus, acaba por ser uma
transnacional mais, a maior de todas, porque
com sucursais em quase todos os países do
Mundo. Não fosse assim, e teríamos visto o
bispo Ilídio Leandro mais contido no seu
júbilo episcopal, por estar a ordenar de
presbíterio três jovens da diocese de Viseu
e por ter mais dois a um passo da mesma
ordenação e ter dois homens a caminho da
ordenação de diáconos casados. E seria mais
contido, porquê? Ora, porque, diante de uma
tal realidade, o bispo Ilídio Leandro
deveria mostrar-se profundamente interpelado
por estar ali só com homens na sua frente, e
nenhuma mulher, de entre as muitas mulheres
baptizadas que são, juntamente com os homens
baptizados, a Igreja de Deus que está em
Viseu. Assim, o bispo Ilídio Leandro tinha
mulheres na celebração, provavelmente, até
em muito maior número do que homens, mas
nenhuma a caminho do ministério ordenado.
Não porque elas não queiram. Não porque o
Espírito Santo, o de Jesus, não suscite
entre elas a disponibilidade para o
ministério ordenado de diácono permanente,
de presbítero e de bispo. Simplesmente,
porque a Cúria Romana e o seu actual chefe,
na esteira dos seus antecessores, não
permitem que tal Aconteça na Igreja que, só
por isso, deixa de ser Igreja de Jesus, e
passa a ser uma empresa transnacional de
Religião católica romana, uma espécie de
Império Romano prolongado no tempo e no
espaço. O meu espanto, de presbítero da
Igreja do Porto, é que nem o bispo Ilídio
Leandro se dê conta deste pecado. E se
apresente cheio de júbilo por ordenar jovens
de presbíteros e ter mais dois já na calha,
e dois homens casados na calha para serem
ordenados diáconos permanentes, quando
deveria chorar por não ter nenhuma mulher a
caminho do ministério ordenado na Igreja.
Nem nunca vir a poder ter, porque a Cúria
Romana e o seu chefe de turno, o papa Bento
XVI, tal não permitem. O Espírito Santo, o
de Jesus, quer, mas os cardeais da Cúria
Romana e o papa não querem. E opõem-se
abertamente ao Espírito Santo. Sem que os
bispos que presidem às respectivas Igrejas
locais se rebelem. Nem um para amostra.
Todos se comportam como vassalos da Cúria
Romana e do papa. Nenhum ousa dizer como a
Igreja do princípio disse aos sumos
sacerdotes ou sumos pontífices do Templo de
Jerusalém, "mais vale obedecer a Deus, do
que aos homens". Aos homens do Poder,
entenda-se, que é o que são, sempre foram,
os cardeais da Cúria Romana e o papa de
turno. Mas o meu espanto de presbítero da
Igreja do Porto não se fica por aqui.
Alarga-se também aos três jovens que foram
ordenados de presbítero nessa celebração. E
aos outros dois que estão em vias de o virem
a ser. Alarga-se igualmente aos dois homens
casados que se preparam para serem ordenados
de diácono permanente. Todos avançaram e
estão a avançar sem quererem saber das
mulheres católicas da mesma idade que estão
proibidas de avançar, mesmo que o Espírito
Santo, o de Jesus, as chame ao ministério
ordenado. Até os dois homens casados aceitam
continuar a avançar sem se fazerem
acompanhar, nesse mesmo passo, das
respectivas mulheres /esposas, quando o
Sacramento do Matrimónio que ambos
celebraram e estão a viver todos os dias,
diz inequivocamente que os dois são uma só
carne que Poder algum, Eclesiástico que se
diga, jamais poderá separar. Mas, aqui,
separa. O que perfaz mais uma aberração de
todo o tamanho. Quem não vê que é assim como
eu aqui digo? Ora, porque vejo as coisas
assim, não comungo do júbilo do bispo Ilídio
Leandro. Jubilaria, até ao canto e à dança,
se visse o bispo de Viseu, em saudável
dissidência, ordenar de presbítero e de
diácono permanente, jovens mulheres, lado a
lado com os jovens homens, e as duas esposas
dos dois homens casados, lado a lado com
eles. Roma cair-lhe-ia em cima, eu sei. Mas
o Bispo da Igreja de Deus que está em Viseu
é ele. Não são os cardeais da Cúria Romana,
nem o papa, que é o bispo da Igreja de Deus
que está em Roma. Poderia ser irradiado,
interdito, excomungado. Mas abria o caminho
que nunca mais seria fechado, se,
entretanto, os outros bispos que presidem às
respectivas Igrejas locais, lhe seguissem o
exemplo. A decisão tinha tudo de Subversão e
de Conspiração. A Subversão e a Conspiração
do Espírito Santo, o de Jesus. Quando os
bispos que presidem a Igrejas locais forem
por esta via, a de Jesus, saibam que eu
sairei para a Rua, com o meu corpo cheio de
Canto e de Dança. E, de certeza, não estarei
sozinho nessa Festa!
P.S.
Não acham um vómito o
que estão a fazer com o "rei" (!?) Michael
Jackson? A atribulada vida dele foi o que
foi e, agora, nem depois dele ter morrido,
têm um pouco de respeito pela sua memória?!
Do que o Dinheiro é capaz! Uf! Felizes os
que decidem ser pobres, por toda a vida.
Deles é a Paz /Espada que abre caminhos na
Treva e na Demência-Demência generalizada
/globalizada. Quando é que chegaremos a esta Sapiência-Sapiência
de sermos todos pobres, ou não-ricos, por
opção e por toda a vida?!
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para padremario@sapo.pt
COMENTÁRIOS:
2009 JULHO 01
A arquidiocese de
Braga tem um novo bispo auxiliar. Manuel
Linda, de seu nome completo, Manuel da
Silva Rodrigues Linda, 53 anos de idade,
deixa a diocese de Vila Real, onde era
reitor do Seminário, Vigário Episcopal
para a Cultura e Coordenador da Pastoral
da Diocese, para passar a ser bispo
auxiliar da arquidiocese de Braga. Por
este andar, a nossa Igreja católica
corre sérios riscos de ter bispos e de
não ter presbíteros, quando os
presbíteros, muito mais do que os
bispos, é que são necessários. Os
bispos, pelo menos, no actual figurino,
oriundo do imperador Constantino (século
IV), o principal fundador da Cristandade
Ocidental /Imperial, cujos primeiros
Concílios Ecuménicos ele próprio
convocou, presidiu, aprovou as decisões
neles tomadas, difundiu-as por toda a
Ecumene de então e deu-lhes carácter de
obrigatoriedade, sob pena de excomunhão
e de expropriação dos bens dos
refractários, são sobretudo, quando
bispos residenciais à frente de um
determinado território, Poder
eclesiástico, em tudo semelhantes aos
espinheiros que não produzem frutos que
se comam, mas apenas espinhos e
abrolhos. Dói-me o coração, sempre que
um presbítero da Igreja, convidado para
ser bispo, logo atira o seu ministério
de presbítero às urtigas e corre a
agarrar com ambas as mãos o báculo e a
mitra, mais o anel e a cruz peitoral de
bispo. Quase sempre começa pelo degrau
de bispo auxiliar, mas já na esperança
de passar ao degrau superior, o de bispo
residencial, de preferência, numa
diocese das maiores e de mais nome. Nada
de serem, por exemplo, pelo resto da sua
vida, bispo de Viseu, ou de Vila Real,
ou mesmo das Forças Armadas e de
Segurança. Acenem-lhes com a diocese de
Leiria-Fátima, de Braga, do Porto, ou de
Lisboa, e é vê-los logo a voar para
esses feudos do Poder Eclesiástico.
Parece disponibilidade e generosidade. É
ambição. O Poder, mesmo Eclesiástico, é
sedutor. Tem tanto de sedutor como de
descriador do Humano. Mas Humano é coisa
que quase ninguém hoje quer ser.
Queremos ser deuses, entenda-se, ídolos,
Poder, e Poder dos poderes. Nem os
presbíteros da Igreja resistem à sedução
do Poder. Pelo contrário, quando
aliciados, seduzidos, contactados, abrem
logo as pernas, como prostitutas
/prostitutos de serviço, e deixam-se
enrolar por ele, dão logo o nó, o sim. É
sempre a actualização daquele momento
tentador que diz, "Tudo te darei, se,
prostrado, me adorares". E os
presbíteros da Igreja, em lugar de
prosseguirem a mesma postura de Jesus, o
Humano até ao limite e para lá do
limite, e gritarem, como ele "Retira-te
da minha frente, Tentador!", ficam tão
encandeados por tanto brilho e tanta
gente submissa a seus pés, que logo
respondem, Sim, eis-me aqui, utiliza-me,
sou todo teu. Pensam, na sua cegueira e
na sua demência-demência, que estão a
dizer Sim a Deus, e estão a dizer Sim ao
Ídolo que logo se apodera deles e faz
deles gato-sapato. Veste-os com os seus
macabros adereços, o que faz deles
mascarados ambulantes, bonecos
articulados, actores-bajuladores do papa
e da Cúria Romana, pelo resto da vida,
nunca mais eles próprios, nunca mais
simplesmente humanos. O bilhete de
identidade deles continuará a dizer que
eles são filhos de Fulana e de Fulano.
Na verdade, são filhos da outra, do
outro, a mãe e o pai do Poder, a Grande
Prostituta, o Grande Prostituto. Na
carta que escreveu aos seus súbditos
diocesanos, a dar-lhes a notícia de que
passam a ter mais um bispo auxiliar para
sustentar e aplaudir, o arcebispo Jorge
Ortiga, titular de Braga, diz, a dado
passo: Sabemos que juntos
conseguiremos colocar o fermento da
Palavra nas realidades terrestres,
tornando visível o Amor de Deus perante
este povo profundamente marcado por uma
religiosidade cristã intensa, mas
ansiosa dum encontro mais personalizado
com Cristo. Os sacerdotes serão os
nossos imprescindíveis colaboradores.
É, manifestamente, o Poder Eclesiástico,
em toda a sua dimensão Episcopal, a
falar. Também há a dimensão Paroquial do
Poder Eclesiástico, não menos perversa
que a Episcopal, não menos descriadora
do Humano que a Episcopal, por vezes,
até mais, porque Poder
Eclesiástico-Paroquial-vassalo-do-Poder-Episcopal,
é ainda mais atreito a subterfúgios,
habilidades, mentiras e a tiques
autoritários sobre populações
amedrontadas, sem pensamento teológico
próprio, totalmente, à mercê do
pároco-que-lhes-saiu-na-rifa e à mercê
das suas arbitrariedades de trazer por
casa ou pela aldeia. O arcebispo, que
nunca chega a falar de Jesus, nesta sua
carta, apenas de Cristo, o mítico Cristo
do Império Romano, fundamento e
justificação do seu Poder Episcopal, é o
primeiro a reconhecer que a população do
seu território diocesano é uma população
profundamente marcada por uma
religiosidade cristã intensa. Sem
querer, fugiu-lhe a boca, ou a mão que
escreveu, para a verdade. A população do
seu território continua ainda por
Evangelizar. Apenas tem uma intensa
religiosidade cristã-pagã, a que vem do
tempo do Império Romano e, depois, da
Cristandade Ocidental Imperial que o
prosseguiu, quando ele implodiu. De
Jesus, o Crucificado na Cruz do Império
e do Templo coligados, a população da
diocese de Braga nem sabe que existiu.
Sabe apenas, e muito vagamente, do
mítico Cristo que o Império impôs
urbi et orbi e que ainda hoje
permanece nos genes das nossas
populações em geral, não-ilustradas e
ilustradas, ambas por Evangelizar. A da
diocese de Braga é o protótipo duma
população profundamente marcada pela
religiosidade cristã-pagã, pelos cultos
públicos e privados em honra das deusas
e dos deuses do Paganismo imperial. O
que o arcebispo acrescenta depois é a
mais crassa das mentiras, já que a
população, ao contrário do que ele
escreve, não está nada ansiosa dum
encontro mais personalizado com Cristo.
E como poderia ela estar, se o Cristo de
que ele fala, é totalmente mítico, não
tem nada de Humano, de ser real, não é
histórico? Histórico, real, de carne e
osso, e com Práticas Maiêuticas e Duelos
Teológicos Desarmados, é Jesus, o
carpinteiro-camponês da Galileia, o
filho de Maria, esse mesmo que acabou
enjeitado como louco pela família mais
próxima, e Crucificado na Cruz do
Império e do Templo coligados, como o
Maldito de Deus. Deste Jesus e do seu
Projecto de Reino /Reinado de Deus,
ainda a edificar na História e que
carece de obreiros que nessa edificação
dêem o seu melhor, como alternativa ao
reino /reinado do Império, hoje o
Império Financeiro Global, nem o
arcebispo de Braga e presidente da
Conferência Episcopal quer saber, quanto
mais a população do seu território
diocesano. Tirem-lhe, a esta população,
a senhora do Sameiro, o S. Bentinho da
Porta Aberta, o Bom-Jesus, as igrejas e
as capelas, as imagens das deusas e dos
deuses, a semana-santa, as procissões de
velas, a santinha de Balazar, a senhora
de Fátima, as promessas e as romarias,
as tradições dos antigos, as missas e as
catequeses com as suas vaidades
festivas, e o que fica? Só que tudo
isto, que o arcebispo chama de
religiosidade cristã, e que eu digo,
pagã, é Alienação, é Perverso, é Ópio,
mas é isso, apenas isso, que a população
residente no território da diocese quer
que perdure e se alimente, de geração em
geração. O novo bispo auxiliar é neste
ninho de víboras que vai cair e
perder-se como Humano. Um ninho de
víboras, carregadas de veneno mortal,
que é, afinal, toda essa intensa
/fanática religiosidade cristã /pagã,
mítica, bem nos antípodas das Práticas
Políticas e Económicas Maiêuticas de
Jesus, e dos seus Duelos Teológicos
Desarmados contra a Idolatria, que lhe
mereceram a morte na Cruz do Império e
do Templo coligados. Ele vai alimentar
toda esta religiosidade. Vai ser um dos
grandes sacerdotes desta religiosidade.
Melhor fora, por isso, que não tivesse
nascido. É caso para dizer /chorar: para
o que uma mãe cria um filho, quando,
mais tarde, esse filho desiste de ser
Humano, para se fazer Poder Eclesiástico
Episcopal. Eu sei que a mãe do novo
bispo, se ainda for viva, será também
aliciada para sentir muito orgulho neste
seu filho, Poder Eclesiástico Episcopal.
Porque o Poder, para além de perverso, é
também mentiroso. E engana até as mães
que pariram um filho Humano e leva-as a
pensar que ele, ao crescer em Poder,
fica mais Humano, quando, na verdade,
fica tal e qual o pai que o pariu,
mentiroso e assassino, chulo,
espinheiro, privilégio, ídolo.
Parte-se-me o coração de presbítero da
Igreja do Porto, perante espectáculos
destes, perante descriações do Humano
como esta. Porque o nosso século XXI
precisa, como de pão para a boca, de
presbíteros maiêuticos, mulheres e
homens, e de bispos maiêuticos, mulheres
e homens. Em vez disso, dão-nos mais
Poder Eclesiástico Episcopal e
Paroquial. De modo que, em lugar de
crescermos em Sabedoria e em Graça, em
Maioridade e em Liberdade, diminuímos no
Humano e acabamos que nem lesmas e
minhocas, ou então, seres agressivos,
violentos, mentirosos, corruptos,
egoístas, assassinos. Malhas que o Poder
Eclesiástico tece.
Nota: Se quiserem comentar, façam-no por e-mail para padremario@sapo.pt
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